ZF inicia produção local de módulos eletrônicos de freio

167

A ZF iniciou a produção local de módulos eletrônicos de freio (ECU) para veículos comerciais no Brasil. Fundamental para sistemas como ABS e controle eletrônico de estabilidade (ESC), o componente passa a ser fabricado no complexo industrial de Limeira/SP, onde a empresa já produz módulos eletrônicos para direção, airbags e outros itens de segurança desde 2013

Segundo Caio Fattori, gerente de Gestão de Produto da ZF América do Sul, a nacionalização é resultado da experiência acumulada pela companhia em mais de 12 anos de produção de eletrônicos no País. “Sempre seguimos a estratégia de ‘local para local’. Produzir na região aquilo que é pertinente à região. Dessa forma, a chegada da obrigatoriedade do ESC em 2025 trouxe a oportunidade para nacionalizar esse módulo eletrônico e atender de forma mais competitiva o mercado”, destacou.

Sistema da ZF atende caminhões e Ônibus

Atualmente, a ZF já  fornece o produto para montadoras brasileiras para veículos a partir de 6 toneladas, abrangendo caminhões e ônibus. A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) integra funções como ABS, controle de tração, assistente de partida em rampa e ESC. Este último, por sinal, a legislação brasileira passou a exigir para todos os veículos comerciais pesados e implementos produzidos no Brasil a partir de janeiro de 2025.

Além disso, “dados da pesquisa de 2024 da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que capotamentos, tombamentos e saídas de pista estão entre os principais tipos de acidentes nas rodovias brasileiras. Caminhões e ônibus também figuram nessas estatísticas. “Nesse contexto, tecnologias como o controle de estabilidade têm papel crucial para reduzir esses números e promover um transporte mais seguro”, acrescentou Fattori.

Competitividade e padronização global

A fabricação nacional elimina um gargalo logístico importante. A importação de módulos completos, por exemplo, pode demorar de quatro a cinco meses até chegar às linhas de montagem. Portanto, a produção local encurta significativamente esse prazo. Além disso, reduz custos logísticos, diminui a complexidade da cadeia de suprimentos e aumenta a previsibilidade para novos projetos.

Outro ponto relevante é a padronização global. A ZF trouxe para o País um projeto já consolidado na Europa com a mesma arquitetura de hardware e software. Isso garante compatibilidade com sistemas já homologados no Brasil e novos e demorados processos de validação junto às montadoras.

A nacionalização também aumenta a resiliência em crises, como na falta de semicondutores entre 2021 e 2022. Com a produção local, em caso de escassez, basta importar só alguns componentes menores por via aérea. Isso reduz custos em relação ao transporte de módulos completos.

Pioneirismo da ZF na América do Sul

Com essa iniciativa, a ZF torna-se a primeira empresa a produzir módulos eletrônicos de freio para veículos comerciais na América do Sul. Segundo a empresa, a unidade de Limeira é a única do Brasil dedicada à produção de componentes eletrônicos de segurança automotiva. Desde 2013, a planta  já produziu mais de 8 milhões de unidades.

Segundo Plínio Casante, head da Divisão de Eletrônicos da ZF América do Sul, a produção da ECU para veículos comerciais fez a ZF ampliar e modernizar a operação existente em Limeira. “Incorporamos novos equipamentos de fim de linha totalmente automatizados e testadores de performance com rastreabilidade”, complementa.

A manufatura foi submetida a auditorias internacionais baseadas em normas que resultam na homologação E1. Isso habilita a planta brasileira a fornecer também para Europa, Estados Unidos e Ásia. Durante a validação, os módulos passaram por ensaios de bancada, vibração e rodagem, comprovando a confiabilidade da solução.

Perspectivas e fortalecimento da cadeia

Embora ainda haja alto índice de conteúdo importado, a empresa iniciou um processo gradual de localização de componentes. A lista inclui itens como conectores, carcaças e peças mecânicas. Apesar disso, Caio Fattori reconhece que a autossuficiência plena ainda levará anos, mas o programa Mover, do governo federal, deve estimular novos fornecedores no País.

“A partir de agora, a unidade em Limeira está preparada para nacionalizar outras soluções que exigem componentes eletrônicos, fortalecendo a indústria automotiva nacional também no segmento de veículos comerciais. Por fim, Fattori concluiu que essa conquista reforça a competitividade da ZF no setor e abre portas para futuras nacionalizações de componentes estratégicos.