A transição para combustíveis renováveis ganhou força no Mato Grosso do Sul, e a PB Lopes, concessionária Scania com unidades em Campo Grande, Dourados e Três Lagoas, assumiu o protagonismo nesse movimento. A empresa promove eventos, aproxima governo, transportadores, distribuidoras e produtores de biometano para estimular a adoção dos caminhões movidos a gás.
Segundo o gerente-geral da Scania PB Lopes Campo Grande, Fábio Rezende, o Estado reúne características únicas para liderar essa transformação.
“O Mato Grosso do Sul é essencialmente agro. Temos abundância de resíduos agrícolas, de confinamentos e da indústria sucroenergética, que podem gerar biometano. Esse caminho não tem volta”, afirma.
Além disso, os motores a gás da Scania operam tanto com gás natural quanto com biometano. Assim, facilita a migração para um combustível totalmente renovável quando a produção local ganhar escala.
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Incentivos estaduais fortalecem a competitividade
O governo de Mato Grosso do Sul saiu na frente ao incentivar a tecnologia. Em 2023, o Estado tornou-se o primeiro do Brasil a isentar IPVA dos veículos movidos a gás. Ao mesmo tempo, reduziu a carga tributária sobre o combustível por meio da diminuição do ICMS.
Como resultado, o preço do gás no Estado gira em torno de R$ 2,90 por metro cúbico. Enquanto a média nacional permanece próxima de R$ 3,30.

Consequentemente, o custo total da operação (TCO) torna-se bastante competitivo em relação ao diesel. Sobretudo em um cenário de alta internacional do combustível fóssil.
“O motorista deixa de olhar apenas para a pauta ESG. Quando o gás fica abaixo de R$ 3 por metro cúbico, ele passa a fazer sentido economicamente”, explica Rezende.
Além dos incentivos estaduais, linhas de financiamento classificadas como crédito verde oferecem juros reduzidos para aquisição dos veículos a gás, o que aumenta ainda mais a atratividade da tecnologia.
Biometano amplia economia e sustentabilidade
Na avaliação da PB Lopes, o gás natural representa apenas a porta de entrada para uma mudança ainda maior. O objetivo consiste em ampliar a produção de biometano a partir de resíduos orgânicos, vinhaça da cana-de-açúcar, dejetos da pecuária e outros subprodutos do agronegócio.
Segundo Rezende, quando o transportador produz o próprio combustível, a economia operacional pode alcançar aproximadamente 40% em comparação ao diesel.
Além da redução de custos, o processo transforma resíduos em energia limpa. E fortalece a economia circular dentro das propriedades rurais e das indústrias.
Infraestrutura ainda limita a expansão
Apesar das vantagens econômicas e ambientais, a expansão da frota enfrenta um obstáculo importante que é a falta de postos de abastecimento nas rodovias.
Hoje, Mato Grosso do Sul conta com o gasoduto que transporta gás natural da Bolívia e atravessa praticamente todo o Estado. Entretanto, a distribuição para o transporte rodoviário ainda depende da instalação de novos pontos de abastecimento.
Segundo o executivo, a MSGás trabalha para reduzir o investimento necessário para implantação desses postos, que atualmente varia entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões.
“O transportador quer comprar o caminhão. Mas pergunta onde vai abastecer. Esse ainda é o principal desafio”, resume.
Enquanto isso, São Paulo e Paraná já oferecem uma infraestrutura mais consolidada, permitindo viagens de longa distância com caminhões a gás.
Eventos da concessionária Scania aproximam toda a cadeia
Todavia, para acelerar essa mudança cultural, a PB Lopes promove encontros que reúnem governo estadual, distribuidoras de gás, especialistas, produtores de biometano e transportadores.
Durante um dos eventos realizados neste ano, a concessionária levou o governador de Mato Grosso do Sul, representantes da MSGás e especialistas do setor para apresentar os benefícios econômicos e ambientais da tecnologia. A estratégia busca reduzir a resistência natural do mercado em abandonar o diesel.
“Nosso maior trabalho hoje é vencer a cultura do diesel. Quando o cliente conhece o produto, ele se entusiasma. Depois surgem as dúvidas sobre abastecimento, e é justamente nisso que estamos trabalhando”, afirma Rezende.
Ônibus e coleta de resíduos podem acelerar a demanda
Do mesmo modo, a PB Lopes também identifica oportunidades importantes no transporte urbano.
Atualmente, caminhões a gás já operam na coleta de resíduos em Campo Grande. Paralelamente, empresas do setor estudam implantar unidades de produção de biometano a partir dos próprios resíduos coletados.
Além disso, negociações envolvendo o transporte coletivo podem abrir espaço para a chegada de ônibus urbanos movidos a gás, aproveitando o compromisso da MSGás de levar a infraestrutura diretamente às garagens das operadoras. Outra frente promissora envolve os ônibus de fretamento utilizados pelas indústrias de celulose e pelas usinas sucroenergéticas da região.
Mudança de mercado deve ganhar força até 2027
Embora a frota de caminhões a gás Scania ainda seja pequena em Mato Grosso do Sul, Rezende acredita que o cenário mudará rapidamente. Para ele, o amadurecimento da infraestrutura e o avanço da produção de biometano devem consolidar o Estado como uma das principais referências nacionais em transporte sustentável.
“Acredito que vamos virar essa chave em 2027. O Estado reúne todos os elementos necessários para liderar essa transformação. Agora precisamos completar a infraestrutura para abastecimento”, conclui.

















