Desafios globais estão retardando a transição diesel para combustíveis alternativos que possam acelerar a descarbonização do transporte. Em várias partes do mundo, o setor enfrenta dificuldades para adotar novas fontes de energia. Os principais entraves, já conhecidos, são alto custo dos caminhões, a carência de infraestrutura e incertezas regulatórias. Essa realidade também se reflete entre os transportadores brasileiros.

No início desse mês, a União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU) divulgou uma pesquisa inédita revelando que mais de 70% dos transportadores entrevistados estão preocupados com a descarbonização do setor. O estudo abrangeu operadores na Austrália, Ásia Central, Europa, México e Turquia.
Mais da metade das empresas planeja investir em combustíveis alternativos nos próximos cinco anos dando prioridade para os biocombustíveis. Os veículos elétricos aparecem como segunda opção. Apesar da intenção de compra, 90% dos transportadores planejam adquirir caminhões a diesel no futuro.
O alto custo da transição do diesel e a realidade regional
Todos os entrevistados apontam os custos elevados como o principal desafio na transição do diesel para combustíveis alternativos. Esse impacto pesa ainda mais sobre as pequenas e médias empresas, que representam 86% dos transportadores ouvidos nas diferentes regiões do mundo.
Além disso, os transportadores citam também a falta de infraestrutura e a incerteza regulatória como obstáculos adicionais. O secretário-geral da IRU, Umberto de Pretto, alerta que as empresas dificilmente conseguirão comprar e operar veículos movidos a combustíveis alternativos enquanto as barreiras de custo e infraestrutura não forem superadas. Segundo ele, as dificuldades se intensificam justamente entre as pequenas e médias empresas, as quais são responsáveis por mais de 80% das operadoras de transporte no mundo.

Da mesma forma, na Ásia Central a metade das empresas relata obstáculos na aquisição de veículos com combustíveis alternativos. Já na Europa, 60% dos transportadores do continente apontam a ausência de infraestrutura pública de recarga como o maior entrave.
Além disso, outro desafio é a resistência dos clientes em arcar com custos adicionais. De acordo com o estudo, por exemplo, 67% dos transportadores na Austrália e 58% na Europa não conseguem repassar os investimentos em veículos e energia mais limpos para os embarcadores.
Por fim, o relatório ainda analisou a eficiência de motoristas, veículos e redes logísticas. Diante desse cenário, a IRU conclui que os governos precisam criar condições favoráveis, como incentivos financeiros e políticas claras, para acelerar a transição energética sem comprometer a continuidade dos serviços essenciais.
Transição do diesel: desafios do transporte no Brasil
Embora não tenha sido citado na pesquisa da IRU, o Brasil enfrenta obstáculos idênticos para a transição energética. A troca de caminhões a diesel por modelos movidos a combustíveis alternativos ou eletricidade ainda têm muitas barreiras a serem superadas.
Vale lembrar que o País se sobressai pelas diferentes alternativas energéticas, embora esteja ainda na fase inicial da transição. Apesar interesse por soluções que reduzem emissões e custos, os transportadores apontam dificuldades que tornam o processo mais lento.

Os caminhões a gás e elétricos ainda custam mais que os modelos a diesel. Além disso, os transportadores enfrentam a falta de infraestrutura de abastecimento, tanto de gás natural veicular (GNV) quanto de energia elétrica. A isso se soma a escassez de estações de recarga elétrica para rotas de longa distância.
Outro ponto é tempo de recarga das baterias, que também limita a operação. Por fim, a incerteza sobre o valor de revenda e a falta de previsibilidade quanto à depreciação dos veículos comerciais a gás ou elétricos também são barreiras a esse mercado.

















