Engenheiro da Scania roda 73 mil km com elétrico e desmonta mitos

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Esqueça planilhas otimistas e promessas de laboratório. Na prática, o engenheiro sueco Anders Gaasedal colocou um caminhão elétrico da Scania para encarar a vida como ela é na estrada longa, clima instável e logística real. Ao longo de 73,5 mil km rodados em 21 países, ele não apenas testou limites. Mas colecionou respostas.

Tudo começou de forma quase casual, com testes aerodinâmicos na Alemanha. No entanto, à medida que as viagens se multiplicavam, o projeto ganhava outra dimensão. Reuniões técnicas viraram rotas internacionais, apresentações viraram quilômetros acumulados. E, assim, o que era trabalho virou uma jornada técnica com cara de expedição.

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Ao volante de um Scania R45, Gaasedal enfrentou um dos maiores gargalos do setor que é a infraestrutura de recarga. Ainda assim, em vez de recuar, ele se adaptou. Muitas vezes, improvisou paradas em estações pensadas para carros de passeio e, mesmo com limitações, seguiu viagem. Portanto, na prática, mostrou que o problema existe, mas não impede a operação.

Consumo na vida real

Engenheiro da Scania roda 73 mil km com elétrico e desmonta mitos
Anders Gaasedal percorreu mais de 73 mil km com o caminhão elétrico da Scania e prova, na prática, que a tecnologia já encara longas distâncias sem sustos

Se a teoria ainda gera desconfiança, os números tratam de encerrar o debate. Em condições reais, incluindo outono e inverno europeus, o consumo variou entre 0,94 e 0,98 kWh por quilômetro. Ou seja, nada de surpresas desagradáveis ou autonomia evaporando no frio.

Em uma das rotas mais desafiadoras, ele cruzou sete países em 4.340 km, com 27 toneladas de carga, média de 76 km/h e eficiência dentro do esperado. Além disso, o conjunto técnico impressiona com potência contínua de 450 kW, picos acima de 500 kW e baterias que somam 624 kWh. Na prática, o caminhão entregou mais do que prometia. E isso muda o jogo.

Por outro lado, não é só sobre tecnologia, é sobre custo. E aqui, o elétrico começa a virar o placar. Em uma viagem pela Espanha, Gaasedal economizou cerca de € 1.000 entre energia e pedágios. Já em um trecho entre Suécia e Alemanha, a conta fechou com economia de aproximadamente 28 centavos de dólar por quilômetro.

Consequentemente, o discurso muda. Sai a dúvida sobre autonomia, entra o cálculo do custo total de propriedade. Portanto, operadores passam a olhar menos para o “e se” e mais para o “quanto custa rodar”.

Do escritório para o asfalto

Mais do que números, a experiência mudou o próprio engenheiro. Segundo Gaasedal, dirigir o caminhão no dia a dia ampliou sua visão técnica e aproximou seu discurso da realidade dos clientes. Em vez de teoria, ele passou a falar com propriedade.

Não à toa, sua apresentação “Scania BEV – Into the Wild” ganhou força dentro e fora da empresa, com cerca de 50 apresentações realizadas. Afinal, no início dessa jornada, quase não existiam referências concretas sobre caminhões elétricos em rotas internacionais. Agora, existe um case rodando.