Copa Truck adota BeVant e abre nova vitrine para o biocombustível brasileiro

149

O BeVant acelera no mercado. Enquanto cresce entre grandes frotistas e demonstra competitividade frente ao diesel e ao HVO, o biocombustível brasileiro ganha uma vitrine estratégica. A Copa Truck passa a utilizar 100% do biocombustível em todas as equipes. Assim, esse movimento, segundo Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, marca “um passo histórico para os biocombustíveis no esporte a motor”.

O executivo começa explicando que a Be8 completou 21 anos no mercado nacional. E sempre teve o transporte pesado como foco. Segundo ele, o biocombustível BeVant nasceu após quatro anos de pesquisa e entrou no mercado em 2023.

Desde então, passou por testes, inclusive rodou do Rio Grande do Sul e chegou ao Pará durante a Copa, com caminhões e ônibus Mercedes-Benz até chegar na COP 2030, com o objetivo demonstrar que o biocombustível é competitivo no mercado. Nesse sentido, conforme Battistella, o resultado surpreendeu pela performance e pela grande redução de emissões.

VEJA TAMBÉM:
Mercado de usados desacelera em janeiro com Volvo na liderança; veja a lista
Scania vende três caminhões elétricos e acelera a criação da infraestrutura
Volvo projeta crescer 10% em 2026 com presença nos ônibus elétricos e rodoviários

O que diferencia o BeVant

Battistella explica que o Brasil acumulou décadas de experiência com biocombustíveis — primeiro com o etanol, depois com o biodiesel. Contudo, o mercado internacional avançou com o diesel verde (HVO), produto que substitui o diesel em 100% do uso, porém com custo elevado.

Copa Truck adota BeVant e abre nova vitrine para o biocombustível brasileiro
Erasmo Battistella detalha como o BeVant tem potencial para descarbonizar as frotas pesadas do país

Assim, a Be8 decidiu criar o BeVant, molécula inédita e patenteada, capaz de substituir o diesel integralmente sem qualquer adaptação. Para veículos usados, Battistella reforça apenas a necessidade de limpeza do tanque e troca de filtros, já que o biocombustível remove resíduos acumulados.

Segundo ele, testes internos mostram veículos com até 20 anos rodando com o produto sem prejuízo mecânico. Além disso, os resultados ambientais impressionam. Ou seja, um ônibus ou caminhão abastecido com BeVant reduz até 99% das emissões na queima, índice validado pela Mauá no projeto com a Mercedes-Benz.

Consumo e custo

Embora o consumo fique em torno de 3% acima do diesel B15 a depender da operação, Battistella argumenta que a comparação deve ser feita com o HVO, já que ambos competem pela entrega ambiental. A vantagem é expressiva porque o BeVant chega a ser 70% mais barato que o HVO europeu, o que o torna viável para frotas que buscam descarbonizar com baixo investimento.

Hoje, o BeVant custa cerca de 10% mais que o diesel comum. Diferença que, segundo ele, se justifica pelos ganhos ambientais e pelo fato de não exigir troca de frota ou adoção de novas infraestruturas, como no caso da eletrificação ou do hidrogênio.

Aplicações e expansão da produção

O produto avança entre transportadores e frotistas, principalmente em uso puro (B100). Battistella afirma que o foco atual não é a mistura na bomba. Mas sim o fornecimento direto para quem consome grandes volumes de diesel.

Dessa forma, o BeVant já aparece em setores como transporte rodoviário de cargas, ônibus urbanos, geradores, mineração e navegação. Com demanda crescente, a Be8 pretende expandir a produção para unidades no Paraná, Mato Grosso, Pará e Piauí. Hoje, o volume vem majoritariamente do Rio Grande do Sul.

Apesar disso, ele reconhece que ainda existe resistência. Frotistas querem entender impactos no motor, autonomia, custos e emissões. Ou seja, dúvidas consideradas naturais diante de qualquer tecnologia nova. Para ele, informar e mostrar resultados reais é essencial para quebrar barreiras.

Parceria com a Copa Truck: laboratório e vitrine

A estreia do BeVant como combustível oficial da Copa Truck transforma o campeonato em plataforma técnica e comercial. Battistella avalia a iniciativa como histórica. Afinal, pela primeira vez, uma categoria nacional de caminhões será movida apenas por biocombustível.

Segundo ele, a Copa Truck reúne um ambiente extremo de competição, ideal para comprovar performance. Além disso, movimenta milhões de fãs e traz grande diversidade de marcas como Iveco, Volkswagen, Mercedes-Benz, Volvo, Scania e DAF. O que reforça o caráter multimarcas do BeVant.

Um dos objetivos da parceria é eliminar a fumaça preta das provas. Como a categoria não utiliza catalisadores, o biocombustível deve reduzir emissões a níveis próximos de zero. Um sinal importante para frotistas que enfrentam pressão por metas de carbono e custos crescentes.

Próximos passos do BeVant

A Be8 quer ampliar a base de clientes. Além disso, a empresa já negocia testes e homologações internacionais, ainda sob confidencialidade, o que pode transformar o BeVant em um produto exportável. Battistella lembra que a companhia é líder brasileira em exportações de biodiesel e deseja repetir o feito com o novo biocombustível.

No médio prazo, a meta é disponibilizar o BeVant em postos de combustíveis, alinhando o avanço do produto com o programa Combustível do Futuro. Entretanto, até lá, a estratégia seguirá concentrada nos grandes consumidores.