A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) teme ainda mais impactos nos custos operacionais do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) no Brasil. Especialmente aqueles relacionados ao preço do diesel, um dos principais insumos da atividade e que já teve aumento superior a 10%.
Isso ocorre porque desde o início de 2026, o setor passou a conviver com novos fatores de pressão sobre o combustível. Nesse sentido, o primeiro deles é o aumento do ICMS nacional sobre o diesel que entrou em vigor em 1º de janeiro, elevando a carga tributária do combustível. Com a mudança, o imposto passou a representar aproximadamente R$ 0,05 por litro, ampliando os custos operacionais das empresas transportadoras.
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Fator Oriente Médio
Além disso, o cenário internacional trouxe novas incertezas. Em março, tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo o Irã e a região estratégica do Estreito de Ormuz, passaram a provocar instabilidade no mercado global de energia. Como consequência, os custos de importação de combustíveis aumentaram e pressionaram os preços no mercado brasileiro.
Dessa forma, de acordo com indicativos do setor, o diesel S10 já registra aumento próximo de 10% nas distribuidoras, o que representa cerca de R$ 0,60 por litro. A expectativa, segundo agentes do mercado, indica possibilidade de novas altas caso o cenário internacional permaneça instável.
Diesel representa até 35% do custo do frete
O impacto para o transporte rodoviário de cargas tende a ser imediato. Isso ocorre porque o diesel representa, em média, cerca de 35% do custo do frete, tornando-se o principal componente da estrutura operacional das transportadoras.
Como resultado, qualquer variação no preço do combustível altera o equilíbrio econômico das operações. Conforme a entidade, transportadoras precisam revisar contratos, recalcular tabelas de frete e, em muitos casos, negociar repasses com embarcadores para manter a sustentabilidade financeira das atividades.

Ao mesmo tempo, o aumento do diesel tende a gerar reflexos em toda a cadeia logística. Afinal, o transporte rodoviário responde por mais de 60% da movimentação de cargas no Brasil. O que significa que oscilações nos custos logísticos acabam chegando ao preço final de diversos produtos. Ou seja, o consumidor final pode pagar a conta.
Setor reforça uso do gatilho do diesel
Diante desse cenário, entidades do setor defendem a aplicação de mecanismos de recomposição de frete. Entre eles está o chamado “gatilho do diesel”, cláusula contratual que permite reajustes automáticos quando o combustível ultrapassa determinados patamares de preço.
Segundo a NTC&Logística, o acompanhamento constante dos custos operacionais tornou-se fundamental neste momento. A entidade também reforça que transportadoras precisam adotar mecanismos de atualização imediata do frete para preservar a sustentabilidade das operações e garantir a continuidade dos serviços logísticos no País.
Dados recentes mostram pressão gradual no preço
Atualizações mais recentes do mercado indicam que o movimento de alta começou a aparecer gradualmente nas bombas. Levantamentos semanais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram tendência de elevação em algumas regiões, especialmente no diesel S10 utilizado pela maior parte da frota de caminhões mais moderna.
Além disso, analistas do setor de energia apontam três fatores que podem manter a pressão sobre o combustível nos próximos meses, instabilidade geopolítica no Oriente Médio, volatilidade do petróleo no mercado internacional e dependência parcial de importação de diesel pelo Brasil.
Caso o cenário persista, o transporte rodoviário de cargas pode enfrentar um novo ciclo de reajustes de frete ao longo de 2026.















