De olho na tendência do mercado por caminhões leves com transmissões inteligentes, a MAN Latin America, há um pouco mais de um ano, começou os seus primeiros estudos nesse sentido. Foi quando ela recebeu a missão do Grupo Martins Atacadista para desenvolver um veículo que atendesse às demandas urbanas, porém, com uma transmissão automatizada.

Caminhão e câmbio, a fabricante já possuía. A missão era especificá-los para trabalharem juntos. E foi daí o desenvolvimento do VW Delivery 13.160 com transmissão ZF de 6 velocidades.

Apesar de não ter data para ser lançado no mercado, pois no momento chegaria ao mercado por um preço pouco competitivo, o Delivery 13.160 é o primeiro caminhão nessa categoria desenvolvido com caixa automatizada apresentado à imprensa especializada. Se alguma outra marca fez algo similar, guardou para ela e deixou o pioneirismo para a MAN Latin America.

Desse modelo, existem duas unidades, e uma delas está em testes há quase um ano pelo atacadista Martins, em Minas Gerais. Destinado às entregas urbanas, o caminhão tem como atributos o PBT de 13.200 kg e a carga útil de 9.350 kg – 630 kg a mais em relação ao seu concorrente Mercedes-Benz Accelo 1316.

O VW Delivery 13.160 é o maior da linha que tem representantes de 5, 8, 9 e 10 t de PBT. No entanto, ele tem capacidade de caminhão médio com características de modelo leve para atender o segmento de distribuição urbana.

Seu entre-eixos mais curto de 2.850 mm atende à legislação do VUC, sendo uma alternativa adequada ao transporte em locais em que há restrição a caminhões de maior porte – uma das razões de ele ser procurado por atacadistas e, principalmente, por empresas que fazem o transporte de bebidas. Há a opção de entre-eixo de 3.300 mm.

Esse caminhão conta com motor Cummins ISF 160, de 4 cilindros em linha, que desenvolve potência de 160 cv a 1.600 rpm e torque de 61 mkgf de 1.300 a 1.700 rpm. Trata-se de um motor com turbo de duplo estágio que tem como a maior característica o torque linear a partir de baixas até médias rotações.

A transmissão também tem seus predicados. É uma ZF 6AS 1000 TO de 6 velocidades e 1 ré, automatizada e que dispensa o pedal de embreagem. Denominado V-Tronic, esse veículo, além de agregar a caixa inteligente, também possui piloto automático, o ATC off, ferramenta adequada para rodar em estradas off-road, freio-motor por borboleta e o sistema DM/RM de manobra e anti-derrapante.

Trata-se de uma transmissão robusta e bem dimensionada, pois é a mesma que vai equipada no semipesado VW Constellation 17.190. Ainda se tratando de robustez, ele conta com embreagem automática de 362 mm.

Outa ferramenta que o caminhão traz de série é o sistema de máxima tração (anti-skid). Ele eleva parcialmente o 3º eixo transferindo parte da carga para o eixo de tração. Trata-se de um sistema útil em situações de saídas em rampas com o veículo carregado ou em casos por onde possa ocorrer a patinação das rodas de tração por falta de aderência com o solo. A relação de diferencial é 4,30:1, combinada aos pneus perfil 215/75 R17.5 ou a opcional 235/75 R17.5.

Nessa versão automatizada, o caminhão ganhou pontos positivos em relação à versão manual, porque o motorista, principal beneficiário, terá de concentrar apenas no trânsito, dirigindo com mais segurança, além da maior comodidade por não ter de ficar trocando marchas, ainda mais aquele que opera nas regiões de maior concentração de tráfego, quando o anda e para é comum.

Ao frotista, mesmo o autônomo, a vantagem está no aumento da vida útil dos componentes do trem-de-força como transmissão e embreagem.

O mercado

Por ser o único produto nesse segmento a equipar uma transmissão automatizada, para viabilizá-lo no mercado, o maior desafio será o preço, pois os testes aferidos tanto pela engenharia da marca como pelo cliente Martins são positivos.

“O nosso cliente está satisfeito com o caminhão e mesmo o modelo que está em nossa engenharia também está nos dando um bom retorno nos testes”, completa Andria Cristina Giusti, engenheira de marketing do produto.

Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas e marketing da MAN Latin America, para tornar o produto realidade no mercado, a discussão agora é a política de preços junto aos fornecedores.

“Temos de pensar que esse caminhão custa em média R$ 150 mil, e hoje se ele fosse lançado essa transmissão custaria mais R$ 30 mil, o que elevaria o valor do produto final. Nosso desafio é tornar isso mais viável. E temos de tornar os preços atrativos aos nossos clientes. Por isso, ainda não temos previsão de quando o modelo será lançado”, ressalta Alouche.

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Andrea Ramos
Jornalista especializada em veículos comerciais, apaixonada por caminhões e punk rock, e mãe do B e do Ben.