Vendas de implementos caem 10% em 2026, mas segmento leve sustenta mercado

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A indústria brasileira de implementos rodoviários voltou a apresentar desempenhos distintos entre os segmentos leve e pesado em maio. Enquanto as vendas de carrocerias sobre chassi avançaram na comparação mensal e anual, os reboques e semirreboques seguiram pressionados pelo ambiente econômico e pelas dificuldades de financiamento. O que manteve o mercado total abaixo dos níveis registrados em 2025.

Dessa forma, em maio, a indústria comercializou 11.810 implementos rodoviários, resultado da soma de 6.662 carrocerias sobre chassi e 5.148 reboques e semirreboques. Todavia, no mês anterior, o volume total havia alcançado 11.767 unidades, composto por 6.232 equipamentos do segmento leve e 5.535 do segmento pesado. Assim, o mercado registrou leve alta de 0,4% na passagem de abril para maio.

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Na comparação com maio de 2025, porém, quando os fabricantes venderam 12.490 implementos rodoviários, o setor apresentou retração de 5,4%. Dessa forma, o resultado reflete principalmente a desaceleração do mercado de reboques e semirreboques, que continua sentindo o impacto dos juros elevados e da cautela dos transportadores na renovação de frota.

Segmento leve mantém crescimento

O destaque do mês ficou com as carrocerias sobre chassi. As vendas alcançaram 6.662 unidades em maio, ante 6.232 em abril. O crescimento foi de 6,9% na comparação mensal. Em relação a maio de 2025, quando o setor registrou 6.578 equipamentos, a alta foi de 1,3%.

Segundo o presidente da ANFIR, José Carlos Spricigo, a expansão mostra que as operações logísticas urbanas continuam aquecidas e seguem demandando renovação e ampliação de frota. O avanço do comércio eletrônico, das entregas urbanas e da distribuição regional ajuda a explicar o desempenho positivo do segmento.

Pesados seguem em marcha lenta

Vendas de implementos caem 10% em 2026, mas segmento leve sustenta mercado
Com mais de 54 mil implementos vendidos entre janeiro e maio, o setor busca reverter a queda de 10% registrada em 2026

Em sentido contrário, o segmento de reboques e semirreboques encerrou maio com 5.148 unidades vendidas. Ou seja, o volume representa queda de 7,0% em relação às 5.535 comercializadas em abril.

O recuo torna-se ainda mais expressivo quando comparado com maio do ano passado. Na ocasião, os fabricantes emplacaram 5.912 equipamentos, o que significa retração de 12,9% neste ano. De acordo com a ANFIR, as vendas desse segmento dependem mais fortemente de crédito e de condições econômicas favoráveis, fatores que continuam limitando os investimentos dos transportadores.

Acumulado do ano mostra retração de dois dígitos

Seja como for, de janeiro a maio, a indústria de implementos rodoviários comercializou 54.418 unidades, contra 60.492 registradas no mesmo período de 2025. Com isso, o setor acumula retração de 10,04%, equivalente a 6.074 implementos a menos vendidos neste ano.

O segmento de reboques e semirreboques lidera a queda. Nos cinco primeiros meses de 2026, as vendas totalizaram 26.415 unidades, ante 30.301 em igual período do ano passado. O resultado representa redução de 12,82%, ou 3.886 implementos.

Já as carrocerias sobre chassi apresentaram desempenho mais resiliente. O segmento vendeu 28.003 equipamentos entre janeiro e maio, frente a 30.191 unidades registradas no mesmo intervalo de 2025. Como resultado, a retração ficou em 7,25%, equivalente a 2.188 implementos.

Move Brasil chega para estimular investimentos

Diante desse cenário, a ANFIR aposta no programa Move Brasil como ferramenta para estimular os investimentos no transporte rodoviário. A iniciativa disponibiliza R$ 21,2 bilhões em financiamentos com juros de 11,3% ao ano. Além disso, oferece prazo de até 60 meses para empresas e até 120 meses para transportadores autônomos.

A entidade acredita que a inclusão dos implementos rodoviários no programa fortalece o setor e pode contribuir para a retomada das vendas, principalmente entre os reboques e semirreboques. Ainda assim, defende a adoção de novas medidas econômicas para criar um ambiente mais favorável ao crescimento sustentável da indústria e do transporte rodoviário de cargas.