Um TGX poderoso

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Com a melhoria das estradas e a necessidade de maior eficiência (leia-se velocidade média maior com menor consumo de diesel), cresce a demanda por caminhões potentes. Os 10 pesados mais vendidos no país, quatro são com potência acima dos 400 cv, (veja ranking na página 59). No Brasil, em termos de potência, a Volvo lidera com a oferta do Volvo FH16 750 (importado) e o caminhão à venda mais potente do mundo. A marca ainda se destaca por possuir modelos como FH 540 (4º colocado) e 460 (1º) entre os mais vendidos no segmento.

A Scania conta com o seu R 620 e R 560, a Mercedes-Benz, com o Actros 2655 (551 cv) e o importado Actros 4160 (598 cv). Ainda abaixo da casa dos 500 cv, a MAN também reforça o seu time de potentes com o TGX 29.480 6×4. 

O modelo concorre diretamente com o Volvo FH 500, Scania R 480, Mercedes Actros 2646, Iveco Stralis Hi-Way 800S48TZ e com o DAF 105 460, todos participantes de um seleto grupo chamado de caminhões premium com o nível de acabamento e de equipamentos acima da média do mercado.

A maior novidade no TGX é o seu motor MAN D26 de 6 cilindros e 12,4 litros, com potência de 480 cv alcançada a partir de 1.400 rpm e se mantém até a rotação máxima de 1.900 rpm. O torque é de 245 mkgf. São características técnicas mais do que suficientes para carregar as 57 toneladas de PBTC de um bitrem ou as 74 toneladas de um rodotrem. E para levar tanta potência às rodas, esse MAN conta grande aliado, o câmbio TipMatic de 16 velocidades fabricado pela ZF. 
Além da cabine-leito teto alto, o modelo será ofertado também com cabine-leito de teto baixo. Esta cabine é 28 cm mais baixa que a de teto alto e possui altura interna de 1,66 m. O túnel do motor tem 12 cm de altura. Já a versão de teto alto conta com altura de 1,94 cm. Também oferece uma plataforma maior atrás da cabine, de 84 cm, para maior segurança do motorista em suas atividades sobre o chassi. 

Custo Brasil

Segundo a MAN, a tropicalização do TGX para o Brasil demandou 230 modificações técnicas para adaptá-lo às necessidades do transporte em países emergentes. Em geral, os caminhões para essas condições recebem vários reforços para suportar as estradas buracadas, necessidade que faz os caminhões brasileiros custarem mais caro e serem mais pesados. Isso é mais uma das coisas que entram na conta do chamado “custo Brasil”. As modificações no TGX foram feitas no motor, na caixa de marchas, no eixo traseiro, na suspensão e no chassi. O freio, por exemplo, aqui é a tambor, uma exigência dos transportadores que trafegam em estradas precárias. Na Europa é a disco.

Os competidores

DAF XF105 6×4
Com motor de 460 cv, o DAF é o mais barato entre os concorrentes do MAN TGX. Porém, como a rede de concessionárias ainda está sendo montada (possui 18 pontos até o momento) deve se observar se há assistência técnica nas regiões onde o caminhão vai circular. Como é de uma marca nova no Brasil, ele ainda é desconhecido e não tem um histórico entre os transportadores. Porém, tem boa reputação na Europa.

Iveco Stralis Hi-Way 800S48TZ
O Stralis, apesar de ter um motor de mesma potência que o MAN, tem torque menor, de 229 mkgf de força contra o 245 mkgf do alemão. O sobrenome Hi-Way significa que trata-se um modelo premium e foi eleito caminhão do ano na Europa em 2014. Porém, a versão vendida no Brasil não é tão bem equipada como a europeia. Por exemplo, a tela de multimídia no painel e o sistema de controle de estabilidade foram deixados para trás.

Mercedes-Benz Actros 2646
É uma geração mais antiga do que a do Actros europeu e é menos potente entre esses concorrentes (456 cv), mas o Actros deve ser levado em consideração por todo o seu conjunto de qualidades e equipamentos. São duas versões do 2646 6×4, multiuso rodoviário e estradeiro rodoviário. A principal diferença está no eixo traseiro HL6 sem redução nos cubos para o estradeiro e HL7 com redução nos cubos para o rodoviário.

Scania R 480 6×4
O modelo da marca do grifo é o mais caro da turma, mas bastante desejado entre os motoristas profissionais. O nível de acabamento de equipamentos desse Scania chega próximo ao do concorrente mais top nesse quesito, o Volvo FH. O R 480 6×4 conta com quatro versões variando o eixo traseiro (com ou sem redução nos cubos) e a cabine Highline. O modelo tem controle de tração com item de série.

Volvo FH 500 6×4
O Volvo é o mais atual de todos e segue o mesmo padrão do que é vendido na Europa, com exceção do motor (aqui Euro 5, lá Euro 6). Todos os equipamentos de segurança, conforto e tecnologia oferecidos aos europeus, são também disponibilizados para os brasileiros. Além disso, a sua cabine é a maior do mercado. A versão mais vendida do Volvo é a FH 460. Aliás, é o caminhão do segmento de pesados mais vendido no Brasil.

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Marcos Villela
Jornalista técnico e repórter especial no site e na revista Transporte Mundial. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia e O Debate, ambos de Belo Horizonte (MG).