O primeiro Hub de Soluções Digitais da ZF na América do Sul, inaugurado no fim de 2025 em Campinas (SP), busca integrar equipes, atrair talentos e acelerar projetos ligados a dados, conectividade e eficiência. Embora a Alemanha concentre grande parte das operações, o Brasil entrou no mapa estratégico ao lado de Irlanda, Espanha, Polônia e República Tcheca.
A escolha por Campinas se explica pela combinação de universidades, mão de obra qualificada e ecossistema tecnológico. Além disso, o aftermarket regional exige respostas rápidas e adaptação local de soluções criadas fora do país.
Segundo Maurício Paguaga, gerente sênior de soluções digitais da ZF Aftermarket América do Sul, o escritório reúne times antes dispersos por Sorocaba, Itu e Sumaré, criando um ambiente híbrido e colaborativo. Assim, a empresa fortalece trocas diárias entre áreas de negócio e desenvolvimento, com foco nas demandas sul-americanas.
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Software para reduzir perdas
Com a digitalização do aftermarket, o hub passa a concentrar projetos como marketplace de peças, gestão de oficinas, diagnósticos automotivos e telemetria para ônibus, caminhões e implementos. Paguaga destaca que, no modelo tradicional, a peça percorre uma cadeia longa até chegar à oficina, o que eleva prazos e erros. Já no marketplace, o mecânico pesquisa a peça, valida a aplicação correta e reduz devoluções — eliminando um gargalo comum como comprar errado e perder tempo na fila.
Telemetria transforma dados em resultado
O segundo pilar mira frotas e parte do princípio de que veículo parado significa prejuízo. Com conectividade, a ZF busca antecipar falhas, fazer diagnósticos à distância, programar manutenção e monitorar pneus. Nos implementos, o potencial é ainda maior. No setor florestal, por exemplo, composições com até 52 pneus exigem controle preciso em vias não pavimentadas. Em testes com fabricantes, o monitoramento elevou em 13% a vida útil dos pneus e gerou 1,5% de economia de combustível apenas com calibração adequada.
Além disso, a obrigatoriedade do freio eletrônico com controle de estabilidade em implementos, em vigor desde 2025, ampliou a base conectada. Como a ZF detém mais de 70% do market share nesses sistemas, o volume de dados deve crescer. Em um caso citado pelo executivo, o payback ocorreu em dois meses com redução de tombamentos.
Dados viram prevenção e treinamento
O hub também transforma informação em ação. Ou seja, identifica alertas, classifica criticidade e orienta o frotista sobre parada imediata ou manutenção programada. Paralelamente, a ZF desenvolve treinamentos baseados em evidências coletadas. Enquanto grandes empresas já reconhecem o retorno financeiro da conectividade, transportadores médios e pequenos ainda veem a tecnologia como custo. Dessa forma, criando um desafio que a ZF pretende enfrentar com casos reais e resultados comprovados.
Eletrificação exige preparo do aftermarket
Com a transição energética, a ZF já permite comparar motores elétricos e diesel na mesma plataforma, facilitando análise de consumo e manutenção. No aftermarket, oficinas terão de lidar com alta tensão e componentes sofisticados. Por isso, o hub investe em diagnósticos, treinamento e logística de peças para acompanhar a eletrificação sem improviso.
No próximo ciclo, após consolidar conectividade e marketplace, a empresa deve ampliar sua atuação em diagnósticos e serviços técnicos para oficinas. A partir do primeiro trimestre de 2026, a ZF promete novas ferramentas voltadas ao reparador, com foco em precisão e redução de tentativas e erros.
















