Gestão baseada em dados vai definir a logística em 2026, diz Geotab

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O transporte de cargas deve entrar em 2026 sob um novo paradigma de gestão. Nesse sentido, a combinação entre dados confiáveis, inteligência artificial e análise em tempo real tende a ganhar protagonismo em um setor cada vez mais pressionado por custos altos, margens estreitas e maior exigência por eficiência logística. A projeção é da Geotab, líder global em soluções de gestão de frotas e veículos conectados.

Assim, nesse cenário, a simples coleta de informações deixa de ser suficiente. A capacidade de transformar grandes volumes de dados operacionais em previsibilidade passa a ser o verdadeiro diferencial competitivo. Especialmente em operações de transporte rodoviário de cargas, nas quais qualquer parada não programada impacta diretamente custos, nível de serviço e confiabilidade logística.

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A análise da Geotab indica que o setor vai operar em um ambiente mais complexo ao longo do ano. Marcado por aumento da demanda, maior concorrência entre operadores e necessidade de extrair o máximo desempenho dos ativos já em circulação.

Dessa forma, decisões baseadas em dados, apoiadas por inteligência artificial, tendem a migrar do campo tático para o estratégico. Assim, influenciando desde o planejamento de rotas até a renovação e diversificação das frotas.

Dados e IA como eixo da previsibilidade logística

Para Neil Cawse, fundador e CEO da Geotab, o avanço da gestão baseada em dados exige uma mudança cultural nas empresas de transporte. Em vez de enxergar a inteligência artificial apenas como uma ferramenta pontual, o executivo defende que ela passe a atuar como um verdadeiro parceiro operacional.

“Tratar a IA como um parceiro operacional, apoiado por dados confiáveis, é o que vai diferenciar as organizações que lideram o mercado das demais, em um ambiente cada vez mais complexo. Mudanças e rupturas nunca acontecem sem atrito. Mas quem tende a sair na frente são as empresas que avançam apesar desse desconforto”, afirma Cawse.

Estudos internacionais reforçam essa visão. Nesse sentido, um relatório da consultoria Deloitte aponta que modelos analíticos aplicados à manutenção preditiva já conseguem antecipar cerca de 92% das falhas que afetam a disponibilidade dos veículos. Na prática, esse nível de previsibilidade reduz paradas não programadas. Do mesmo modo, melhora o aproveitamento da frota e contribui para uma logística mais confiável e eficiente.

Consequentemente, a manutenção deixa de ser reativa e passa a integrar o planejamento operacional. A leitura antecipada de falhas permite organizar janelas de manutenção, ajustar escalas e minimizar impactos na cadeia logística, algo cada vez mais relevante em operações de longa distância e alto giro.

Transição energética avança, mas impõe escolhas estratégicas

Gestão baseada em dados deve redefinir a logística do transporte de cargas em 2026
Em um cenário de margens pressionadas, a leitura  aprofundada dos dados de frota passa a sustentar decisões estratégicas na logística 

Outro vetor que deve ganhar força em 2026 é a transição energética no transporte de cargas. Embora o movimento avance de forma gradual, ele já impõe desafios relevantes para gestores de frotas. Sobretudo quando o custo total de propriedade segue como fator decisivo para a viabilidade das operações.

De acordo com dados da Deloitte citados pela Geotab, as baterias representam atualmente cerca de 33% do valor total de um veículo elétrico. Esse percentual deve cair para aproximadamente 19% até o fim da década. Essa tendência sinaliza uma redução gradual de custos. Mas ainda exige análises criteriosas sobre perfil de rotas, infraestrutura disponível e retorno sobre o investimento.

Além disso, o setor caminha para um cenário de frotas híbridas do ponto de vista tecnológico. Veículos elétricos, híbridos e a combustão devem conviver por mais tempo nas mesmas operações, o que amplia a complexidade da gestão logística. Cada matriz energética apresenta ciclos de manutenção, autonomia e custos distintos. O que vai exigir decisões cada vez mais baseadas em dados e simulações operacionais.

Brasil enfrenta desafios adicionais na logística de cargas

No contexto brasileiro, essas transformações ganham contornos ainda mais desafiadores. Custos operacionais elevados, infraestrutura desigual e condições variáveis de rodovias ampliam a pressão sobre transportadores e operadores logísticos.

Para Eduardo Canicoba, vice-presidente da Geotab no Brasil, o diferencial competitivo não está apenas na adoção de novas tecnologias, mas na capacidade de extrair valor real delas no dia a dia. Segundo o executivo, a integração entre telemetria, videotelemetria e inteligência artificial permite ampliar a previsibilidade operacional, reduzir riscos e sustentar ganhos consistentes de eficiência.

Nesse sentido, dados em tempo real passam a orientar decisões críticas. Como ajuste de rotas, comportamento do motorista, consumo de combustível e disponibilidade dos veículos. Ao mesmo tempo, a visibilidade contínua da operação contribui para reduzir acidentes, otimizar custos e melhorar o nível de serviço ao cliente final, pontos-chave para a competitividade logística.

Inteligência artificial entra na rotina do planejamento

Entre as projeções da Geotab para 2026, a consolidação da inteligência artificial nas rotinas de planejamento e análise se destaca como um dos movimentos mais relevantes. Segundo a Deloitte, 43% das organizações públicas analisadas já utilizam IA em atividades ligadas ao planejamento e à análise de sistemas de transporte, sinalizando a transição da tecnologia para usos mais estruturados.

À medida que dados de telemetria e videotelemetria ganham escala e confiabilidade, a IA passa a apoiar decisões recorrentes relacionadas à manutenção, segurança e utilização dos ativos. No Brasil, esse avanço já começa a se refletir na adoção de assistentes baseados em IA generativa voltados à gestão de frotas, como o Geotab Ace.

Dados em tempo real sustentam decisões em ambientes complexos

Por fim, a Geotab avalia que, em 2026, o diferencial competitivo no transporte de cargas estará menos ligado à adoção isolada de tecnologias e mais à capacidade de integrar dados confiáveis, visibilidade operacional e análise contínua. Em um ambiente logístico cada vez mais complexo, decisões sustentadas por informações em tempo real tendem a substituir iniciativas experimentais ou intuitivas.

Assim, frotas que conseguirem transformar dados em ações práticas estarão mais bem preparadas para sustentar eficiência, reduzir riscos e enfrentar os desafios do transporte de cargas ao longo do próximo ano.