A tecnologia Euro 7, nem chegou na Europa, mas já redefine o ritmo de inovação da indústria automotiva e pressiona fabricantes a anteciparem soluções mais eficientes, inclusive no Brasil. Nesse cenário, a BorgWarner já se movimenta para atender à próxima etapa regulatória, inclusive com projetos em andamento voltados para uma fabricante com atuação no País.
De acordo com Melissa Mattedi, diretora-geral da área de Turbo e Thermal Technologies, a Euro 7 não surge como um movimento isolado. Pelo contrário, ela acelera uma transformação que já estava em curso no setor. “Tudo que a gente vê de legislação é para descarbonização, não só eficiência energética. Mas também redução de emissão de poluentes”, afirma.
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Embora a regulamentação tenha sido aprovada na Europa em 2024, sua aplicação ainda não entrou em vigor. E deve ocorrer progressivamente a partir de 2027. Dessa forma, segundo Mattedi, a empresa desenvolve tecnologias alinhadas à nova norma em parceria com montadoras globais. Por essa razão, isso inclui projetos com potencial de aplicação no Brasil.

Trata-se de uma fabricante de caminhões que já é cliente nosso, que está desenvolvendo essa tecnologia na Europa. Por isso, a gente já está desenvolvendo esse projeto no Brasil para entrar em testes.”
A executiva ressalta que esse processo exige tempo e envolve diversas etapas. “Tem os testes de produção, depois os testes de bancada junto com a montadora, depois os testes reais e, por fim, validação com clientes. É uma caminhada”, explica.
Ainda assim, o movimento indica uma antecipação estratégica. Mesmo antes da adoção formal, a indústria já se prepara para atender às futuras exigências.
Evolução dos turbos acompanha nova exigência ambiental
Nesse contexto, os sistemas de turboalimentação seguem como peça-chave para atender às metas de emissões. Melissa destaca que a tecnologia evolui rapidamente, com foco em eficiência e redução de poluentes.
“Os turbos que a gente trouxe para o Euro 6 já são mais eficientes. Mas agora tem uma tecnologia nova, de geometria variável, que traz mais redução de poluentes e mais eficiência energética”, afirma.
Além disso, novas arquiteturas e soluções térmicas ganham espaço, especialmente para garantir o funcionamento ideal dos sistemas em diferentes condições. Com a Euro 7, essa necessidade se intensifica, já que a norma amplia os cenários de teste e uso.
Mercado brasileiro observa e se prepara
Enquanto a Europa avança na regulamentação, o Brasil acompanha o movimento com atenção. Todavia, quando se trata de outras tecnologias de emissões, a executiva acredita que o País seguirá um caminho próprio, como biocombustíveis. Mas não ficará desconectado das tendências globais como o Euro 7 para atender emissões do diesel.
“Eu acredito em opções. Não acho que vai ter uma solução única”, diz. “A gente precisa estar preparado para atender combustão, híbrido e elétrico, porque no final quem decide é o consumidor.”
Nesse sentido, Melissa reforça que a BorgWarner já atua com um portfólio diversificado, que inclui soluções para motores a combustão, sistemas híbridos e aplicações elétricas. A empresa também mantém forte presença no mercado de reposição, especialmente no segmento de pesados.
“O comportamento do frotista mudou. Ele quer o original, porque um caminhão parado é prejuízo”, afirma. “A busca por um turbo original é muito grande.”

















