EUA miram caminhoneiros europeus e oferecem Green Card

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A falta de caminhoneiros virou um problema global e, agora, os Estados Unidos cruzam o Atlântico em busca de solução. Enquanto empresas europeias recorrem a profissionais da Ásia Central e do Sudeste Asiático para manter suas frotas rodando, transportadoras americanas intensificam o recrutamento em vários países da Europa. O movimento marca uma virada histórica em um mercado tradicionalmente fechado a estrangeiros do Velho Continente.

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Escassez nos EUA acelera busca por europeus

Durante décadas, o mercado americano praticamente ignorou motoristas europeus. Muitos profissionais que sonhavam em trabalhar na América do Norte optavam pelo Canadá, onde as regras migratórias sempre foram mais claras e acessíveis. No entanto, o cenário mudou de forma brusca no último ano.

Segundo recrutadores internacionais, a escassez de motoristas nos Estados Unidos disparou após ações mais rígidas do serviço de imigração, o ICE. Como consequência, milhares de caminhoneiros estrangeiros deixaram o país ou passaram a evitar exposição. Algumas estimativas apontam que até 200 mil motoristas desapareceram das estradas americanas. Portanto, o déficit, que já preocupava o setor, ganhou proporções críticas.

Diante desse quadro, empresas americanas decidiram agir. Em vez de esperar mudanças internas, passaram a buscar profissionais no exterior E a Europa entrou no radar.

EUA miram caminhoneiros europeus para enfrentar apagão nas estradas
Mesmo com a política migratória de Donald Trump, transportadores tentam recrutar motoristas europeus

Europa vira novo foco estratégico

Agências de recrutamento intensificaram operações em países como Holanda, Grécia, Alemanha e Polônia. Além disso, transportadoras ampliaram campanhas de informação para explicar salários, benefícios e, principalmente, as possibilidades de residência permanente.

Entretanto, o processo não é simples. Caminhoneiros europeus ainda podem solicitar o visto EB-3, que abre caminho para o Green Card. Porém, o trâmite leva de três a quatro anos e exige uma série de etapas burocráticas. Ou seja, não se trata de solução imediata para a crise americana.

Ao mesmo tempo, políticas adotadas durante o governo de Donald Trump restringiram a contratação de trabalhadores de vários países, especialmente africanos, que antes representavam parte importante da mão de obra recrutada. Assim, empresas que tradicionalmente buscavam profissionais na África redirecionaram esforços para o continente europeu.

Movimento global revela contradições

O fenômeno escancara uma contradição curiosa. Enquanto a Europa enfrenta sua própria escassez e depende de motoristas da Índia, Filipinas e Cazaquistão, os Estados Unidos disputam profissionais europeus para suprir suas necessidades internas. Em outras palavras, o mercado de transporte rodoviário entrou de vez em uma lógica globalizada de talentos.

Por fim, resta uma incógnita. Como estará o cenário político e econômico mundial quando esses motoristas concluírem o longo processo migratório? Em um setor cada vez mais sensível a decisões governamentais, o volante deixou de depender apenas de habilidade e experiência. Agora, também gira conforme a geopolítica.