Aumovio mira na reposição para avançar em pesados após spin-off da Continental

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A recém-lançada Aumovio nasce com uma agenda clara de ganhar agilidade em um setor pressionado por disrupções tecnológicas e reposicionar sua atuação em mercados estratégicos como o brasileiro. Embora o anúncio oficial marque uma nova fase, a operação carrega o legado da divisão automotiva da Continental. Mas agora com foco exclusivo em tecnologia, software e eletrônica embarcada.

Com faturamento global de € 18,5 bilhões, o Brasil responde por cerca de 3% das receitas. Ou seja, algo próximo de € 555 milhões. Desse total, 20% vêm de veículos comerciais, segmento que passa a ganhar protagonismo na estratégia local. Especialmente diante de um ciclo mais fraco de vendas de caminhões novos.

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O Brasil deve crescer entre 3% e 5% ao ano, com ampliação de receita, ainda que a participação global não mude de forma significativa no curto prazo”, diz Ricardo Rodrigues, CEO da Aumovio.

Aftermarket ganha peso em cenário de retração

Aumovio mira aftermarket para avançar em pesados no Brasil após spin-off da Continental
Ricardo Rodrigues, da Aumovio no Brasil, diz que o aftermarket será o motor de crescimento nos pesados

Nesse sentido, a Aumovio direciona esforços para o mercado de reposição, que já representa cerca de 10% da receita no Brasil e deve dobrar para 20% em até cinco anos. A lógica é clara. Com menor renovação de frota, transportadores estendem o ciclo de uso dos veículos, elevando a demanda por manutenção, peças e serviços.

Ademais, a empresa já dobrou de tamanho no aftermarket nos últimos cinco anos e projeta triplicar esse volume em até três anos. O crescimento virá da ampliação do portfólio, que passa a incluir desde sensores e tacógrafos mais sofisticados, até óleo de motor para veículos pesados. Além da capilaridade na distribuição.

Ao mesmo tempo, o avanço em pesados não se limita à reposição. A estratégia também envolve ampliar o fornecimento direto às montadoras (OEMs). Sobretudo com soluções eletrônicas e de conectividade.

Tecnologia embarcada impulsiona demanda em pesados

Todavia, na área industrial, a operação de Guarulhos se consolida como hub de veículos comerciais. Hoje, mais de 50% do faturamento da planta já vem de pesados, com produção local de tacógrafos, painéis de instrumentos, módulos eletrônicos e conversores de tensão.

Assim, a tendência é de aceleração puxada pela digitalização da frota. Sistemas de telemetria, conectividade embarcada e integração com plataformas de gestão devem migrar do aftermarket para a linha de montagem nos próximos anos.

Essa transição acompanha um movimento global. Ou seja, de caminhões cada vez mais conectados, capazes de transmitir dados em tempo real para montadoras, gestores de frota e até infraestrutura urbana. Na prática, isso permite manutenção preditiva, otimização de rotas e redução de custos operacionais.

Spin-off destrava decisões e reposiciona estratégia

Conforme Ricardo Rodrigues, a separação da Continental foi determinante para acelerar esse reposicionamento. Segundo o CEO, a nova estrutura elimina camadas hierárquicas e encurta o ciclo de decisão, este fator crítico em um ambiente marcado por eletrificação, conectividade e forte concorrência, especialmente de indústrias chinesas.

Coo resultado, a empresa passa a operar com foco exclusivo no setor automotivo, o que permite respostas mais rápidas a mudanças tecnológicas e comerciais. “Ou a empresa ganha flexibilidade para se adaptar ou perde relevância”, resume o executivo.