Magnum vs. High Sleeper

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Estamos diante de duas cabines cheias de personalidade. A primeira, Magnum, é uma cabine mítica, que acaba de ter sua produção interrompida, mas que ganhou muito respeito e admiração por cerca de 20 anos, e a segunda, a High Sleeper, chega para enfrentar uma longa trajetória, estima-se, de sucesso.

Cabine Magnum
A veterana Magnum permaneceu no mercado por duas décadas, foi lançada em 1990, e fez a diferença como habitáculos para caminhões. Claro que se deve levar em conta a fama que a Renault possui no mercado de transporte na Europa e de ser a marca desejo quando o tema é conforto e qualidade de vida a bordo para o condutor. Visualmente essas cabines não possuem nenhuma similaridade, mesmo porque, são produtos que foram lançados em épocas diferentes e, portanto, respondem a filosofias construtivas, tecnológicas e de design bem distintas.

As linhas retas e perpendiculares da Magnum agora dão lugar às linhas arredondadas e fluidas que incorporam a High Sleeper – esta certamente transmite uma imagem menos agressiva em relação ao desenho do Magnum, mas que nem por isso perde a sua personalidade.

Distintas diferenças

Em uma rápida olhada, logo se nota que essas cabines se diferem pela configuração do para-brisa. Na Magnum, ele é vertical, e na High Sleeper há uma leve inclinação de 12º, tais diferenças denotam na aerodinâmica do caminhão. A redução da resistência ao vento no High Sleeper se concretiza no desenho da cabine, em forma de cunha com altura dianteira de 2 300 mm e traseira de 2 500 mm.

Cabine High Sleeper
Mas essas e outras diferenças externas não são obstáculos para que, no interior da cabine, ambas compartilhem no que, sem dúvida, é o maior atrativo dos caminhões pesados rodoviários da Renault: o piso plano integral. Trata-se de uma característica que favorece o nível de conforto e a habitabilidade nas operações rodoviárias de longas distâncias, pois facilita a movimentação no interior da cabine, sobretudo se a vigem for realizada com mais de um viajante a bordo, além, é claro, de facilitar no acesso à estação de descanso. Com isso, outro ponto forte da cabine High Sleeper é sua altura interna de 2 100 mm. Ainda dentro desse tema, se for comparar a High Sleeper com sua antecessora, sem dúvida que os designs conseguiram fazer nessa nova geração algo mais harmonioso e compacto.

O “corte” entre a parte do chassi e o habitáculo da Magnum, junto com a posição do eixo dianteiro, obrigou os condutores a um atípico acesso ao interior da cabine, um pouco mais complicado, ainda mais com as escadas situadas atrás das rodas dianteiras (típico de um cabover), cujo motorista tem de superar três pedais para chegar à altura do piso.
Já na nova geração High Sleeper a aposta foi pelo acesso convencional, que dispõe de quatro degraus largos. Outra garantia de um acesso confortável é o ângulo de 85º de abertura da porta.

Maior armazenagem

Por se tratar de uma cabine direcionada a rotas de longas distâncias, a versão do Renault Magnum não se destaca pela capacidade de armazenagem. Sobre o para-brisas há quatro porta-objetos de dimensões reduzidas, indicados para guardar documentos e notas fiscais, por exemplo. Embaixo da cama inferior há a geladeira e mais outro porta-objetos de maior volume e sobre o estribo lateral há um espaço indicado para guardar ferramentas etc.

Já a High Sleeper dispõe de maior volume, de armazenagem. Sobre o para-brisas há três grandes armários principais em que é possível guardar roupas ou objetos de maior volume, além disso, também há espaço para armazenar documentos ou objetos de menos volume e, embaixo da cama inferior, a distribuição é muito parecida com a do Magnum, com a notória diferença de que os da High Sleeper dispõem de um maior volume útil e os laterais são acessíveis de ambos os lados externos da cabine.

Mais equipamentos

Quando foi lançada, a cabine Magnum foi revolucionária, já que apontava soluções originais, que em alguns casos foram seguidas por outras fabricantes. A Mangnum foi o primeiro habitáculo a dispor de basculamento elétrico, uma solução que, obviamente, foi mantida na High Sleeper.

No caso da Renault Magnum, fazer a limpeza do para-brisas era uma questão de malabarismo, já que era preciso por os pés sobre a grade e agarrar-se. E no caso da High Sleeper o motorista dispõe de duas pequenas plataformas escamoteáveis na parte frontal que permitem chegar ao para-brisa sem dificuldade.

Se a iluminação do veículo foi melhorada com o passar do tempo até chegar à Magnum com suas ópticas de xênon, imagine agora com a chegada da High Sleeper, com a presença de unidades ópticas integradas, incluindo luzes de LED diurnas, faróis anti-neblima e luzes de giro que se orientam conforme o movimento do volante.Outros detalhes de prestígios que estão na High Sleeper é uma chave de contato multifunção, com a qual é possível controlar as luzes da cabine. Há também um controle remoto em que é possível da área de descanso comandas as funções de rádio, TV e DVD.

Posto de condução

Magnum

Desde 1990 a estação de trabalho e o painel de instrumentos da Magnum passaram por várias evoluções, chegando ao final de sua trajetória com um painel digital, similar ao da Premium Rota, que facilita a leitura do condutor. O volante possui ajuste de ângulo e altura, com os comandos principais situados de ambos os lados da coluna de direção. Os assentos são multiajustáveis, e o acompanhante tem a possibilidade
de girar.

High Sleeper

A nova cabine foi modernizada. No novo painel do computador de bordo predominam três relógios de pequeno formato e um maior, para o tacômetro, e um computador de bordo digital com múltiplas funções. O volante, além dos ajustes, também é rebatível, para facilitar a circulação do motorista. O painel está configurado em um suave ângulo envolvente que permite ao condutor ficar numa posição mais ergonômica sem ter que fazer movimentos bruscos para acessar os comandos.