Volkswagen Caminhões avança com diversificação e tecnologias

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O ano de 2025 começou com forte tensão no transporte rodoviário, com juros elevados, inflação persistentemente alta, cenário político conturbado e incertezas externas pressionaram o mercado de caminhões no Brasil. Apesar disso, a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) encontrou brechas importantes para crescer, especialmente nos segmentos de leves e médios, impulsionados pela força da linha Delivery e pelo desempenho consistente do Constellation.

Ao longo do ano, embora o agro tenha recuado de forma expressiva, derrubando o mercado de extrapesados, a marca aproveitou as oportunidades em logística urbana, distribuição de bebidas, construção civil e vocacionais. Nesse ambiente complexo, o Delivery 11.180 consolidou-se como o caminhão mais vendido do País. Enquanto o Constellation manteve sua posição estratégica em múltiplas aplicações.

Agora, com a Selic em tendência de queda, mas ainda alta, a Volkswagen Caminhões projeta um 2026 de retomada gradual. Além disso, aposta em novas soluções tecnológicas, como híbridos, versões a gás e a consolidação do Meteor no extrapesado.

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Nesta entrevista exclusiva à Transporte Mundial, o vice-presidente de vendas e marketing da VWCO, Ricardo Alouche, explica o que esperar da marca e do mercado nos próximos meses.

Um 2025 desafiador, mas com crescimento nos nichos certos

Como você avalia o desempenho da Volkswagen Caminhões e Ônibus em 2025 e quais são as expectativas para 2026?
O ano começou muito desafiador, com juros altos, inflação pressionando e um ambiente político e internacional instável. Mas mesmo assim, nós nos adaptamos rapidamente. Nosso portfólio, que vai de 3 toneladas até 125 toneladas, além da linha completa de ônibus, nos permitiu aproveitar oportunidades. Assim, 2025 acabou sendo um ano muito positivo para a Volkswagen. Os segmentos de leves e médios cresceram cerca de 20% até setembro, impulsionados pelo Delivery e pelo Constellation, que se mantiveram muito fortes.

E o extrapesado?
Esse foi o maior desafio. A combinação de fatores externos e internos, somada ao recorde de safra, achatou o valor da tonelada e aumentou a inadimplência no agro. Isso travou novos financiamentos e retraiu o segmento. No entanto, logística e cargas industriais continuaram estáveis. Por isso, para 2026, vejo um ano melhor que 2025 — ainda difícil, mas com recuperação gradual, inclusive no extrapesado.

Juros altos, alternativas de compra e o papel crescente do consórcio

Com Selic alta, o transportador mudou a forma de adquirir caminhões?
Sim. O financiamento segue essencial, porque o transportador trabalha com parcela mensal fixa. Entretanto, o consórcio explodiu nos últimos anos. Ele oferece juros muito menores que a Selic e que o CDC. Além disso, chamou atenção o número de caminhões pagos “à vista” em 2025, muitas vezes viabilizados por negociação de mercadorias ou ativos. Isso mostra que o mercado busca alternativas.

E o Finame pode voltar a ganhar força?
Com certeza. O Finame já foi mais de 60% das operações. O problema é que hoje sua taxa fica muito próxima do CDC, mas com mais burocracia. Se houver um pequeno incentivo, como redução de spread do BNDES ou dos bancos, o mercado volta imediatamente para o Finame. A Anfavea negocia isso com o governo. Mas ainda sem previsão de curto prazo.

Ano eleitoral, Copa e impactos produtivos

Volkswagen Caminhões amplia foco em produto e tecnologias
Volkswagen Caminhões se destacou nos médios e nos semipesados, especialmente os vocacionais

O cenário eleitoral de 2026 interfere no mercado?
Interfere muito. Normalmente, o primeiro semestre aquece por causa das eleições e, agora, também pela Copa. Já o segundo semestre tende a esfriar porque as empresas esperam definições políticas. Além disso, teremos 13 dias úteis a menos em 2026. Ainda assim, Copa e eleições geram oportunidades em diversos setores, e nós buscamos aproveitá-las.

Delivery: referência absoluta e liderança folgada

O Delivery 11.180 continua com perspectiva de liderança em 2026?
Sem dúvida. O Delivery virou benchmark. Os clientes estão satisfeitos. Ele conquistou o mercado pela confiabilidade, espaço interno, dirigibilidade, silêncio, valor de revenda e robustez. Além disso, terminou 2025 com mais de mil unidades de vantagem sobre o segundo colocado. Isso em um país historicamente dominado por extrapesados.

E como evolui o Delivery Express?
O Express surpreende mês após mês. Ele disputa espaço com veículos derivados de picapes e modelos chineses, mas entrega durabilidade, baixo custo operacional e alto valor de revenda. Grandes empresas de comércio eletrônico e última milha já migraram para o Delivery Express, o que deve fortalecer ainda mais a família.

Volkswagen Constellation: estabilidade e expansão nos vocacionais

A família Constellation ainda tem espaço para crescer?
Sim. Mesmo estabilizada entre 35% e 38% de participação, ela continua cheia de oportunidades. Nós não paramos. Se surge demanda em limpeza urbana, temos solução. Se aparece betoneira, lançamos produto. Nesse sentido, nossos mais novos modelos 8×4 e 6×4 foram apresentados recentemente. Estamos atualizando a família constantemente gama para agregar valor em cada aplicação.

Meteor: da resistência inicial à consolidação e expansão

Como a Volkswagen pretende fortalecer o Meteor em 2026?
O segmento de extrapesados é tradicional e conservador. Quando lançamos o Meteor, tivemos sucesso imediato, mas precisávamos sustentar a imagem. Em seguida, com a campanha com Luan Santana a gente ampliou muito a presença da marca no setor. Agora entramos em uma nova fase. Ou seja, de foco em torre de controle, suporte total de pós-venda, três anos de garantia e contratos de manutenção. Isso gera confiança.

E os resultados já aparecem?
Sim. Mesmo com o mercado em queda, ganhamos cerca de cinco pontos percentuais de participação em 2025. Esse avanço mostra que, quando o segmento reagir, cresceremos com força.

Híbridos, gás e novas tecnologias em teste

O Meteor híbrido é realidade próxima?
Estamos testando. Mostramos o conceito na Fenatran de 2024 e o interesse foi enorme, assim como ocorreu com o Delivery elétrico em 2017. O híbrido tem muito potencial no Brasil porque exige investimento menor que o elétrico e oferece retorno ecológico e financeiro mais rápido. Mas ainda estamos em teste de engenharia.

Volkswagen Caminhões amplia foco em produto e tecnologias
Volkswagen quer fortalecer o caminhão Meteor no País e já testa, ainda em engenharia, modelo híbrido

Quais outras tecnologias avançam na Volkswagen Caminhões?
O Constellation a gás já opera em empresas de limpeza urbana de São Paulo. Ele entrega sustentabilidade com custo menor que o elétrico e se encaixa bem em aplicações urbanas. Isso não substitui o elétrico, mas amplia as alternativas de transição energética. A Volkswagen Caminhões segue firme no elétrico, avança no gás e desenvolve o híbrido para longas distâncias. Cada solução no momento certo.

Ônibus: gás como possibilidade, mas elétrico como prioridade

A Volkswagen vê espaço para ônibus a gás no Brasil?
Como alternativa, sim. Mas no segmento urbano, especialmente em São Paulo, o incentivo ao elétrico permanece muito forte. Portanto, o gás pode surgir em nichos, porém não em larga escala. E é importante lembrar que ter diesel, gás, elétrico e híbrido ao mesmo tempo não é viável para o cliente. Cada segmento vai receber a tecnologia ideal no momento correto.

Exportações e 2026: crescimento na Argentina, México e Chile

Qual é a expectativa de exportação para 2026?
Vamos crescer em relação a 2025, tanto no mercado doméstico quanto nas exportações. A Argentina já cresceu 40% este ano e deve avançar mais. E isso se deve também a nova fábrica na região. O México entrou no Euro 6 em 2025, o que derrubou as vendas inicialmente, mas deve voltar a subir em 2026. O Chile também performa muito bem. Por isso, vemos um cenário positivo para o ano que vem.