ZF nacionaliza transmissão TraXon 2 e anuncia novidades na Fenatran

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ZF prevê iniciar a produção nacional da nova transmissão em 2027 e apresenta tecnologias para reduzir o consumo de combustível, ampliar a vida útil dos componentes e diminuir custos operacionais das frotas

A empresa tem convicção de que tecnologia reduz os custos operacionais do transporte ao proporcionar mais segurança, produtividade, eficiência e disponibilidade dos veículos comerciais. É com base nessa realidade que mantém seu compromisso de desenvolver soluções para o setor, consciente de que o futuro do transporte será construído por etapas, e não de forma linear, como se imaginava.

Novidades da ZF incluem Transmissão, nova embreagem, transmissão de 9 velocidades, novo disco de embreagem e sistema pneumático de acionamento da embreagem
Pacote de novidades da ZF inclui Transmissão Traxon 2, novo disco de embreagem, transmissão automatizada de 9 marchas e sistema pneumático de acionamento da embreagem para transmissões automatizadas de veículos pesados

A incorporação das inovações depende, em grande parte, das necessidades do mercado e do ritmo de adoção das novas tecnologias. Enquanto algumas soluções chegam rapidamente às operações, outras precisam demonstrar suas vantagens ao longo do tempo.

Na Fenatran 2026, a ZF apresenta novidades com tecnologias que combinam desenvolvimento global e engenharia local, que começam a chegar aos veículos comerciais em 2027. Os destaques são a nacionalização da transmissão automatizada TraXon 2, a nova geração de discos de embreagem TD285 e a remanufatura do sistema de acionamento de embreagem ConAct.

A fabricante também anuncia a incorporação da função PreVision à transmissão automatizada de nove marchas 9AS EcoTronic, voltada principalmente a caminhões médios e semipesados. Já presente na família TraXon, a tecnologia utiliza informações de GPS para antecipar as condições do percurso e ajustar as trocas de marchas. Na 9AS EcoTronic, o sistema pode reduzir em até 3% o consumo de combustível, segundo a empresa.

TraXon 2 será produzida no Brasil

Um dos principais anúncios da ZF na Fenatran será a nacionalização da transmissão automatizada TraXon 2, destinada a caminhões pesados e extrapesados. A produção será na fábrica de Sorocaba/SP, com início previsto para meados de 2027.

A nova geração mantém a base mecânica da transmissão anterior, mas incorpora uma arquitetura eletrônica redesenhada. O sistema tem maior capacidade de processamento e permite trocas de marchas mais rápidas e precisas, além de melhorar a comunicação entre a transmissão, o motor e os demais sistemas eletrônicos do caminhão.

Segundo Silvio Furtado, vice-presidente de Soluções para Veículos Comerciais e Tecnologia Industrial da ZF América do Sul, a TraXon 2 já passou por testes no Brasil e tem contratos de fornecimento fechados com duas montadoras. A produção nacional deverá facilitar a integração com as linhas de montagem e reduzir a dependência de importações. A transmissão TraXon 1 continuará sendo fabricada em Sorocaba.

Entre os avanços da Traxon 2 está a possibilidade de atualização remota de software, conhecida como Flash Over The Air (FOTA). O recurso permite disponibilizar melhorias e novas funcionalidades sem que o caminhão precise ir à oficina para receber as atualizações, conforme a implementação dos serviços previstos.

A nova arquitetura também incorpora recursos de cibersegurança, que protegem a comunicação entre os sistemas eletrônicos do veículo contra acessos indevidos. Embora esse requisito ainda não seja obrigatório no Brasil, segundo a empresa a tecnologia prepara a transmissão para futuras exigências e a evolução dos caminhões conectados.

A ZF estima que a TraXon 2 possa reduzir em até 1,7% o consumo de combustível e as emissões de CO₂ em relação à geração anterior, dependendo da aplicação. O resultado está associado, entre outros fatores, ao gerenciamento eletrônico e à maior precisão nas trocas de marchas.

Outro recurso é a evolução do PreVision, sistema que utiliza dados de GPS para antecipar as condições da rota. Na TraXon 2, o alcance de leitura do percurso passa de 1 km para 2 km. Com mais informações antecipadas, a transmissão pode selecionar a marcha adequada com maior precisão, favorecendo a condução e o aproveitamento do combustível.

A arquitetura modular da TraXon também permite incorporar outras soluções, conforme a aplicação e as necessidades das montadoras. Entre as possibilidades estão versões híbridas, que combinam motor a combustão e propulsão elétrica.

Durante a coletiva nesta quinta-feira (29/10), a ZF mencionou a expectativa de avançar nesse desenvolvimento entre 2029 e 2030. A empresa, porém, não confirmou uma data para a chegada dessa configuração ao mercado brasileiro.

Transmissão ZF de nove marchas

A ZF também amplia a aplicação do PreVision para a nova transmissão automatizada 9AS EcoTronic, de nove marchas, voltada a caminhões médios e semipesados. A solução foi desenvolvida e calibrada pela engenharia brasileira para atender às características do transporte nacional.

O sistema utiliza informações de GPS para identificar antecipadamente as condições da rota e ajustar as trocas de marchas. A proposta é evitar mudanças desnecessárias, melhorar o desempenho do conjunto e aproveitar melhor a energia fornecida pelo motor. 

De acordo com Silvio Furtado, a tecnologia pode proporcionar redução de até 3% no consumo de combustível. O resultado efetivo depende do veículo, da motorização, da carga e das condições de operação.

Durante a apresentação, o diretor de engenharia, Javier Pantoja, explicou que o percentual foi obtido por meio de testes comparativos entre veículos em condições equivalentes, com e sem a função PreVision. As avaliações consideram caminhões com a mesma configuração e carga, além de diferentes percursos e condições de uso. A empresa também envolve clientes parceiros na validação dos resultados.

A redução tem importância direta para as transportadoras, já que o diesel representa uma das principais despesas da atividade. Silvio Furtado reforça que mesmo um ganho percentual aparentemente pequeno pode representar economia relevante quando aplicado a uma frota que percorre grandes distâncias ao longo do ano.

A 9AS EcoTronic conta ainda com diferentes modos de condução, de Eco a Power, permitindo ajustar o comportamento da transmissão conforme a necessidade da operação. Segundo a ZF, a solução já tem fornecimento contratado para o mercado, embora a empresa não tenha divulgado o nome do cliente.

A tecnologia poderá ser aplicada também em outros mercados, desde que as condições de uso e a configuração dos veículos permitam sua utilização. A possibilidade de levar esse desenvolvimento a outros países reforça a participação da engenharia brasileira na criação de soluções para o portfólio global da ZF.

Novo disco de embreagem

Outra novidade é o TD285, nova geração de discos de embreagem com amortecedor torcional desenvolvida pela engenharia brasileira da ZF. O componente foi projetado para caminhões e ônibus pesados equipados com motores de alta eficiência e baixas emissões, incluindo os que atendem ao padrão Euro 6.

Com diâmetro de 430 mm, o disco foi desenvolvido para suportar as condições severas de operação dos veículos comerciais pesados. Seu amortecedor torcional ajuda a reduzir as vibrações geradas pelo motor e transmitidas ao conjunto de transmissão, contribuindo para proteger os componentes do trem de força.

A necessidade de aprimorar esse sistema está relacionada à evolução dos motores. Com o aumento da eficiência e do torque, os componentes da embreagem precisam suportar solicitações maiores e controlar as vibrações para preservar a durabilidade do conjunto.

O TD285 também favorece a dirigibilidade, especialmente em baixas rotações, nas partidas e durante as trocas de marchas. O produto está disponível em versões para motores com torque máximo de até 3.500 Nm e atende tanto às montadoras quanto ao mercado de reposição.

ConAct terá remanufatura nacional

A terceira novidade envolve o ConAct, sistema pneumático de acionamento da embreagem utilizado em transmissões automatizadas de veículos pesados. A ZF iniciará a remanufatura do componente em 2027, na unidade de Araraquara/SP.

O sistema controla o acionamento da embreagem durante as trocas de marchas e contribui para proteger o conjunto contra desgaste prematuro. Seu funcionamento também ajuda a reduzir o esforço do motorista e a necessidade de manutenção.

Segundo informações apresentadas pela empresa, o ConAct pode contribuir para aumentar em até 30% a vida útil da embreagem. O sistema dispensa o circuito hidráulico, simplificando a instalação e reduzindo a complexidade do conjunto.

A remanufatura permite recuperar componentes de acordo com os padrões técnicos da fabricante. O processo inclui limpeza, substituição das peças desgastadas, testes e atualizações necessárias. A ZF informa que os produtos remanufaturados recebem garantia equivalente à de uma peça nova.

Durante a coletiva, a empresa informou que recupera aproximadamente 73% dos componentes do conjunto. O percentual de economia para o cliente, porém, depende das condições da peça recebida e do processo necessário para recuperá-la.

A iniciativa amplia as alternativas para o mercado de reposição e contribui para reduzir o consumo de matérias-primas e energia em comparação com a fabricação de componentes novos. A ZF não divulgou um índice fixo de redução de custo, mas ressaltou que a remanufatura tende a ser mais econômica do que a aquisição de um componente novo.

Engenharia brasileira 

Além dos produtos apresentados na Fenatran, a ZF destacou a importância da engenharia brasileira para desenvolver e adaptar tecnologias às condições de operação da região. A equipe local participa tanto da calibração de transmissões quanto de testes de componentes e sistemas destinados a diferentes mercados.

A validação considera as particularidades das estradas, as diferenças de relevo e as condições de carga, mas também aspectos de manutenção e operação.

Sistemas pneumáticos, por exemplo, podem enfrentar condições diferentes das observadas em mercados europeus, inclusive em razão de vazamentos associados à manutenção. Da mesma forma, componentes precisam suportar situações específicas de uso em aplicações agrícolas e fora de estrada.

Segundo a empresa, o processo inclui simulações matemáticas, ensaios em bancadas e testes em veículos. A validação em campo pode levar de um ano a um ano e meio, período necessário para avaliar o desempenho em diferentes condições de operação.

Esse conhecimento também ganha importância com a chegada de novas montadoras ao mercado brasileiro, entre elas fabricantes chinesas. A ZF afirma que já fornece tecnologias e suporte de engenharia a empresas da China. O diferencial, segundo a fabricante, está não apenas na disponibilidade dos componentes, mas também na capacidade de adequá-los às condições de uso de cada veículo.

O objetivo é combinar o portfólio global com o conhecimento adquirido localmente, tanto para atender às necessidades das montadoras quanto para levar soluções desenvolvidas na América do Sul a outros mercados.

Tecnologia e custo operacional

As novidades apresentadas na Fenatran refletem a estratégia da ZF de combinar tecnologias desenvolvidas globalmente com soluções adaptadas às condições de operação brasileiras.

Além dos ganhos de eficiência, a empresa aposta na digitalização das transmissões, na proteção dos componentes e na ampliação das alternativas de manutenção. A intenção é atender às necessidades das montadoras e das transportadoras ao longo de todo o ciclo de vida dos veículos.