Produção de caminhões reage e Move Brasil deve sustentar melhora até maio

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A produção e o mercado de caminhões no Brasil começaram a dar sinais de recuperação em março. Porém, ainda longe de reverter as perdas acumuladas frente a 2025. Nesse sentido, dados da Anfavea mostram avanço relevante na comparação mensal, sustentado principalmente pela melhora nos emplacamentos, movimento que a entidade associa, em parte, aos efeitos do programa Move Brasil.

Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, o crescimento de março marca uma “atenuação da queda”, e não uma retomada plena. “O mercado melhora de um mês para o outro, mas ainda permanece abaixo do patamar de 2025”, afirma.

Na prática, o setor saiu de cerca de 6,7 mil caminhões emplacados em fevereiro para 8,8 mil unidades em março, uma alta expressiva na margem de 32%. Ainda assim, o volume ficou aquém das 9,4 mil unidades registradas em março do ano passado, com retração de 6,4%.

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Reação nos pesados

Produção de caminhões reage em março, segundo a Anfavea, também impulsionada pelos efeitos do Move Brasil

O avanço mais intenso ocorreu no segmento de pesados, responsável por cerca de 45% do mercado total de caminhões. Os emplacamentos saltaram de aproximadamente 2,8 mil unidades em fevereiro para 4,1 mil em março. Ou seja, alta próxima de 50% no período.

Apesar da reação, o segmento segue em retração na comparação anual. Em março de 2025, foram cerca de 4,4 mil unidades, o que indica queda de quase 7% neste ano.

Do lado da produção, os dados da Anfavea reforçam esse cenário de recuperação parcial. A fabricação de caminhões cresceu 42,8% em março frente a fevereiro. Ou seja, saindo de 7,8 mil para 11,1 mil unidades. Mas ainda registra queda de 5% na comparação com março do ano passado, quando foram fabricados 11,7 mil caminhões.

Já os ônibus avançaram tanto na margem quanto no comparativo anual. Ou seja, com alta de 13,7% sobre fevereiro (saindo de 2,7 mil para 3,1 mil unidades fabricadas). E de 6,7% em relação a março de 2025 quando a produção encerrou em 2,9 mil unidades.

No acumulado do primeiro trimestre, a produção de caminhões caiu 18,9%, saindo de 31,7 mil veículos fabricados para 25,7 mil. Enquanto a de ônibus subiu 5,9%, de 7,2 mil para 7,6 mil.

Move Brasil sustenta fôlego de curto prazo

Seja como for, a melhora recente coincide com o início dos efeitos do Move Brasil, programa voltado à ampliação do crédito e redução do custo de financiamento para veículos comerciais. Como há um intervalo entre a venda, o faturamento e o emplacamento, o impacto começou a aparecer apenas em março.

“A gente já esperava que os resultados surgissem agora. O programa deu um respiro ao mercado”, diz Calvet.

Segundo o executivo, os efeitos do programa devem continuar aparecendo ao longo de abril e maio, mesmo com os recursos já esgotados. Isso ocorre justamente por conta do chamado “delay” entre as etapas de comercialização.

Incerteza externa impede revisão de projeções

No entanto, apesar do alívio pontual, a Anfavea optou por manter suas projeções para 2026. A entidade avalia que o ambiente macroeconômico segue desafiador e pode neutralizar parte dos ganhos recentes.

Assim, entre os principais fatores de risco estão manutenção de juros elevados, alta do diesel, influenciada pelo petróleo, aumento de custos no agronegócio, especialmente fertilizantes e incertezas no cenário internacional.

“Se isolássemos apenas o Move Brasil, o cenário seria de crescimento. Mas há outras variáveis que trazem instabilidade e dificultam uma revisão das projeções agora”, afirma Calvet.

Leve alta na produção, estabilidade em pesados

Como resultado, para 2026, a Anfavea projeta crescimento moderado da produção total de pesados, com avanço de 1,4%, para cerca de 154 mil unidades.