Volvo prevê retração do mercado entre 5% e 10% em 2026

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A Volvo encerrou 2025 consolidando sua posição no mercado brasileiro de caminhões acima de 16 toneladas. A marca alcançou 23% de participação e liderou o segmento de pesados pela sétima vez consecutiva, com 31% de market share. No entanto, a empresa prevê retração do mercado entre 5% e 10% este ano.

O desempenho do ano passado foi sustentado, sobretudo, pelo FH 540, o caminhão pesado mais vendido do País, com 5.403 unidades licenciadas. Ao mesmo tempo, a família VM avançou entre os semipesados. As vendas cresceram 6%, impulsionadas pelo VM 290, que somou 4.320 emplacamentos.

Mesmo em um mercado menor, a fabricante ampliou participação e reforçou presença no ranking nacional de modelos. Segundo Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões, quatro veículos da marca figuraram entre os dez mais vendidos do País: FH 540, FH 460, VM 290 e VM 360. “Mesmo com a retração do segmento de pesados, os clientes continuaram optando pelos nossos caminhões, o que elevou o share ao maior nível da última década”, afirmou.

Pacote tecnológico dos caminhões Volvo

Parte desse desempenho se deve ao pacote tecnológico embarcado na linha FH. Entre os destaques está o i-Torque, sistema que integra motor e transmissão I-Shift e ajusta o torque em tempo real conforme carga, topografia, velocidade e uso do acelerador. A solução, segundo Cavalcanti,  pode reduzir o consumo de combustível em até 3% e passou a integrar a linha FH 2026.

Além disso, os veículos incorporaram novos recursos de segurança e conectividade, como sensores laterais podem intervir automaticamente em situações de risco urbano. Já a função Safe Zone, do Volvo Connect, por sua vez, limita a velocidade em áreas previamente definidas pelo operador.

No segmento vocacional, a Volvo manteve liderança nas aplicações fora de estrada. A empresa destacou o crescimento do VMX, impulsionado pela adoção do freio retarder em operações severas e pela forte presença em betoneiras e construção civil.

Paralelamente, a área de serviços ganhou peso na receita. As vendas cresceram 10% e a base chegou a 55 mil caminhões cobertos por planos de manutenção. De acordo com Cavalcanti, as soluções conectadas da marca permitem reduzir em até 10% o consumo médio das frotas monitoradas.

Apesar do desempenho operacional em 2025, o presidente do Grupo Volvo América Latina, Wilson Lirmann, projeta retração entre 5% e 10% no mercado de caminhões acima de 16 toneladas. Segundo ele, o cenário macroeconômico exige cautela em 2026.

O executivo reconhece fatores positivos, como emprego elevado, consumo resiliente, safra robusta e inflação em queda. No entanto, aponta pressões sobre a rentabilidade do agronegócio, incertezas típicas de ano eleitoral e preocupações fiscais que mantêm os juros elevados. “A taxa de juros continua sendo um freio importante para o setor”, afirmou.

Novo ciclo de investimento de 2,5 bilhões

Ainda assim, a companhia mantém a estratégia de longo prazo. Lirmann anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões na América Latina para os próximos dois anos. Os recursos serão direcionados a produtos, serviços e rede de atendimento, com foco em segurança, produtividade e descarbonização do transporte.

Embora o mercado possa perder fôlego no curto prazo, a avaliação da empresa indica que a demanda por eficiência operacional e sustentabilidade seguirá orientando investimentos e desenvolvimento tecnológico no setor. Ano passado, a empresa celebrou a produção de 500 mil veículos no Brasil, um marco que reforça o peso estratégico da fábrica de Curitiba/PR dentro da operação global da marca.