Nova fábrica na Argentina reforça estratégia da Mercedes-Benz na AL

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A inauguração da nova fábrica da Mercedes-Benz em Zárate, Argentina, marca um movimento estratégico da Daimler Truck para reforçar sua presença na América Latina. Com investimentos de  110 milhões de dólares, a nova unidade inicia as operações focada em caminhões e ônibus. A planta também amplia a integração industrial entre Brasil e Argentina, hoje considerada um dos pilares da estratégia regional da companhia.

Instalada em uma área de 20 hectares próxima ao porto de Zárate, a nova fábrica inicia produzindo caminhões Atego e Accelo e chassis de ônibus OH e OF. A operação utiliza diversos componentes produzidos pela Mercedes-Benz do Brasil, entre eles cabines, chassis, transmissões e motores Euro 5 vindos da fábrica de São Bernardo do Campo.

A operação começa com um turno de trabalho, mas a expansão dependerá do comportamento da demanda nos próximos anos, afirmou Achim Puchert, CEO da Mercedes-Benz Trucks e membro do Conselho de Administração da Daimler Truck AG.  A capacidade instalada da nova planta é de até 10 mil veículos por ano, somando caminhões e ônibus.

O projeto é visto pela empresa como um passo importante para fortalecer a competitividade regional, especialmente em logística e exportação. Além disso, o complexo abriga um centro logístico de peças e a primeira planta REMAN da Argentina, dedicada à remanufatura de componentes.

Durante a inauguração, Achim Puchert destacou que a América do Sul continua sendo um mercado estratégico para o grupo, tanto pelo potencial de crescimento quanto pela relevância histórica da operação argentina.

Ele também reforçou que a colaboração industrial entre Brasil e Argentina seguirá avançando, com compartilhamento de processos, fornecedores e desenvolvimento de novas parcerias na cadeia regional. Dentro desta estratégia, a planta de Zárate foi concebida justamente para ganhar flexibilidade e incorporar, futuramente, novas tecnologias, incluindo plataformas de eletrificação.

Conexão Brasil – Argentina

De acordo com o presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, Denis Güven, existe uma forte conexão entre as operações do Brasil e da Argentina. Segundo ele, os produtos fabricados no país vizinho são muito próximos dos comercializados no mercado brasileiro. “Isso acontece porque as adaptações necessárias são pequenas. Basicamente, a diferença está relacionada às exigências de emissões Euro 5”, disse.

“A operação da Argentina faz parte da rede global de produção da Daimler Truck. A fábrica mais próxima da Argentina é a São Bernardo do Campo. Como está muito perto, a logística é favorável e conseguimos economizar bastante utilizando componentes vindos do Brasil”, complementou Güven.

Ainda segundo o executivo, São Bernardo do Campo funciona hoje como a “planta mãe” da operação argentina. Ele acrescentou que, no futuro, a companhia poderá utilizar componentes vindos de outras fábricas do grupo ao redor do mundo. Porém, atualmente faz mais sentido concentrar essa integração a partir do Brasil.

Outro ponto central da estratégia envolve o segmento de ônibus. Na visão do Grupo, a demanda por transporte coletivo continua crescendo na América Latina. Esse movimento, destaca Puchen, é impulsionado pela renovação das frotas urbanas e rodoviárias e pela busca por soluções mais eficientes e sustentáveis.

Operação atende também o México

Além do mercado interno argentino, a nova unidade também terá papel exportador. Inicialmente, a operação atenderá o México com envio de ônibus produzidos em Zárate.  Esse movimento tem o objetivo de ampliar a presença regional da marca e reforçar a integração logística entre os países latino-americanos.

A inauguração da nova planta na Argentina também tem peso simbólico para a marca. O país foi o primeiro fora da Alemanha a receber uma fábrica da Mercedes-Benz, com início da produção em 1952, e agora volta ao centro da estratégia industrial do grupo alemão para a região.

A operação envolve cerca de 500 funcionários diretos e mais de 2 mil indiretos. A expectativa é que o novo polo atraia fornecedores e amplie gradualmente a nacionalização de componentes na Argentina, fortalecendo a cadeia automotiva local.