Quando um caminhão atende à operação de uma empresa, substituí-lo não é uma tarefa fácil e por mais que um novo equipamento tenha excelentes predicados frente ao antecessor, ainda assim, a fabricante tem de se armar de estratégias para provar isso ao cliente.

O trucado Atron 2324 era o representante da Mercedes-Benz que reinava absoluto em algumas regiões do Nordeste do Brasil, sobretudo entre os pequenos frotistas. Isso durou até o ano de 2016, quando ele e todos os rígidos da família foram descontinuados. A justificativa para sua boa fama era a cabine resistente, além de bicuda, e a mecânica simples, o que facilitava na manutenção depois que o veículo saísse do período de garantia.

Contudo, em 2017, a Mercedes-Benz tratou de introduzir novidades na linha Atego, entre elas, a caixa automatizada na versão 2426 (antes só o Atego 2430 possuía a caixa inteligente). E depois que o empresário passou a conhecer melhor o 2426 na prática, a cultura do bicudo, naturalmente foi dando lugar ao do cara-chata.

O trucado Atego 2426 se mostrou uma opção mais rentável por oferecer maior plataforma de carga, ter o seguro mais barato e uma cabine mais confortável. Quem explica isso é Joseilson de Menezes, conhecido como o Jósa da Batata. Proprietário do Sítio Angelim, o empresário ganhou esse apelido por transportar e vender batatas de Sergipe, precisamente da pequena cidade de Moita Bonita, a 60 km de Aracaju, com destino à Juazeiro, na Bahia. Jósa também é agricultor e, além disso, é o principal comprador de batatas dos pequenos agricultores de sua região.

Ele ainda ressalta que vai aproveitar o momento em que o Atron ainda é bem valorizado para vendê-lo. Hoje uma unidade do bicudo está avaliada em R$ 170 mil, modelo 2016.

“Já com relação ao Atego, a Mercedes-Benz não teve de mandar nenhum vendedor aqui para me convencer que ele é uma opção melhor em comparação ao Atron. O Atron é bom, mas é mais pesado, o que me impede de carregar mais, e hoje o seguro dele está entre 20% e 25% mais caro em relação ao Atego”, conta o empresário.

Em seu melhor momento

Graças a essa nova roupagem, apresentada na Fenatran de 2017, o caminhão está no seu bom momento e ganha posição de destaque perto de alguns de seus concorrentes (veja no final desta reportagem).

Sua cabine é frontal e, mesmo assim, oferece bastante espaço interno, ainda mais se a versão for a leito teto alto – avaliada nessa reportagem. Há ainda a cabine simples, estendida e leito teto baixo.

O Mercedes-Benz Atego também tem um coração experiente. E no quesito manutenção herda as mesmas facilidades, incluindo pós-venda, do Atron, porém, é mais moderno. Com sólida trajetória, o motor MB OM 926 LA chega em plena forma nessa nova geração, mantendo sua arquitetura de 6 cilindros em linha, com 7,2 litros, usando o sistema SCR em que há a necessidade do reagente químico Arla 32. Esse propulsor desenvolve potência 256 cv a 2.200 rpm e torque de 92 mkgf de 1.200 a 1.600 rpm. De série o caminhão traz a caixa manual produzida pela Mercedes, a G-85 de 6 velocidades.

A força do motor também é um atributo que o empresário elogia, já que todas as segundas-feiras ele viaja dirigindo o caminhão até a Bahia.

Pelos trechos urbanos a uma velocidade de 36 km/h, em 6ª marcha (o caminhão é equipado com câmbio manual), a rotação do motor não passava de 1.100 rpm. Contudo, ao acessar a rodovia, rapidamente o modelo avaçou para 80 km/h, porém, a 1.500 rpm, deixando ainda uma boa folga ao seu limite máximo da faixa verde.

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