Qualidade das rodovias no Norte eleva indenizações do seguro transportador

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Com a quarta maior malha rodoviária do mundo, o Brasil tem 1.720.700 km de rodovias. Todavia, 13.858 km dessas estradas estão no Norte do País sob a administração do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Contudo, a qualidade da malha rodoviária na região vem trazendo impactos. Ou seja, reflete no alto índice de indenizações pagas pelas seguradoras às transportadoras para cobrir prejuízos. Sobretudo causados por acidentes associados à péssima qualidade das estradas.

Nesse sentido, a região Norte detém as estradas com pior estado de conservação do Brasil, de acordo com pesquisa recente da Confederação Nacional de Transportes (CNT). Por isso, foi a que registrou o maior índice de pagamento de indenizações no modal rodoviário do seguro do Transportador Rodoviário de Cargas em 2023.

Um levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostrou que essa modalidade de seguro pagou na região, mais de R$ 17,9 milhões em indenizações entre janeiro e novembro do ano passado. Ou seja, alta de 64% se comparado com o mesmo período de 2022. O pagamento cobre os prejuízos causados aos bens e mercadorias segurados de terceiros durante o seu transporte de carga.

Qualidade das rodovias do Norte

Seja como for, o elevado valor caminha em paralelo com a baixíssima qualidade da malha viária nos sete estados do Norte. Conforme pesquisa da CNT, publicada em janeiro deste ano, o Norte brasileiro tem o maior índice de rodovias com pontos críticos por 100 km.

Dessa forma, o cálculo da densidade (ocorrências identificadas divididas pela extensão pesquisada) é de 6,9. Ou seja, três vezes superior à média nacional, de 2,3. 

Na segmentação por estados, a CNT indica que o Acre, Roraima e Amazonas tiveram os piores índices nacionais. Com 27,8, 11,8 e 11,6, respectivamente.

Em valores absolutos, os estados que mais indenizaram o transportador foram o Pará, com R$ 8,8 milhões e o Tocantins, com R$ 3,5 milhões. Seguido por Rondônia, com R$ 2,9 milhões e o Amazonas, com R$ 2 milhões. Do mesmo modo, Acre (R$ 317,3 mil), Amapá (R$ 234 mil) e Roraima (R$ 49,1 mil) completam a lista.

Na avaliação do vice-presidente da comissão de Transporte da FenSeg, Marcos Siqueira, sem a proteção do seguro, o cenário poderia ser ainda pior.  “A situação crítica das estradas do Norte do País teria um impacto de proporções muito maiores na economia da região se os transportadores locais não contassem com as coberturas do seguro de transporte”, afirma.

Siqueira salienta que este é um dos poucos seguros obrigatórios no País, que conta com a fiscalização da Agência Nacional de Transportes (ANT). “Esse dado apenas confirma o caráter social do seguro no sentido da sua capacidade de garantir a sustentabilidade dos negócios. Evitando a falência desses empreendedores que viabilizam o fornecimento de alimentos e diversos produtos para todos os pontos do país”, acrescenta.