Anfir projeta leve alta nas vendas, mas com maior avanço, de 7%, no faturamento

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O setor de implementos rodoviários deve atravessar 2026 com crescimento moderado em volume, mas com desempenho financeiro mais robusto. A avaliação é de José Carlos Sprícigo, presidente da Anfir, que projeta a venda de cerca de 150 mil unidades no próximo ano, ante 148 mil em 2025.

Portanto, a expansão será tímida, próxima de 2%. Mas a entidade acredita em avanço mais relevante no faturamento, com alta estimada acima de 7%. O movimento reflete uma mudança no perfil da demanda, com maior participação de produtos de maior valor agregado.

“O tíquete médio sobe com a entrada de implementos mais tecnológicos e aplicações mais específicas. Sobretudo, ligadas ao agronegócio e à celulose”, afirma Sprícigo.

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Mix mais caro sustenta receita

A combinação de fatores setoriais deve sustentar a elevação do faturamento mesmo com crescimento limitado nas vendas. Entre eles, ganha destaque o avanço de segmentos que demandam implementos mais sofisticados.

O agronegócio, por exemplo, mantém bom nível de atividade, apoiado em safras robustas, como a de soja, que segue em patamar elevado. O que garante demanda por equipamentos de maior capacidade, como composições de sete e nove eixos.

Ao mesmo tempo, o setor de celulose amplia investimentos em novas plantas industriais, o que puxa a demanda por implementos com maior conteúdo tecnológico. E, consequentemente, maior valor unitário.

Anfir projeta leve alta nas vendas, mas com avanço de 7% no faturamento do setor em 2026
Segundo Sprícigo, entidade prevê mercado estável em unidades, mas ganho de 7% no faturamento graças aos equipamentos de maior valor agregado que estão em alta

Além disso, o mercado de locação, que pressionou as vendas em 2025 ao competir com estoques elevados, tende a voltar a um nível mais equilibrado. Com estoques ajustados, as locadoras devem retomar compras, o que abre uma nova frente de demanda.

Ambiente macroeconômico favorece confiança

No campo macroeconômico, Sprícigo identifica sinais positivos que podem sustentar a recuperação gradual do setor. A valorização do real, por exemplo, ajuda a conter pressões inflacionárias. Enquanto a perspectiva de estabilidade nos juros reforça a confiança dos investidores.

“O Brasil aparece como um porto seguro em meio às incertezas globais. Isso atrai capital e ajuda a estabilizar variáveis importantes, como câmbio e inflação”, afirma.

Esse ambiente mais previsível tende a favorecer decisões de investimento, ainda que de forma cautelosa. Sobretudo entre transportadores mais conservadores, que evitam operações com juros elevados.

Programa de incentivo entra no radar

Ademais, outro fator que pode impulsionar o mercado ao longo do ano é a possível criação de um novo programa de incentivo à renovação de frota, nos moldes do programa Move Brasil.

Segundo Sprícigo, há expectativa de que uma nova rodada de estímulos seja anunciada ainda neste ano. Mas desta vez com maior abrangência, incluindo implementos rodoviários e ônibus.

“A indústria trabalha para estruturar um programa mais completo, que envolva toda a cadeia. Existe diálogo com o governo, e fomos bem recebidos nas discussões”, diz.

Na avaliação da Anfir, um programa mais robusto e contínuo poderia reduzir a volatilidade do setor, marcada por picos de demanda seguidos de retração. O que a o executivo chama de “voo de galinha”.

Anfir projeta leve alta nas vendas, mas com avanço de 7% no faturamento do setor em 2026
Setor aposta em implementos de maior valor agregado demandados pelo agro e celulose

Ainda assim, desafios persistem, especialmente na renovação de veículos mais antigos. O baixo valor de revenda e a dificuldade de descarte ainda limitam a substituição da frota mais envelhecida, sobretudo entre autônomos.

Riscos no horizonte

Apesar do cenário mais construtivo, o setor segue exposto a variáveis externas. Oscilações no custo de matérias-primas, como o aço, e pressões de produtos importados continuam no radar. Além disso, fatores domésticos, como o ambiente eleitoral, podem gerar volatilidade, embora Sprícigo minimize impactos mais relevantes sobre a demanda.

“O mercado já convive com esses ciclos. A necessidade de transporte continua existindo, principalmente no agro”, afirma.

Para o segundo semestre, a expectativa da Anfir é de um ritmo mais equilibrado de vendas, com o mercado convergindo para o patamar projetado. A combinação entre demanda estrutural, ajuste de estoques e possível estímulo governamental deve sustentar o desempenho.

No horizonte mais longo, a entidade aposta em um ambiente mais estável a partir de 2027, com os efeitos da reforma tributária e maior previsibilidade econômica.