A recente decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros para 14,75% (Selic) começa a repercutir no setor de transporte rodoviário. Embora o corte de 0,25 ponto percentual ainda mantenha o crédito em patamar elevado, executivos e autoridades já identificam sinais de melhora no horizonte. Especialmente com a perspectiva de novas quedas ao longo do segundo semestre.
Nesse sentido, o custo do financiamento, fator central na compra de caminhões, entra novamente no radar das transportadoras, que vinham adiando investimentos diante dos juros elevados. Mas apesar da queda, a taxa ainda está em alta. Mas é uma luz para o setor.
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Juros menores, mais crédito e retomada gradual
Do ponto de vista do governo, a queda da Selic representa um passo importante para reativar o crédito e estimular a economia. O vice-presidente Geraldo Alckmin defende que a redução dos juros tende a ampliar o acesso ao financiamento, especialmente para bens de maior valor, como caminhões.
Além disso, Alckmin reconhece que uma Selic entre 11% e 12% já seria suficiente para reacender o interesse dos transportadores. “Isso já traz esse apetite”, diz. Segundo ele, a combinação de juros menores com programas de incentivo como o Move Brasil pode acelerar a renovação da frota nacional, ainda marcada por veículos com mais de 20 anos de uso.

Custo financeiro ainda limita decisões
Apesar do movimento de queda, o setor mantém cautela. Para Urubatan Helou, fundador e presidente da transportadora Braspress, o nível atual da Selic ainda impõe forte restrição aos investimentos.
“O juro nominal segue extremamente alto. Quando você compara com a margem média de uma transportadora, que gira em torno de 8%, o custo financeiro é muito maior”, afirmou.
Helou reconhece que reduções para a faixa de 11% a 12% aliviam o cenário. Mas não resolvem o problema. “É ruim ainda. Só diminui o tamanho do veneno”, conta.
Indústria vê impacto direto no preço dos caminhões
Na visão da indústria, cada ponto percentual de queda na Selic gera impacto imediato no custo total de aquisição. Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz do Brasil, ressalta que os juros seguem como principal entrave.
“Cada ponto que cai ajuda, mas qualquer taxa acima de dois dígitos ainda é alta”, afirma. Segundo ele, uma pequena variação recente como as taxas praticadas pelo Move Brasil já representa uma economia superior a R$ 100 mil em um caminhão de R$ 700 mil.
Ferrarez aponta que o cenário ideal estaria entre 7% e 8%. Em outras palavras, faixa que permitiria equilibrar as contas dos transportadores e estimular tanto a renovação quanto a ampliação de frota.
Renovação represada e possível virada no segundo semestre
Com juros elevados nos últimos anos, muitas empresas postergaram a troca de veículos. Agora, segundo a indústria, com o Move Brasil parte da demanda atual reflete mais uma “renovação atrasada”, do que uma expansão real.
“Não é antecipação de compra, é atraso. O transportador deveria ter trocado antes. Mas adiou por causa do custo financeiro”, explicou Ferrarez.
Por fim, a expectativa do setor converge para o segundo semestre. Se a Selic continuar em trajetória de queda e se aproximar da faixa de 11% a 12%, o mercado de caminhões pode ganhar tração mais consistente. Sobretudo, se for impulsionado pela combinação de crédito mais acessível e programas governamentais permanentes.

















