Solução para o transporte entre 45 t e 53 t de PBTC, o CF85 é a aposta da DAF para curtas a médias distâncias rodoviárias. Posicionado como caminhão de entrada no segmento rodoviário é composto por duas configurações de motor, com potências de 360 e 410 cv, e de eixos, 4×2 e 6×2.


O CF85 se destaca pelo nível de acabamento e sofisticação a bordo – se iguala a modelos como Volvo FH ou Scania R, equipados com cabine intermediária. Claro que se compará-lo às versões topo de linha das grifes suecas, ou até mesmo ao seu irmão maior, o XF105, o CF é uma opção mais simples, mas que ultrapassa as expectativas dos motoristas. Sua cabine teto alto, denominada Space Cab, possui 1 790 mm de altura e 2 260 mm de largura internamente – uma das mais altas da categoria, levando-se em conta a altura do túnel do motor.  


Trata-se de um veículo que dispõe de uma série de equipamentos que o afiançam como uma interessante ferramenta de trabalho, a começar pelo trem de força. O modelo avaliado nessa reportagem é o configurado 4×2, na potência de 410 cv. Equipado com o motor MX 13, da Paccar, de 12,9 litros, desenvolve 410 cv de 1 500 a 1 900 rpm e torque 204 mkgf de 1 050 a 1 410 rpm. O caminhão é equipado num bloco de 6 cilindros em linha com 4 válvulas por cilindro, cujo sistema é o DMCI, de injeção multicontrolada DAF. Para atender às demandas da lei de controle de emissão de poluentes, o motor do CF trabalha com sistema SCR, em que há a necessidade do reagente químico Arla 32. Esse propulsor trabalha em conjunto com a transmissão AS-Tronic Direct Drive, uma ZF automatizada de 16 velocidades sequenciais, sendo que na última marcha quem entra em ação é o eixo, o que melhora o consumo, graças à rotação que se mantém plana. 

Sobre sua robustez, o CF85 é equipado com o eixo traseiro Meritor MS18x, que é reforçado na carcaça e no conjunto coroa e pinhão. A maioria dos fabricantes de caminhões pesados está migrando para esse eixo justamente por causa dessa robustez.


O freio-motor MX com poder de frenagem de 430 cv a 2 100 rpm, um dos maiores da categoria,  funciona tanto por descompressão quanto por borboleta. Para dar mais aporte à segurança, o veículo saí de série com controle de tração. Ainda falta ao CF a suspensão pneumática. Segundo a engenharia da marca, está sendo desenvolvida para atender às demandas do mercado local. A redução de diferencial é a intermediária, de 3,08:1. Mas a DAF ainda dispõe das opções 2,85:1 e 3,40:1. A distância entre-eixos é de 3 600 mm.

 ACONCHEGO A BORDO
A cabine, além de ser bem espaçosa, é dotada de muito conforto e equipamentos a bordo que facilitam o dia a dia do motorista. A concepção do caminhão de origem holandesa parte do princípio de que o conforto está diretamente relacionado à segurança. Um motorista que dirige com ergonomia correta se cansa menos, tem mais atenção à estrada e, consequentemente, um comportamento mais seguro.


O banco com suspensão pneumática, denominada Comfort Air, possui diversos níveis de ajuste. Os vidros são amplos e os retrovisores bipartidos colaboram para maximizar a visão ao trânsito e eles contam com desembaçador térmico dos dois lados. 
 
O acabamento do painel curvo é de alta qualidade, o que aumenta o requinte a bordo. O volante é multifuncional e tanto o banco do motorista quanto o do passageiro possuem apoio de braço. A cabine leito pode integrar beliche, além da cama simples – esta com colchão com espuma de alta densidade. Ar-condicionado, trio elétrico, preparação para rádio, já com dois alto-falantes instalados, e preparação para climatizador de teto e controlador de velocidade são itens de série.

RICO EM DETALHES
Do lado de fora, apesar de o modelo já ser uma versão ultrapassada em relação às versões vendidas na Europa, para atender a norma local Euro 6, por aqui ainda é uma novidade e sua cabine não fica fora dos padrões locais. A parte frontal chama a atenção por causa das grades frontais tanto na parte central como inferior da cabine, o que dá ao caminhão mais personalidade. O modelo possui para-choque em aço galvanizado e o primeiro degrau acoplado ao chassi. Os faróis halógenos birrefletores possuem lentes Lexan de alta resistência.

O DAF CF na potência de 410 cv se mostra um caminhão bem equilibrado, cujo comportamento dinâmico é bem agradável, pois o motor funciona em um regime bem baixo de rotação, o que nos permite trafegar com o veículo por bastante tempo na zona verde em marchas mais longas. Ponto para a eficiência e o consumo reduzido.

CONCORRÊNCIA
São cinco os modelos que atendem o segmento de caminhões pesados rodoviários de entrada com a mesma faixa de potência do DAF CF85. 

Dois modelos, Volvo FH 420 T e Scania R 400 LA, configurados 4×2, em suas versões de entrada possuem nível de sofisticação e de equipamentos equivalentes ao DAF. O Volvo FH entrega um pouco mais. De série oferece ar condicionado analógico, escotilha de teto elétrica para a versão com teto alto, vidros elétricos, assento do motorista com suspensão pneumática e cinto integrado ao banco, pára-choque na cor da cabine, indicador de temperatura ambiente, espelhos com desembaçador de ambos os lados, I-See,piloto automático,mais função econômica caso o veículo seja equipado com aI-Shift, transmissão automatizada da Volvo,que não é de série, mas que hoje é equipada em cerca de 95% dos caminhões da gama F da marca à venda no Brasil.

Rádio CD (alto-falante no painel e portas com controle no volante e rodas de aço, ainda são outros itens oferecidos na versão de entrada, por exemplo. Esse modelo, com motor de 420 cv dispõe ainda do freio-motor VEB de 410 cv – uma das maiores potências de frenagem da categoria.

O Scania R 400 LA, além de ser uma oferta com potência de entrada da gama, também oferece alguns diferenciais que o posiciona como um veículo com alto nível a bordo,a começar pelo acabamento dos materiais de painel, bancos e cama, e itens como o Scania Drive Support – sistema de apoio ao motorista  que funciona como um instrutor virtual fornecendo sugestões para o motorista tirar o melhor proveito do caminhão em economia de combustível. Nesse modelo, a transmissão Opticruise também é oferecida de série no veículo, além do ar condicionado.

Posicionado como um meio termo no que se refere a acabamento e itens oferecidos, o Mercedes-Benz Axor 2041 4×2 também traz itens de conforto e proveitosos para o motorista,como a transmissão PowerShift que dispensa pedal de embreagem ou anel sincronizador, transmissão de 12 velocidades que trabalha em perfeita sincronia com o motor MB OM-457 LA de 401 cv a 1 900 rpm, com torque de 203 mkgf. A suspensão pneumática de cabine está disponível nas versões leito, e a bordo o banco do motorista traz suspensão pneumática e ajustes de posições seja altura e profundidade.


O Axor também é oferecido com tanque de alumínio. Nessa nova gama 2016 o Axor conta com painel de instrumentos renovado, computador de bordo de fácil navegabilidade e o motorista tanto pode comandar pela tecla de navegação ou pelo volante multifunção, que também agrega funções do rádio, por exemplo.   

O Constellation 19.420 4×2 é um modelo mais básico, contudo traz de série a transmissão V-Tronic, uma ZF automatizada de 16 velociodades. O acabamento a bordo é mais simples> o modelo não oferece tanto rebuscamento como um TGX,mas entrega um ótimo espaço interno, sendo um importante predicado do veículo na versão cabine leito teto alto. O motor Cummins desenvolve potência de 420 cv a 2 100 rpm e seu torque é de 188,7 mkgf a 1 300 rpm. 

O Stralis 490S40T, mesmo na versão teto alto, não tem o espaço interno como seu maior aliado, mas dispõe de conforto até por causa do bom acabamento a bordo. O modelo que entra nessa categoria dispõe de motor FPT de 411 cv a 1 900 rpm e torque de 194 mkgf de 1 000 a 1 400 rpm. A transmissão de série é uma ZF de 16 velocidades, mas a Iveco oferece a opção AS-Tronic.

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Andrea Ramos
Jornalista especializada em veículos comerciais, apaixonada por caminhões e punk rock, e mãe do B e do Ben.