A XCMG vai iniciar a montagem local de caminhões elétricos no Brasil entre o fim deste ano e o início de 2027. A informação foi confirmada por Rodrigo Setrak, gerente comercial de produtos eletrificados da operação brasileira, em entrevista à Transporte Mundial.
Segundo o executivo, a produção vai começar no formato CKD/SKD, utilizando a estrutura já existente da fabricante em Pouso Alegre (MG), onde a empresa mantém desde 2014 uma fábrica dedicada à linha amarela.
Assim, a estratégia marca um novo passo da companhia no mercado brasileiro de veículos comerciais eletrificados. Desde 2021, quando passou a atuar com caminhões no País, a XCMG já soma cerca de 350 veículos em circulação, sendo que desde 2024 a marca oferece modelos leves, médios, pesados e extrapesados.
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“A gente tem planos de internalizar a montagem dos caminhões e iniciar um processo gradual de nacionalização de componentes, da mesma forma que fizemos com os equipamentos da linha amarela”, explica Setrak.
Produção local começa pelos modelos leves

De acordo com o executivo, a operação brasileira começará com os caminhões leves, principalmente modelos 3/4 e VUCs elétricos. Em seguida, a marca quer ampliar gradualmente a montagem para outras categorias conforme o crescimento da demanda e a viabilidade econômica.
Seja como for, hoje, a XCMG oferece no Brasil um dos maiores portfólios de caminhões elétricos do mercado, com modelos que vão desde VUCs até cavalos-mecânicos homologados para rodar com composições de até 74 toneladas. A fabricante também já desenvolve soluções voltadas para operações florestais e canavieiras.
“A intenção é trazer toda a linha para produção local no futuro. Mas isso depende de volume, desenvolvimento da cadeia de fornecedores e maturidade do mercado”, explicou.
Segundo Setrak, o Brasil possui uma indústria metalmecânica robusta, o que facilita a nacionalização de itens como chassis, eixos e sistemas de freio. Porém, ainda existem desafios na produção local de baterias, componentes eletrônicos e sistemas de alta tensão.
Alta do diesel impulsiona procura por caminhões elétricos
A escalada do preço do diesel e o impacto das tensões geopolíticas internacionais aceleraram o interesse das empresas por veículos elétricos. Segundo o executivo da XCMG, as solicitações de clientes cresceram mais de 30% nos últimos meses.
“A busca aumentou muito. Hoje o cliente quer entender viabilidade econômica. Mas nem sempre foi assim. Antes o foco era ESG e descarbonização. Agora o principal objetivo é redução de custo operacional”, revela o executivo.
Setrak afirma que o movimento deixou de ficar concentrado apenas em grandes empresas. Atualmente, pequenos transportadores, comerciantes, distribuidores urbanos e até padarias passaram a procurar soluções elétricas.

Além disso, a redução no custo da infraestrutura de recarga também ajudou a destravar projetos. Conforme o executivo, os carregadores rápidos e ultrarrápidos ficaram significativamente mais baratos desde 2022.
Caminhões elétricos começam a encurtar diferença de preço
Outro fator que vem mudando o cenário é a queda gradual no custo dos caminhões elétricos. Segundo Setrak, em algumas categorias, como a de leves e médios, a diferença para um modelo diesel já caiu para cerca de 10% a 15%. Como resultado, o tempo de retorno do investimento despencou.
“Antes existiam operações que precisavam rodar 400 mil quilômetros para equiparar o custo do diesel. Hoje, dependendo da aplicação, o caminhão elétrico paga essa diferença entre 60 mil e 80 mil quilômetros”, afirmou.
Nos segmentos pesados e extrapesados, a diferença ainda gira entre 30% e 35%. Mas a expectativa da marca é reduzir esse intervalo até o fim da década com ganho de escala, evolução tecnológica e nacionalização.
Operações urbanas lideram avanço da eletrificação
Segundo a XCMG, as operações urbanas continuam sendo o ambiente mais favorável para os elétricos. Isso porque os caminhões conseguem rodar durante o dia e retornar à base para recarga noturna.
Empresas que atuam com distribuição urbana, transferências entre CDs e operações de curta distância já conseguem obter ganhos financeiros relevantes. Por outro lado, o executivo afirma que a grande virada do mercado ocorrerá quando os caminhões elétricos atingirem autonomias entre 400 km e 500 km.
“A partir desse ponto, a mudança será significativa. Muitas empresas vão reorganizar a logística para aproveitar o menor custo operacional do elétrico”, explicou.















