A Volkswagen Caminhões e Ônibus encerrou o primeiro trimestre de 2026 na liderança do mercado ao considerar o Delivery Express, que sozinho chegou a quase 500 unidades vendidas. Assim, ajudou a fabricante a faturar 6.300 unidades no período. Além disso, o desempenho do programa Move Brasil, que injetou crédito mais barato e estimulou a demanda por caminhões no País, ajudou a marca a emplacar boa parte dessas unidades. Ou seja, 3.500 caminhões.
Por outro lado, o início do ano não foi linear, segundo revela Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas e marketing da montadora. Assim, ele informa que em janeiro e fevereiro o mercado registrou queda de cerca de 30% nos emplacamentos.
“Não foi falta de demanda. Foi adaptação ao novo modelo de financiamento”, explica.
Nesse sentido, o mercado operou com atrasos naturais do processo. Ou seja, regulamentação do BNDES, adequação dos bancos e maior complexidade documental. Como resultado, março concentrou os negócios represados e voltou ao patamar próximo de 10 mil unidades.
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Programa do governo teve sucesso imediato

De fato, o Move Brasil cumpriu seu papel ao destravar o mercado. Afinal, com taxa de cerca de 1,05% ao mês, bem abaixo do custo tradicional, o programa financiou boa parte das vendas da marca dentro do universo financiado.
No entanto, o sucesso trouxe um problema relevante. Os R$ 10 bilhões disponibilizados se esgotaram antes do previsto, ainda em março. Assim, o mercado entrou em um novo momento de incerteza.
Assim, de um lado, não há confirmação oficial sobre a continuidade do programa. Por outro, especulações já fazem clientes adiarem compras à espera de novas condições.
Consequentemente, abril inicia com postergação de faturamentos e risco de nova queda nos emplacamentos.
Segundo trimestre começa com indefinição
Seja como for, segundo Ricardo Alouche, atualmente, o setor vive um “vácuo” de financiamento. Sem o subsídio do Move Brasil, as operações voltam a depender de CDC e Finame. Portanto, com taxas bem mais elevadas.
Além disso, o impacto não aparece imediatamente nas vendas. Mas já afeta o ritmo de fechamento de negócios.
“O cliente prefere esperar. Isso empurra o faturamento e reduz o volume do mês”, diz Alouche.
Nesse cenário, a montadora mantém cautela. A projeção segue alinhada à Anfavea, que indica estabilidade ou queda de até 5% no mercado em 2026.
Para o executivo da VWCO, o desempenho do setor dependerá diretamente de fatores externos. Nesse sentido, ele lembra que o mercado acompanha variáveis como custo do diesel, cenário político e até impactos geopolíticos. Cenários que devem pressionar margens dos transportadores e frear investimentos.
Constellation faz 20 anos como pilar de mercado
Mas enquanto o cenário macro traz incertezas, a Volkswagen reforça sua estratégia de produto. Nesse sentido, o Volkswagen Constellation completa 20 anos de lançamento em 2026 e como líder em seu segmento. Em outras palavras, com participação entre 30% e 35% nas principais faixas de atuação entre 16 t e 22 t.

Diferentemente de produtos que envelhecem, o modelo mantém relevância com atualizações constantes. Além disso, a marca apresentou duas novas versões focadas em nichos específicos, ampliando o portfólio sem depender de grandes volumes.
“O cliente pensa primeiro no Constellation. Depois avalia outras opções”, resume o executivo.
Novas tecnologias entre diesel, gás e eletrificação na Volkswagen
Ao mesmo tempo, a montadora avança em soluções alternativas. Hoje, o Constellation já conta com versão a gás/biometano voltada à limpeza urbana e disponível para venda. As primeiras unidades começam a chegar no mercado a partir de agora.
Por outro lado, a eletrificação ainda enfrenta barreiras econômicas. “O custo ainda não se paga sem incentivo externo”, completa Alouche.
Nesse sentido, o gás surge como tecnologia de transição. Enquanto o diesel segue dominante no curto prazo. Além disso, a Volkswagen testa um modelo Meteor híbrido, apresentado na Fenatran de 2024, com foco em operações rodoviárias de longa distância, onde já apresenta ganhos de eficiência energética. Porém, Alouche não confirma para quando será o lançamento dessa versão.

Meteor ganha tração e zera estoques no Move Brasil
Ademais, outro destaque da marca é o Volkswagen Meteor. Impulsionado pelo Move Brasil e por campanhas recentes, o modelo atingiu um novo patamar de demanda. Atualmente, a montadora opera sem estoque, com pedidos já programados para entrega nos próximos meses.
Além disso, segundo Alouche, melhorias no consumo de combustível aumentaram a competitividade do produto.
Fenatran 2026 será de menos espetáculo, mais negócios
Para a Fenatran, a expectativa do executivo é diferente de edições anteriores. Em vez de grandes lançamentos, a feira deve focar em fechamento de negócios. Assim como na consolidação das linhas Euro 6.
Todavia, a sustentabilidade seguirá como tema central, tanto em produtos quanto em serviços. “Será uma Fenatran mais pragmática, menos show e mais resultado”, explica Alouche.
















