O otimismo dos fabricantes de caminhões de poucos dias atrás não combinam com a decisão de paralisar a produção. Havia uma preocupação com a falta de peças, mas o fato é que o colapso no sistema de saúde brasileiro foi o principal fato para as decisões de parar tudo nas fábricas da Volvo, Mercedes-Benz, Volkswagen e Scania. 

A situação é muito grave por falta de confiança nos gestores públicos dos níveis federal, estaduais e municipais. Muito provavelmente, a ordem deve ter vindo das matrizes dessas empresas, pois o mundo todo está preocupado com a falta de gestão do problema, que, lógico, é mundial, mas no Brasil acrescentado por disputadas políticas e ideológica, gerado por uma polarização sem ocorrência em muitos países.

A VWCO (Volkswagen Caminhões e Ônibus), no dia 25, enviou o seguinte comunicado: “Tendo em vista as medidas de contenção da pandemia da Covid-19 tomadas pelas autoridades municipais e estaduais do Rio de Janeiro e de São Paulo, e também em virtude da situação crítica de desabastecimento de peças, interromperá a produção em sua fábrica de Resende (RJ) de 29 de março a 4 de abril”

A Mercedes-Benz enviou comunicado à imprensa informando a interrupção das atividades produtivas das fábricas de veículos comerciais de São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG) no dia 26 de março, com retorno previsto para 5 de abril.

“O nosso intuito, alinhado com o Sindicato dos Metalúrgicos, é contribuir com a redução de circulação de pessoas neste momento crítico no país, administrar a dificuldade de abastecimento de peças e componentes na cadeia de suprimentos, além de atender a antecipação de feriados por parte das autoridades municipais. A partir de 5 de abril, continuando as medidas restritivas para proteção de nossos profissionais, também concederemos férias coletivas para grupos alternados de funcionários produtivos de acordo com o planejamento de nossas fábricas. Assim, teremos um grupo de produção menor mantendo os protocolos de distanciamento, mas continuaremos a atender os nossos clientes com nossos produtos e serviços”, informa a nota à imprensa.

A Rede de Concessionários da marca e suas oficinas permanecerão em funcionamento seguindo todas as medidas preventivas, com exceção daquelas localizadas em estados ou cidades em que há orientação do poder público de interrupção das atividades.

A Volkswagen também paralisou as atividades produtivas no Brasil por causa do avanço da pandemia. A interrupção, que entrará em vigor no dia 24 de março e vai durar 12 dias, vale para todas as suas unidades no país, localizadas nos estados de São Paulo e Paraná.

A companhia explica, em nota à imprensa, que o motivo é o agravamento do número de casos da pandemia e o aumento da taxa de ocupação dos leitos de UTI. “A empresa adota esta medida a fim de preservar a saúde de seus empregados e familiares”, diz o comunicado.

Outra montadora que já suspendeu a maior parte da produção na fábrica de Curitiba/PR, nesta terça-feira, 23/3, foi a Volvo. A empresa informou que as razões da paralisação se devem ao agravamento da pandemia no país, juntamente com a falta de peças, principalmente componentes eletrônicos.

A medida atinge aproximadamente 2 mil funcionários do total de 3,7 mil que trabalham na fábrica da Volvo na capital paranaense e vai durar até o fim deste mês.

Em comunicado, a montadora disse que vai manter “boa parte” do efetivo em atividade, incluindo a linha de montagem de ônibus e uma parte da linha de caminhões – que terá a produção reduzida em 70% -, assim como a distribuição de peças a concessionárias.

Também ontem (22/2) a Scania informou que, após negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, vai paralisar a produção a partir de sexta-feira, 26, até 5 de abril, por causa do agravamento da pandemia. A medida deve atingir a maioria dos 4 mil funcionários da montadora.

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Marcos Villela
Jornalista técnico e repórter especial no site e na revista Transporte Mundial. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia e O Debate, ambos de Belo Horizonte (MG).