Mercedes-Benz vê 2026 com “fio de esperança”, diz Jefferson Ferrarez

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A Mercedes-Benz atravessou 2025 desafiando a lógica do mercado brasileiro de caminhões. Em um cenário marcado pela retração da demanda, puxada principalmente pela alta da taxa de juros, a fabricante não apenas resistiu, como cresceu em volume e participação. Enquanto o setor encolheu cerca de 9%, a marca avançou 11% e ganhou mais de quatro pontos percentuais de market share.

Segundo Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing da operação brasileira, o desempenho não foi resultado de um único fator. Ao contrário, a combinação entre renovação de portfólio, estratégia comercial e maior proximidade com os clientes permitiu à empresa ampliar sua base, inclusive com a conquista de novos compradores.

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“Não foi só crescimento orgânico. A gente trouxe clientes novos para dentro da marca, e isso mostra que o caminho que estamos construindo tem potencial para gerar ainda mais resultados”, afirma.

Além disso, a fabricante conseguiu expandir sua atuação em todos os segmentos. Ou seja, dos leves e médios aos extrapesados, incluindo aplicações off-road. Esse avanço ocorreu em paralelo a movimentos estratégicos importantes ao longo de 2024, quando a empresa iniciou a renovação de sua linha, com atualizações no Atego e lançamentos do novo Accelo, além de reforçar sua presença na Fenatran com novos modelos.

Portfólio mais amplo impulsiona resultados

A estratégia de combinar produtos novos com versões já consolidadas no mercado se mostrou acertada. De um lado, os lançamentos trouxeram ganhos em tecnologia, capacidade de carga e eficiência operacional. De outro, a manutenção de modelos anteriores como o antigo Accelo permitiu atender clientes mais sensíveis a preço. Especialmente grandes frotistas com contratos de longo prazo.

Dessa forma, esse equilíbrio ajudou a Mercedes-Benz a ampliar participação em segmentos estratégicos. Nesse sentido, o setor de bebidas, por exemplo, teve papel relevante no desempenho, com negócios importantes junto a grandes operadores logísticos. Ao mesmo tempo, áreas como construção civil, agronegócio e mineração mantiveram demanda aquecida, sustentando o crescimento no off-road.

No segmento de leves e médios, o novo Accelo ganhou espaço rapidamente. Embora tenha chegado com preço mais elevado, o modelo passou a oferecer maior capacidade de carga e robustez, fatores que impactam diretamente a produtividade do cliente.

“Ele entrega mais do que a geração anterior. O cliente entendeu que vale investir mais para ter mais disponibilidade e rendimento na operação”, explica Ferrarez.

No entanto, a estratégia incluiu a manutenção da geração anterior para atender perfis específicos de compradores. Ainda assim, a tendência é que essa transição ocorra de forma natural nos próximos anos, com a consolidação da nova linha.

Retorno do Axor reforça presença nos pesados

Ademais, outro movimento importante foi a reintrodução do Mercedes-Benz Axor. O modelo, que havia saído de linha, voltou ao portfólio após forte demanda do mercado. Como resultado, segundo Ferrarez, desde o lançamento, a recepção tem sido positiva, com desempenho acima das expectativas iniciais da fabricante.

A nova geração chega com base mais moderna, derivada da plataforma do Actros, além de melhorias em conforto, ergonomia e dirigibilidade. Assim, a marca conseguiu reforçar sua atuação no segmento de entrada dos extrapesados, oferecendo uma alternativa com menor custo de aquisição.

Esse posicionamento se tornou ainda mais relevante diante do cenário econômico atual. Com juros elevados e pressão sobre o custo operacional, muitos transportadores passaram a priorizar veículos com menor ticket médio, mesmo que abram mão de alguns recursos tecnológicos.

Juros mudam comportamento do cliente

Aliás, a alta da taxa de juros foi o principal fator de impacto no mercado em 2025. O encarecimento do crédito reduziu a capacidade de financiamento e alterou o comportamento de compra dos transportadores. Como consequência, aumentou significativamente o volume de aquisições à vista.

Em um cenário considerado normal, cerca de 60% a 70% das vendas são financiadas. No entanto, no ano passado esse equilíbrio mudou, chegando a momentos em que mais de 50% dos negócios foi fechada sem financiamento. Esse movimento reflete não apenas a busca por evitar juros elevados. Mas também uma postura mais cautelosa por parte dos clientes.

Ainda assim, empresas mais estruturadas continuaram investindo. Frotistas com maior controle financeiro e operacional conseguiram identificar o momento ideal de renovação, equilibrando o aumento do custo de manutenção com o investimento em novos veículos.

Incentivo ao crédito reacende mercado em 2026

Se 2025 foi marcado por retração e cautela, o início de 2026 traz sinais mais positivos. A criação de um programa de incentivo ao crédito, Move Brasil, já começa a movimentar o mercado, ainda que de forma gradual.

Mercedes-Benz vê 2026 com “fio de esperança”, diz Jefferson Ferrarez
Jefferson Ferrarez, da Mercedes-Benz, destaca o crescimento da marca e vê 2026 com expectativa de estabilidade

De acordo com Ferrarez, o programa chegou em um momento crucial, oferecendo uma taxa mais competitiva, ainda alta, mas menos restritiva do que antes. Isso tem levado transportadores de diferentes perfis a retomarem negociações. Assim, buscarem novas oportunidades de investimento

Porém, o movimento não ocorre de forma homogênea. Frotistas médios e grandes, que já vinham monitorando custos e planejando renovações, têm avançado mais rapidamente nas decisões de compra. Já os pequenos operadores ainda analisam com mais cautela, embora também estejam presentes nas consultas.

Ademais, outro efeito esperado é a retomada gradual do financiamento como principal modalidade de aquisição. Revertendo parcialmente o cenário observado no ano anterior.

Perspectiva de estabilidade no ano para a Mercedes-Benz

Apesar do início mais animador, a expectativa para 2026 ainda é de cautela. O consenso dentro da empresa, conforme Jefferson, é que o mercado deve se manter estável em relação a 2025, sem grandes saltos de crescimento. Mas também sem nova retração.

Diversos fatores ainda influenciam esse cenário, como a trajetória da taxa de juros, o comportamento da economia global, o preço das commodities e o ambiente político. Além disso, eventos ao longo do ano, como Fenatran, podem impactar a confiança do transportador e, consequentemente, as decisões de investimento.

Contudo, há espaço para otimismo moderado. A expectativa de queda gradual dos juros ao longo do ano, combinada com a necessidade de renovação da frota, pode sustentar o nível de atividade do setor.