O mercado de caminhões iniciou 2026 em forte desaceleração. Em janeiro, foram emplacadas 6.379 unidades, volume 34,6% menor que o de dezembro e 30,14% inferior ao registrado em janeiro de 2025, quando o setor havia vendido 9.131 unidades. Todavia, apesar da queda expressiva, montadoras e concessionários projetam melhora já nos próximos meses.
E isso tem a ver com o Programa Move Brasil que vai injetar R$ 10 bilhões em crédito no primeiro semestre. Como o desempenho do segmento acompanha de perto a atividade econômica, o custo do financiamento e o ritmo do agronegócio, executivos avaliam que a demanda reprimida, sobretudo por caminhões pesados — faixa que representa cerca de 45% do mercado — tende a voltar à superfície conforme o crédito volta a fluir.
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Além disso, o segmento de ônibus também começou o ano com desempenho negativo. Em janeiro, as vendas atingiram 1.675 unidades. Ou seja, resultado 34,29% menor que dezembro e 23,55% abaixo do volume de janeiro de 2025, quando o setor havia somado 2.192 unidades.
Contudo, esse comportamento não surpreende o setor, pois o mercado acompanha ciclos específicos de renovação de frota e depende de investimentos públicos em mobilidade urbana. Assim, a oscilação de janeiro aparece alinhada à dinâmica tradicional do segmento, que concentra compras em períodos determinados por contratos e liberações orçamentárias.

Implementos rodoviários recuam quase 30%
Entre os implementos rodoviários, o ritmo também diminuiu de forma significativa. O setor registrou 4.344 emplacamentos em janeiro, uma queda de 19,79% em relação a dezembro e retração de 29,97% na comparação anual, já que o segmento havia vendido 6.203 unidades no mesmo período de 2025.
A explicação recai sobre uma mudança no comportamento dos transportadores, que vêm direcionando investimentos principalmente para a renovação dos caminhões. Mesmo com o início de ano mais fraco, executivos acreditam que o mercado tende a se estabilizar ao longo de 2026 à medida que a demanda por reboques e semirreboques se reaquece junto com a frota renovada.
Projeções indicam virada ao longo de 2026
Seja como for, apesar da queda generalizada em janeiro, a Fenabrave projeta um ano positivo. A entidade estima que o mercado total de veículos cresça 6,1% em 2026. Para caminhões, a previsão é de um avanço de 3,5%, totalizando 114.752 unidades ao fim do ano.
Já no caso dos ônibus, a expectativa é de crescimento de 3%, alcançando 29.709 unidades. Os implementos rodoviários devem evoluir 2%, chegando a 72.450 unidades. Assim, com crédito direcionado, safra firme e retomada gradual da confiança, o setor espera um 2026 melhor que o desempenho observado no início do ano.















