Seis chinesas disputam o mercado de caminhões elétricos no País

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O mercado brasileiro de caminhões elétricos começa a ganhar diversidade de players. Com a recente entrada da Farizon, anunciada na última semana, o País passa a reunir seis marcas com atuação nesse segmento. Assim, a fabricante se junta a JAC Motors, BYD, Sany, XCMG e Foton, todas de origem chinesa.

No entanto, embora o avanço seja significativo do ponto de vista de portfólio e oferta, uma descompensação estrutural se observa. Isso porque, atualmente, apenas a Volkswagen Caminhões e Ônibus realiza a produção de caminhões elétricos no Brasil, com a linha e-Delivery, lançada em 2021. Ou seja, enquanto a oferta cresce via importações, a base industrial local ainda é limitada. 

Nesse sentido, mesmo a Volvo que produz no Brasil modelos diesel, os elétricos da marca chegam ao País por importação. 

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Além disso, esse movimento ocorre em um contexto de maior abertura e interesse internacional pelo mercado brasileiro de veículos comerciais. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o aumento no número de marcas e lançamentos já começa a gerar efeitos perceptíveis. Sobretudo em segmentos mais leves.

“Se observa um aumento relevante de novas marcas, o que gera pressão competitiva. Em um único período recente, ocorreram mais de dez lançamentos elétricos, com forte presença de fabricantes chinesas”, afirma.

Pressão competitiva cresce e mercado entra em fase de testes

Seis marcas chinesas disputam o mercado de caminhões elétricos no País
Avanço das marcas chinesas ampliam a oferta de caminhões elétricos, mas a necessidade de investimentos locais e não só comercialização

De acordo com Calvet, esse avanço não se restringe a um único segmento. Pelo contrário, o interesse das fabricantes chinesas é perceptível em diferentes categorias de veículos comerciais. Contudo, com ritmo de adoção desigual.

Enquanto nos segmentos leves o movimento já é mais intenso, nos pesados ele ocorre de forma mais gradual. Ainda assim, a tendência de expansão é considerada natural. “Não há vedação para essa entrada. Trata-se de um movimento esperado dentro de um mercado aberto e competitivo”, explica.

Por outro lado, o executivo diz que esse aumento de oferta deve ser interpretado como uma fase de experimentação. Ou seja, com produtos sendo testados no mercado brasileiro, assim como o comportamento do consumidor diante das novas tecnologias.

Além disso, o processo de adoção depende diretamente da viabilidade econômica para o cliente. Nesse sentido, fatores como custo total de operação, infraestrutura de recarga e aplicação prática ainda exercem forte influência na decisão de compra.

Produção local é ponto-chave para equilíbrio do mercado de caminhões elétricos

Apesar do avanço das importações, a necessidade de internalização produtiva é essencial para o desenvolvimento sustentável do setor. Segundo a Anfavea, o ideal é que a entrada dessas novas marcas não ocorra apenas pela via comercial.

Isso porque as fabricantes já estabelecidas no Brasil, como DAF Caminhões, Mercedes-Benz, Scania, Iveco, Volvo e a própria Volkswagen Caminhões e Ônibus, possuem cadeias produtivas consolidadas, bem como conhecimento aprofundado do mercado local.

Nesse sentido, o enraizamento industrial dessas novas operações contribuiria para equilibrar a balança comercial e fortalecer a indústria nacional. “É importante que esses investimentos avancem para a produção local. Assim, cria-se uma base sólida e integrada ao ecossistema brasileiro”, pontua Calvet.

Tendência é de acomodação natural no médio prazo

Seis marcas chinesas disputam o mercado de caminhões elétricos no País
Volkswagen e-Delivery é o único modelo  desenvolvido e produzido no País

Seja como for, a leitura do setor é de que o atual cenário representa um momento de transição. Embora o número de marcas e produtos esteja crescendo rapidamente, uma acomodação natural deve ocorrer ao longo do tempo.

Isso porque, à medida que os testes de mercado avançam, tende a haver uma seleção baseada em fatores como eficiência operacional, custo e aderência às necessidades do transportador brasileiro. Portanto, nem todas as iniciativas devem se consolidar no longo prazo.

Ainda assim, o movimento é visto como positivo. Afinal, a ampliação da concorrência estimula inovação, acelera o desenvolvimento tecnológico e amplia as opções disponíveis para o setor de transporte.

Dessa forma, embora o Brasil ainda esteja em estágio inicial na eletrificação de caminhões, o aumento do interesse global indica que o País segue no radar das fabricantes. E que a disputa por espaço nesse mercado está apenas começando.