O primeiro balanço divulgado pelo BNDES mostra que a renovação da frota de caminhões está em pleno ritmo nesse início de 2026. Assim, apenas em janeiro, o Banco aprovou R$ 1,3 bilhão em financiamentos para veículos novos e seminovos dentro programa Move Brasil com ticket médio de R$ 1,1 milhão. O volume, distribuído em 1.152 operações em 532 municípios, confirma que o programa avançou mais rápido do que o governo projetava.
Segundo o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, a procura reagiu imediatamente às condições financeiras mais competitivas. “A demanda cresceu muito. O juro inicialmente estava entre 22% e 24% ao ano. Quando ajustamos para 13% a 14%, com seis meses de carência e cinco anos para pagar, o programa ganhou velocidade”, afirma.
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Além disso, o uso de 80% de garantia pelo fundo garantidor ampliou o acesso ao crédito para autônomos e caminhoneiros com menor capacidade de colateral. O que ajudou a desconcentrar a operação.
“Estamos financiando caminhão novo e seminovo. Isso é essencial porque muitos motoristas não conseguem migrar direto para um zero-quilômetro. Assim, você renova toda a cadeia”, diz Alckmin.

Demanda reprimida e safra recorde reforçam reação da indústria
O impacto do programa já aparece nas expectativas do Governo. Questionado pela Transporte Mundial sobre projeções de que o programa pode adicionar 6 mil caminhões a mais no mercado em 2026, Geraldo Alckmin considerou o número conservador.
“Pode vender mais”, afirma o vice-presidente. Ele explica que a demanda por transporte cresce por duas razões, safra agrícola recorde, com avanço de 17%, e exportações e importações também em patamar histórico. “Essa carga precisa chegar aos portos. A logística cresce e o transporte cresce junto”, analisa.
Com maior previsibilidade de crédito e juro mais baixo, o setor avalia um cenário mais firme de produção. Além disso, o governo lembra que o Brasil abriga uma das maiores indústrias de caminhões do mundo. O que permite que estímulos de curto prazo produzam efeito industrial rápido.
Governo prepara caminho para tornar a renovação de frota permanente
Embora a Medida Provisória 1.328 tenha validade inicial até abril, Alckmin admite que o governo já trabalha para transformar o modelo em política contínua. “A frota brasileira envelheceu. O objetivo é retirá-la gradualmente das estradas e substituí-la por veículos mais seguros e menos poluentes”, diz.
Vale lembrar que o programa tem R$ 10 bilhões reservados. Sendo R$ 6 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 4 bilhões captados a mercado pelo BNDES, com limite individual de R$ 50 milhões por beneficiário. Dessa forma, do total, R$ 1 bilhão é exclusivo para autônomos e cooperados, o que reforça o caráter social da iniciativa.
Além disso, o governo avalia ajustes complementares para reduzir entraves de formação de motoristas profissionais. Alckmin cita que, em alguns estados, tirar a CNH profissional custa até R$ 4 mil, o que limita o ingresso de novos trabalhadores. Para ele, modernizar processos e custos da habilitação é parte da agenda de competitividade do setor.
















