O governo federal abriu um novo ciclo de estímulo ao transporte rodoviário com a Medida Provisória nº 1.328, de 2025, publicada no Diário Oficial de terça-feira (16) que autoriza até R$ 6 bilhões para linhas de financiamento voltadas à compra de caminhões novos e seminovos por pessoas físicas ou jurídicas.
Dessa forma, o pacote mira a renovação da frota e a redução de custos para o empresário de transporte. Ou seja, pontos críticos para um setor que enfrenta dificuldade de crédito e alta da taxa de juros.
LEIA TAMBÉM:
Mercado de ônibus cresce com hegemonia da Mercedes-Benz
Rodovias do Brasil têm menos buracos e mais prejuízo; veja ranking
Volkswagen Caminhões avança com diversificação e tecnologias
Seja como for, a MP também flexibiliza a gestão do crédito rural e permite que produtores liquidem dívidas contratadas entre julho de 2024 e junho de 2025. Assim, preservando capital de giro em um momento de perdas climáticas e custos agrícolas acima da média. Ou seja, o governo tenta aliviar dois gargalos simultaneamente, o de transporte e agro.
Esse movimento não surge do nada. Ele atende uma cobrança pública da indústria automotiva e do transporte, discutida ao longo do segundo semestre e verbalizada em eventos estratégicos.
Fazenda comanda execução e BNDES vira eixo financeiro do programa
Dessa forma, a nova política de crédito terá coordenação direta do Ministério da Fazenda. Do mesmo modo, o BNDES assume o papel de operador das operações, centralizando análise, liberação e acompanhamento dos financiamentos.
Pelo desenho aprovado, os financiamentos terão caráter reembolsável e seguirão regras específicas conforme o tipo de veículo. Quem pretende adquirir um caminhão zero-km só poderá financiar modelos produzidos no Brasil e registrados no sistema do BNDES. Assim, garantindo giro na indústria nacional. Já o segmento seminovo fica restrito a autônomos e cooperativas, ampliando acesso justamente para quem mais sente o custo do capital.
O pacote também antecipa exigências de conteúdo local e de compromissos ambientais, sociais e de governança, que o Executivo detalhará em normas complementares. A ideia é usar o dinheiro público para incentivar tecnologia nacional, menos emissões e boas práticas de gestão. Além disso, o transportador poderá incluir no financiamento o seguro do ativo e o seguro prestamista, reduzindo risco e protegendo o investimento.
O repasse financeiro seguirá fluxo claro. Ou seja, a Fazenda transfere os recursos ao BNDES, que pode combinar o montante com capital próprio para ampliar alcance. As propostas precisam chegar ao banco até 30 de junho de 2026, prazo considerado decisivo para estimular compras ainda em 2025 e 2026. O risco de crédito fica nas mãos do próprio BNDES ou dos bancos credenciados, criando mais flexibilidade operacional e definindo o nível de apetite de cada instituição.
Indústria pediu socorro
No início de dezembro, durante a última reunião da Anfavea, o presidente da entidade, Igor Calvet colocou o custo do crédito como prioridade absoluta. Ele reforçou que empresários e frotistas adiaram compras de caminhões porque os juros encareceram o financiamento acima de qualquer planejamento racional.

Além disso, Calvet alertou que o crédito caro derruba produção, desestimula investimentos e reduz competitividade industrial. Portanto, a mensagem foi direta ao governo. Sem financiamento estruturado, não existe renovação de frota e não existe tampouco estímulo à demanda.
Ricardo Alouche, vice-presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, descreveu um mercado “travado pelo custo financeiro” em 2025. Segundo ele, o transportador quer renovar a frota, mas não aceita pagar juros proibitivos. O que empurra compras para consórcio, locação ou prazos maiores.
Como resultado, houve uma demanda represada nos extrapesados, justamente o segmento mais sensível aos juros altos. As vendas não evoluíram porque grandes embarcadores aguardavam melhores condições. Agora, com um instrumento de crédito direcionado, a equação deve mudar. Ou seja, bancos retomam apetite, fabricantes planejam produção com previsibilidade e transportadores reavaliam os números.
Em entrevista à Transporte Mundial, Alouche também projeta um 2026 mais forte, desde que exista continuidade de crédito e redução gradual dos juros. E isso deve ocorrer com estímulos à renovação de frota.
Se o crédito virar caminhão emplacado, o setor entra no próximo ciclo com mais confiança e menos custo.
















