A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 completa 30 anos e mostra que a malha brasileira finalmente reage. No entanto, essa melhora segue tímida demais diante do rombo acumulado.
Dessa forma, o levantamento avaliou 114.197 quilômetros de rodovias pavimentadas e revela que 37,9% estão em condição Ótima ou Boa (43.301 km). Assim, mostrando um avanço de cinco pontos percentuais sobre 2024. No entanto, 62,1% da infraestrutura ainda está Regular, Ruim ou Péssima (70.896 km), um sinal de deterioração que exige manutenção constante para não virar colapso.
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Melhora aparece, mas Brasil continua preso ao asfalto ruim
Além disso, a extensão Ruim ou Péssima caiu de 26,6% para 19,1%. O que representa 21.804 km em estado crítico. A queda indica alguma resposta dos investimentos recentes, mas não muda o quadro estrutural. Nesse sentido, a própria CNT admite que a melhora acontece “ainda que modestamente”.
Esse avanço interessa ao transportador e ao caminhoneiro, porque reduz risco imediato de colisões e diminui parte dos prejuízos mecânicos. Todavia, não dissolve o gargalo logístico que pressiona o frete, limita a competitividade e encarece o diesel.
Pavimento ruim aumenta custo de combustível, pneu e manutenção
O pavimento segue como maior vilão. Embora 43,5% estejam em condição Ótima ou Boa, a maioria, 56,5% da malha (64.476 km), apresenta defeitos que elevam o custo operacional. Em outras palavras, isso significa mais pneu, mais suspensão, mais paradas e mais consumo de diesel.
Segundo a CNT, a qualidade do pavimento eleva em média 31,2% o custo operacional do transporte rodoviário de cargas.
Contudo, nas rodovias públicas, o impacto sobe para 35,8%, porque 74,9% dos trechos têm defeito. Já nas concedidas, o aumento médio cai para 18,4%, pois apenas 46,7% dos segmentos apresentam algum problema.
Esse desequilíbrio explica a razão de o transporte ficar mais caro no setor público. Do mesmo modo, reforça a urgência de manutenção constante.
R$ 7,2 bilhões em diesel queimado à toa
Ademais, o estudo calcula um desperdício anual de R$ 7,2 bilhões só com consumo extra de diesel, impactado por 1,2 bilhão de litros queimados por causa do pavimento ruim. Essa despesa poderia financiar caminhões elétricos, biocombustíveis ou reflorestamento.
O custo explode porque o Brasil depende do modo rodoviário para tudo. Ou seja, 95% dos passageiros e 65% das cargas se deslocam por rodovias. Dessa forma, sem infraestrutura, o Custo Brasil impede competitividade, corrói margem e atrasa transição energética.
697 mil acidentes e R$ 149 bilhões em perdas
Quando a infraestrutura falha, a segurança desaparece. Entre 2016 e julho de 2025, o país registrou 697.435 acidentes em rodovias federais. Assim, registrando um impacto econômico de R$ 149,67 bilhões entre carga perdida, danos a veículos, atendimentos médicos e efeitos sociais.
A CNT lembra que o pavimento é só parte do problema. Ou seja, sinalização ruim, acostamento inexistente e curvas inseguras ampliam o risco.
Concessões reagem, mas não substituem o investimento público
A queda de trechos ruins tem ligação direta com o setor privado. A CNT mostra que, nas rodovias concedidas, apenas 618 km ficaram classificados como Ruins em 2025, contra 1.609 km em 2024, queda de 61,6%.
Todavia, nas rodovias públicas, a redução também aparece. Mas menos agressiva, de 21.630 km para 16.594 km, queda de 23,3%.
Mesmo assim, a iniciativa privada cobre só 30 mil km. Enquanto o restante depende do orçamento federal, que historicamente não acompanha a demanda.
Brasil investe só 21% do necessário
Além disso, a CNT estima que o Brasil precisa de R$ 101,10 bilhões para reconstrução, restauração e manutenção das vias. Sendo R$ 67 bilhões em ações emergenciais.
No entanto, os investimentos médios anuais da União entre 2016 e 2024 ficaram em R$ 10,7 bilhões. O que representa apenas 21,4% do necessário para recuperar as rodovias federais sob gestão pública. Ou seja, o país prolonga o problema e paga cada ano mais caro.
Melhores e piores rodovias por região (Pesquisa CNT 2025)
Melhores (segmentos ≥ 50 km)
| Região | Rodovia / Trecho | UF | Gestão | Evidência |
|---|---|---|---|---|
| Sul | BR-116 – Curitiba–São José dos Pinhais | PR | Concedida | Pavimento + sinalização em padrão ótimo |
| Sul | BR-376 – Curitiba–Ponta Grossa | PR | Concedida | Geometria segura e manutenção alta |
| Sul | BR-101 – Florianópolis–Porto Belo | SC | Concedida | Fluxo turístico, pista dupla conservada |
| Sudeste | SP-348 – Rodovia dos Bandeirantes | SP | Concedida | Consagrada como melhor do Brasil |
| Sudeste | SP-330 – Anhanguera – SP–Campinas | SP | Concedida | Pista, acostamento e sinalização premium |
| Sudeste | BR-050 – Uberaba–Uberlândia | MG | Concedida | Produtiva no agro, fluidez e segurança |
| Nordeste | BR-101 – Paulista–Natal* | PE–RN | Mista | Bom pavimento (fora do Top-10 oficial) |
| CO / Norte | — | — | — | Não há representantes entre os melhores |
Fonte: CNT
Piores (segmentos ≥ 50 km)
| Região | Rodovia / Trecho | UF | Gestão | Evidência |
|---|---|---|---|---|
| Centro-Oeste | BR-364 – Rondonópolis–Cuiabá | MT | Pública | Buracos, erosão, logística agrícola travada |
| Centro-Oeste | BR-163 – Sinop–MS | MT–MS | Pública | Gargalo histórico do grão |
| Norte | BR-230 – Transamazônica – Altamira–Médio Xingu | PA | Pública | Péssimo pavimento, risco operacional |
| Norte | BR-155 – Marabá–Redenção | PA | Pública | Irregularidade grave e erosões |
| Nordeste | BR-316 – Teresina–Médio Parnaíba | PI | Pública | Buracos, baixa conservação |
| Nordeste | BR-407 – Senhor do Bonfim–Juazeiro | BA | Pública | Erosões e falta de acostamento |
| Sudeste | — | — | — | Não aparece entre os 10 piores |
| Sul | — | — | — | Não aparece entre os 10 piores |
Fonte: CNT
















