Iveco e Ford preparam cabine de caminhões com piso mais baixo

2

As cabines dos caminhões rodoviários poderão passar por uma das maiores transformações das últimas décadas. A partir de 2029, novas normas europeias de visibilidade direta exigirão que os motoristas tenham um campo de visão maior ao redor do veículo sem depender de espelhos ou câmeras. Diante desse cenário, fabricantes já aceleram projetos para atender às futuras exigências. Do mesmo modo, elevar os padrões de segurança.

Nesse contexto, Iveco e Ford Trucks trabalham no desenvolvimento de uma nova geração de cabines para os sucessores do S-Way e do F-Max. Segundo informações divulgadas pela imprensa europeia, o projeto conjunto deverá estrear em 2028. Ou seja, justamente um ano antes da entrada em vigor das novas regras.

Dessa forma, a expectativa é que as duas fabricantes utilizem a mesma estrutura básica de cabine, embora cada marca mantenha identidade visual própria e alguns diferenciais de acabamento e tecnologia.

VEJA TAMBÉM:
Caminhões chegam a 39 mil unidades vendidas até maio de 2026
Vendas de implementos caem 10% em 2026, mas segmento leve sustenta o mercado
Na estratégia ESG da West Cargo, infraestrutura freia avanços de gás e elétricos

Novas regras exigem mais visibilidade ao motorista

As mudanças regulatórias estabelecem níveis mínimos de visibilidade direta para diferentes aplicações. Na prática, essas exigências forçam as montadoras a repensar completamente o desenho das cabines. Afinal, quanto menor a altura da posição do motorista em relação ao solo, menor tende a ser o ponto cego ao redor do veículo.

Por isso, diversos especialistas já apontavam há anos que as tradicionais cabines elevadas com três ou quatro degraus poderiam perder espaço na próxima geração de caminhões pesados.

Apenas dois degraus e área envidraçada ampliada

Seja como for, a nova cabine da Iveco e da Ford Trucks terá apenas dois degraus de acesso. Além disso, o projeto prevê uma ampla área envidraçada, ampliando a visão do motorista sobre ciclistas, pedestres e outros veículos.

Embora o foco permaneça no transporte de longa distância, as fabricantes também pretendem ampliar o espaço interno da área de descanso. Dessa forma, os caminhões poderão manter o conforto exigido por operações rodoviárias, mesmo com mudanças estruturais significativas.

Outra possibilidade envolve o uso das chamadas extensões aerodinâmicas de cabine. A legislação europeia permite esse recurso desde que o desenho proporcione ganhos de eficiência energética e segurança.

Fim do piso plano pode voltar ao debate

Entretanto, a adoção de cabines mais baixas levanta uma questão importante para o setor. Muitos especialistas se perguntam se a nova arquitetura poderá comprometer o piso totalmente plano, característica valorizada pelos motoristas em viagens de longa distância.

Caso o posicionamento da cabine fique mais próximo do motor, os fabricantes talvez precisem reintroduzir túneis centrais maiores dentro da cabine. Por outro lado, avanços em engenharia podem permitir soluções capazes de preservar o conforto interno sem abrir mão da visibilidade exigida pela legislação.