Os transportadores autônomos de cargas (TACs) consolidaram, em 2025, um papel central na logística brasileira. Segundo estudo da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), a categoria movimentou 204,6 milhões de toneladas em todo o País, ao passo que realizou 13,9 milhões de viagens e emitiu 17,8 milhões de MDFes com base em dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Além disso, o volume transportado cresceu ao longo do segundo semestre, sobretudo em agosto, julho e setembro. Ou seja, meses que concentraram os maiores picos de demanda e também o maior número de autônomos em operação.
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Por outro lado, embora os números reforcem a relevância dos TACs, o estudo evidencia entraves estruturais importantes. Um deles aparece na baixa eficiência logística. Afinal, os caminhões rodaram 10,9 bilhões de quilômetros vazios, o que corresponde a 35,5% da distância total percorrida.
Agronegócio puxa demanda pelos transportadores autônomos
No recorte por tipo de carga, o agronegócio lidera com folga. Entre os volumes identificados, a soja responde por 15,4%, seguida por milho, cimento, fertilizantes e farelo de soja. Ainda assim, chama atenção o fato de que 53,4% das cargas transportadas não possuem identificação nos MDFes, embora esse cenário tenha começado a melhorar a partir de outubro com mudanças no preenchimento dos documentos.
Ao mesmo tempo, a geografia do transporte confirma a concentração econômica do País. São Paulo lidera tanto na origem quanto no destino das cargas, seguido por estados como Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso, o que reforça os principais corredores logísticos nacionais.
Frota envelhecida pressiona custos e emissões

Enquanto o volume transportado cresce, a qualidade da frota segue como ponto crítico. A idade média dos veículos chegou a 19,8 anos em 2025, com mais da metade das operações realizadas por caminhões acima de 16 anos.
Consequentemente, esse envelhecimento impacta diretamente os custos operacionais, o consumo de combustível e também o desempenho ambiental. Não por acaso, a operação dos autônomos gerou uma estimativa de 6,29 milhões de toneladas de CO₂ equivalente ao longo do ano.
Além disso, a predominância de cavalos mecânicos, responsáveis por 44% dos MDFes, indica forte atuação em operações de longa distância. Enquanto caminhões menores ampliam presença em regiões urbanas e cargas fracionadas.
Vale destacar que, em 30 de abril, durante o lançamento do programa Move Brasil 2, o presidente Lula cobrou das instituições financeiras maior sensibilidade com os transportadores autônomos, ao defender a ampliação e a facilitação do acesso ao crédito para a renovação da frota.
Entrada tardia e pouca renovação preocupam
Ademais, no perfil dos profissionais, o estudo mostra que a entrada na atividade continua tardia. Em 2025, a média de idade dos novos TACs ficou em 42 anos. Enquanto a média geral da categoria chega a 46 anos.
Segundo o presidente da CNTA, Diumar Bueno, muitos profissionais migram de outras atividades ou do regime CLT e só conseguem adquirir um caminhão em fases mais avançadas da vida econômica.
Porém, a baixa presença de jovens com menos de 25 anos indica barreiras relevantes. Como o alto custo de aquisição, dificuldades de crédito e condições operacionais adversas.
Ao mesmo tempo, os dados revelam outro movimento. Ou seja, 94,8% dos novos autônomos entraram no mercado com apenas um veículo. O que sugere menor capacidade de investimento inicial e operações mais limitadas.
Participação feminina avança, mas ainda é minoritária
Apesar dos desafios, há sinais de mudança no perfil da categoria. Em 2025, as mulheres representaram 16,3% dos novos registros de TACs. Trata-se do maior percentual já registrado, superando a média atual de 10,7%.
Esse avanço indica uma abertura gradual do setor, ainda que a participação feminina permaneça minoritária no transporte rodoviário de cargas.
Monitoramento contínuo e desafios à frente
Diante desse cenário, a CNTA anuncia que passará a divulgar levantamentos trimestrais a partir de 2026. A proposta inclui comparativos históricos, análises estatísticas e leitura de mercado, com o objetivo de identificar tendências e apoiar políticas para o setor.

















