A busca por eficiência e sustentabilidade no transporte rodoviário de cargas já não é mais tendência, é estratégia. E a Coopercarga vem acelerando nessa direção ao combinar eletrificação da frota, uso de GNV e um programa estruturado para ampliar a participação feminina ao volante. O resultado é uma operação que une redução de emissões, inovação logística e impacto social.
Nesse sentido, um dos pilares dessa transformação atende pelo nome de “Mulheres no Volante”. O programa vai além da contratação e aposta no desenvolvimento profissional dentro da empresa.
Na operação de Arujá (SP), por exemplo, a Coopercarga estruturou uma frota 100% elétrica dedicada ao setor de cosméticos. Nessa operação são utilizados seis veículos, entre vans e VUCs, todos operados exclusivamente por mulheres, tanto na função de motorista quanto de ajudante.
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A escolha não foi por acaso. “Se estamos levando produtos ligados à beleza até o consumidor final, por que não ter mulheres conduzindo essa entrega?”, resume Jonathan Cadina, gestor de operações.
Mulheres protagonizam
Mais do que abrir vagas, o projeto cria oportunidades reais de crescimento. Há casos de colaboradoras que começaram como ajudantes e, após treinamento e incentivo da empresa, se tornaram motoristas. A companhia, inclusive, investe na formação dessas profissionais, exigindo apenas a habilitação inicial como ponto de partida.
Apesar dos avanços, o desafio ainda é grande. A principal dificuldade está na captação de candidatas próximas às bases operacionais. Especialmente na região de Arujá e Guarulhos. Mas para driblar o problema, a empresa reforça parcerias locais e aposta em programas de formação para ampliar o alcance.

Eletrificação como vitrine ESG
A eletrificação da frota é outro eixo central da estratégia. Na operação voltada ao setor de cosméticos, todos os veículos são elétricos, reforçando o compromisso ambiental e alinhando a logística às metas ESG dos clientes.
No Paraná, o projeto ganhou escala. Em Curitiba, a Coopercarga mantém uma operação dedicada ao abastecimento de restaurantes com veículos elétricos desde 2022. Atualmente, são quatro modelos em operação, com a quinta já em fase de implementação. Do mesmo modo, todos conduzidas por mulheres.
A operação funciona em turno noturno, com início às 3h da manhã, garantindo o abastecimento dos estabelecimentos antes da abertura. Ao todo, 12 colaboradoras participam diretamente da operação, entre motoristas e ajudantes.
“É um projeto conjunto com o cliente, que faz sentido tanto do ponto de vista ambiental quanto social. Por isso, conseguimos dividir investimentos e garantir viabilidade”, explica Lívia Barros, gerente de centros logísticos.
GNV avança como solução intermediária
Se a eletrificação representa o futuro, o gás natural veicular (GNV) aparece como solução de transição e já é realidade na operação da Coopercarga.
Hoje, a empresa conta com 17 caminhões movidos a gás, utilizados em rotas dedicadas para grandes embarcadores, especialmente no setor industrial e de cosméticos. Parte dessa frota opera 24 horas por dia em trajetos entre fábricas e centros de distribuição.
Além da redução de emissões, o GNV traz ganhos operacionais importantes segundo a Coopercarga. Entre eles, menor custo por quilômetro rodado e redução de ruído, fator que impacta diretamente o conforto do motorista.
Por outro lado, ainda há entraves estruturais. A autonomia média de cerca de 450 km exige planejamento rigoroso de rotas e dependência de postos externos, já que a infraestrutura de abastecimento ainda é limitada no Brasil.
Sustentabilidade puxada pelo cliente
A adoção de tecnologias mais limpas, segundo a empresa, começou a partir da demanda dos próprios clientes. Especialmente grandes embarcadores com metas ambientais claras.
“Entramos forte nessa agenda por exigência de embarcadores, mas hoje já ampliamos esse conceito para outras operações”, afirma Ricardo da Silva Costa, gerente de frota.
No entanto, esse movimento exige contratos de longo prazo para viabilizar investimentos. Caminhões elétricos, por exemplo, demandam acordos de três a cinco anos devido ao alto custo de aquisição.
Expansão da frota e desafio da mão de obra
Com uma frota entre 600 e 700 veículos e cerca de 1.600 motoristas, a Coopercarga vive um momento de expansão impulsionado pela entrada de novos clientes. A estratégia inclui tanto a ampliação quanto a renovação da frota com modelos a diesel ainda presentes. Mas dividindo espaço com alternativas mais sustentáveis.
O crescimento, porém, esbarra em um problema estrutural do setor que é a escassez de motoristas. Para enfrentar esse cenário, a empresa descentraliza a gestão das equipes e cria políticas específicas por operação, com benefícios e remuneração ajustados à realidade de cada contrato. Além disso, programas como o “Mulheres no Volante” surgem como uma resposta direta à necessidade de ampliar a base de profissionais.
















