Fiat amplia produção do Ducato no Uruguai aumenta a capacidade de atendimento da marca, enquanto Scudo ganha espaço e Fiorino mantém liderança construída ao longo de décadas. A Fiat está comemorando 50 anos de presença e produção no mercado brasileiro.
Importado da Itália a partir de 2023, o atual Fiat Ducato está sendo produzido em série no Uruguai há cerca de quatro meses, como parte da estratégia da Stellantis de aumento da produção e das vendas do modelo no mercado brasileiro.
Das 3.800 unidades comercializadas em 2025, a meta para este ano é superar 5.100 e, mais à frente, ter capacidade para atender grandes demandas. O projeto-piloto para a produção no complexo da Nordex teve início no final de 2024.
Segundo Alexandre Clemes, diretor de Marketing de Produto de Picapes e Veículos Comerciais, além do aumento da capacidade produtiva, um dos principais ganhos é a flexibilidade para responder às oscilações da demanda.
Vale lembrar que a importação do Ducato começou em 1997 da Itália e sua produção local teve início em 2000 na fábrica de Sete Lagoas/MG. Em 2017, o modelo voltou a ser importado, mas desta vez do México e somente em 2023 voltou a vir da Itália.
Ducato não participou de licitação do governo
O executivo diz que o desafio é ter rapidez para atender o mercado, principalmente quando surge uma grande venda para algum frotista ou mesmo para o governo. Ele lembra que, em 2025, a empresa optou por não participar de uma licitação de cerca de 2 mil vans destinadas ao SAMU para não correr o risco de desabastecer a rede de concessionários.

Diferentemente das vendas do dia a dia, para as quais existe maior previsibilidade, grandes volumes exigem capacidade de resposta rápida. Trazer peças de outro país pode levar entre três e quatro meses, limitando a agilidade no atendimento.
“Mas já estamos trabalhando nisso, melhorando gradativamente e ganhando flexibilidade para entrar com mais força nesses segmentos. Ainda é um projeto de médio prazo, mas vamos crescer ano a ano”, afirma.
Com a produção do Fiat Ducato no Uruguai, a empresa passa a contar também com os benefícios fiscais do Mercosul e com o aumento da participação de peças produzidas na região.
Como a Ducato, Scudo ganha espaço
Outro veículo da marca na rota de crescimento das vendas é o Scudo, furgão intermediário para cargas e passageiros posicionado entre o Fiorino e o Ducato. Nesta categoria, o modelo foi o último da divisão Professional da Stellantis a chegar ao mercado brasileiro, em 2023, depois do Citroën Jumpy e do Peugeot Expert.

Os três comerciais são montados sobre a mesma plataforma e compartilham o mesmo trem de força, mas a expectativa é que o Scudo seja cada vez mais visto nas ruas das cidades. De acordo com Clemes, atualmente o modelo responde por 65% do volume das três marcas, com vendas em torno de 6 mil unidades por ano.
Um dos pontos a favor do Scudo é a extensa rede de concessionárias Fiat no País, que facilita o acesso às revisões e a disponibilidade de peças em diferentes regiões.
Essa capilaridade dá ao Scudo uma vantagem comercial sobre seus irmãos de projeto, que também oferecem 6 m³ de capacidade e altura que permite o acesso a estacionamentos de shopping centers e garagens de prédios, por exemplo.
Embora haja expectativa de crescimento das vans e dos furgões intermediários, Clemes acredita que os modelos maiores, como Ducato, Boxer e Jumper, todos da Stellantis, continuarão dominantes no mercado brasileiro.
Fiorino, uma liderança difícil de quebrar
Na faixa dos furgões menores, o Fiorino segue como um caso à parte. Indicado para operações que não exigem grandes volumes cúbicos e nas quais a agilidade faz diferença, o modelo sustenta há décadas a liderança de sua categoria entre pequenos comerciantes, prestadores de serviços e operadores.

Clemes diz que o Fiorino construiu uma posição difícil de ser ameaçada pelos concorrentes, especialmente pela simplicidade mecânica e pela ampla estrutura de manutenção e reposição, favorecida pelo compartilhamento de componentes com automóveis da marca produzidos em grande escala.
“Antes de tudo, o cliente compra resistência, facilidade de manutenção e baixo custo”, afirma.
A própria configuração mecânica contribui para essa reputação. O eixo traseiro rígido com feixe de molas favorece a robustez e a capacidade de carga, enquanto a grande quantidade de unidades em circulação garante ampla disponibilidade de peças e familiaridade das oficinas independentes com o modelo.
Valor de revenda
O mercado de usados completa esse ciclo. A procura pelo Fiorino de segunda e até de terceira mão ajuda a preservar seu valor e facilita a troca por outro veículo da marca. Para um concorrente, não basta, portanto, oferecer um produto equivalente. É preciso construir uma frota circulante capaz de gerar oferta de peças, conhecimento nas oficinas e liquidez no mercado de usados.
“Você precisa ter volume. Posso fazer o carro que quiser e colocar para vender, mas, se o mercado comprar só 2 mil carros por ano, não vai gerar essa massa crítica no pós-venda, na oficina e no mercado de usados”, explica Clemes.
A Fiat procura não romper esse ciclo. A recente substituição do motor Fire pelo Firefly segue essa lógica. Mais econômico, o propulsor equipa outros modelos de grande produção da marca, o que ajuda a garantir escala e disponibilidade de componentes. No restante, o Fiorino preserva uma mecânica conhecida e uma ampla oferta de peças no mercado.
Comércio tradicional ainda domina
O avanço do comércio eletrônico ampliou a demanda por veículos destinados às entregas urbanas, mas ainda não é o principal responsável pelas vendas de comerciais leves da Stellantis. Segundo Clemes, cerca de 80% das vendas da linha continuam ligadas ao comércio tradicional. A expectativa é que o e-commerce continue crescendo até 2030, embora em ritmo mais moderado do que o registrado entre 2021 e 2023.
Para a Fiat, portanto, o crescimento dos veículos comerciais não depende apenas das entregas geradas pelas compras pela internet. Comércio, serviços, pequenos negócios e grandes frotas continuam formando um mercado amplo, atendido por veículos que vão dos 3 m³ do Fiorino aos furgões de maior capacidade, como o Ducato.

















