A Master Freios entra em uma nova fase de sua trajetória no momento em que completa 40 anos. A joint venture entre Randoncorp e Cummins ampliou sua presença internacional e, como consequência direta desse movimento, está expandindo o portfólio oferecido ao mercado brasileiro.
A principal mudança veio com a aquisição da britânica European Braking Systems (EBS). Tradicionalmente concentrada nos componentes finais do sistema de frenagem, como câmaras de ar e ajustadores automáticos, a Master passou a ampliar sua atuação para outras etapas do sistema pneumático dos veículos comerciais.
A estratégia inclui válvulas, sensores, servos eletrônicos e outros componentes. A empresa também prepara a entrada em uma nova área: a de compressores de ar.
“Historicamente, atuávamos nos componentes finais do sistema, que transformam a energia pneumática em energia mecânica para a frenagem. Com a integração da estrutura europeia, passamos a atuar desde a geração do ar, com o compressor, até sua distribuição”, afirma Bernardo Bregoli Soares, diretor executivo da Master Freios.
Mais de 350 novos itens
Os efeitos da integração com a EBS já começaram a aparecer no mercado brasileiro. Em cerca de um ano e meio, a Master incorporou mais de 350 novos itens ao portfólio, distribuídos em sete famílias de produtos.

Entre os componentes estão válvulas, sensores, servos eletrônicos e itens destinados ao sistema de Arla. Atualmente, o catálogo de reposição reúne 45 famílias de produtos e aproximadamente 5 mil SKUs.
A expansão, porém, deve continuar. Segundo Bregoli, cerca de 60 produtos já estão em fase de produção para lançamento, enquanto outros 300 itens permanecem em desenvolvimento.
A principal novidade prevista é a linha de compressores de ar. Com ela, a empresa pretende consolidar sua atuação em diferentes etapas do sistema pneumático dos caminhões, ônibus e reboques.
Expansão coincide com os 40 da Master Freios
A ampliação do negócio ocorre justamente quando a Master Freios completa quatro décadas de atividade. A empresa foi a primeira joint venture da Randoncorp e, ao longo de sua história, acumulou mais de 20 milhões de freios produzidos.
Atualmente a fabricante é líder na fabricação de freios na América Latina. O portfólio total reúne cerca de 40 mil referências para caminhões, ônibus e reboques. A capacidade produtiva atual ultrapassa 1 milhão de unidades por ano.
A empresa também mantém forte presença no fornecimento de componentes para veículos novos. Segundo o executivo, a produção local pode representar uma vantagem diante da chegada de novos fabricantes internacionais ao Brasil.
A necessidade de nacionalização progressiva de componentes, tanto para atender exigências de produção quanto para reduzir custos e viabilizar determinadas linhas de financiamento, tende a aumentar a importância de fornecedores instalados no País.
China reforça cadeia de suprimentos
A expansão da Master também envolve mudanças na estrutura logística. A empresa criou um centro de consolidação de cargas na China, voltado à captação global de suprimentos. A operação está conectada ao centro de distribuição de Mogi Guaçu/SP, que atende o mercado brasileiro. A expectativa é melhorar a eficiência da cadeia e reduzir os prazos de abastecimento.
Na Europa, a companhia ampliou sua presença com uma nova operação na Espanha. A estrutura se soma às unidades já existentes no Reino Unido, Irlanda, Romênia e Países Baixos.
O objetivo é regionalizar os estoques e reduzir os prazos de entrega. No Reino Unido, por exemplo, a operação trabalha com o padrão de entrega no dia seguinte e, segundo a empresa, 99% dos pedidos são atendidos em até 24 horas. A unidade espanhola deverá ampliar essa cobertura para o sudoeste europeu.
Engenharia da Master Freios e EBS trabalham integradas
A aquisição da EBS também aproximou as áreas de engenharia da Master Freios. O desenvolvimento realizado no Brasil passou a trabalhar de forma integrada com a estrutura de qualidade e homologação do Reino Unido.
Segundo Bregoli, essa aproximação acelera a validação de componentes e fortalece a capacidade da empresa de atender tanto as montadoras quanto o mercado de reposição. A integração ganha importância em um momento de ampliação do catálogo e de maior complexidade tecnológica dos veículos comerciais.
Reposição ajuda a reduzir oscilações
A presença no aftermarket também ajuda a equilibrar os ciclos do mercado de veículos comerciais. De acordo com Bregoli, o mercado de veículos novos pode sofrer oscilações próximas de 25%, dependendo de fatores como juros, crédito e desempenho do agronegócio. O mercado de reposição, por sua vez, tende a apresentar variações menores, próximas de 5%.
Quando as vendas de caminhões e ônibus novos diminuem, a frota existente permanece mais tempo em operação e exige manutenção. Esse comportamento contribui para compensar parte das oscilações do mercado de equipamento original.
Eficiência e novas exigências ambientais
A evolução dos sistemas de freio também acompanha as discussões sobre eficiência e redução de emissões. No curto prazo, a Master concentra parte do desenvolvimento na redução de massa dos componentes e na evolução dos materiais utilizados nos sistemas de atrito.
Bregoli chama atenção para uma característica dos freios a tambor, predominantes em boa parte da frota brasileira. Por serem sistemas fechados, eles conseguem reter os particulados gerados durante o processo de frenagem.
A questão poderá ganhar importância à medida que as discussões ambientais avancem para além das emissões do escapamento e passem a considerar também partículas geradas pelo desgaste de freios e pneus.
Ao completar 40 anos, a Master Freios amplia, portanto, o alcance de seu negócio. A empresa deixa de concentrar sua atuação apenas nos componentes finais da frenagem e passa a buscar espaço em todo o sistema pneumático dos veículos comerciais, do compressor à distribuição do ar e ao acionamento dos freios.

















