Produção de caminhões e ônibus reage e Move Brasil acelera mercado, diz Anfavea

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A Anfavea iniciou 2026 com uma sinalização mais positiva na produção de caminhões e ônibus, apesar do impacto ainda visível da Selic de 15% em 2025, que derrubou as vendas ao longo do ano passado e no mês de janeiro. Na primeira coletiva do ano, o presidente da entidade, Igor Calvet, reforçou que a recuperação começa pela linha de montagem.

Em caminhões, a produção de janeiro chegou a 6,8 mil unidades, avanço de 18,6% em relação a dezembro e retração de 15,6% ante janeiro de 2025. Mas vale lembrar que a produção do primeiro mês do ano passado foi impactada pelos pedidos de Fenatran.

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Seja como for, já no segmento de ônibus, as montadoras fabricaram 1.820 unidades. O que representa um salto expressivo de 159,6% frente a dezembro e estabilidade na comparação anual (+0,8%).

Segundo Calvet, esse movimento reflete “o retorno das operações após menos férias coletivas”. E a reorganização das linhas diante das primeiras encomendas estimuladas pelo novo programa federal no caso de caminhões.

Move Brasil impulsiona pedidos e deve aparecer no mercado já em fevereiro

Embora o impacto nos emplacamentos ainda não apareça de forma consistente, já que o mercado registrou quedas superiores a 30% no mês, o programa Move Brasil já movimenta a rede. Assim, deve alterar rapidamente a curva de vendas.

Calvet revelou que o programa já financiou pouco mais de 1.150 veículos, apoiado em linhas com juros de 11,8% para frotistas a 12,7% para autônomos. Ou seja, abaixo da taxa média de mercado.

“Os juros agora estão em patamares muito mais atrativos, sobretudo para autônomos. Temos relatos de concessionárias e bancos de montadoras com aumento de mais de 30% na procura entre dezembro e janeiro”, afirmou o presidente da Anfavea.

Ele lembrou que o setor tem um ciclo diferente do mercado de automóveis. “Um caminhão trator (cavalo mecânico) costuma levar de seis a sete semanas entre faturamento e emplacamento. Portanto, as vendas de janeiro aparecerão de fato nos números de fevereiro e março”, diz.

Calvet também destacou que o início do programa exigiu ajustes operacionais no BNDES e nos bancos das montadoras, o que atrasou as primeiras liberações. Ainda assim, o volume contratado, de R$ 1,3 bilhão no mês, indica que a curva deve acelerar rapidamente.

Produção de caminhões e ônibus reage, e Move Brasil acelera mercado, diz Anfavea
A produção de caminhões já começa a avançar e Move Brasil ajuda, já que foram vendidos mais de 1.150 caminhões pelo programa em janeiro

Em ônibus produção salta

No segmento de ônibus, a fotografia de janeiro mostra um descolamento claro entre fábrica e mercado. O licenciamento recuou para 1.180 unidades (–33,9% ante janeiro de 2025). E isso tem a ver com a queda na venda de modelos urbanos.

Enquanto isso, a produção avançou para 1.820 unidades. Assim, sustentando o melhor ritmo desde o fim de 2024.

Exportações têm queda nos caminhões e ônibus

As exportações de caminhões somaram 1,1 mil unidades em janeiro, alta de 27,4% frente a dezembro. Mas queda de 8,5% ante janeiro passado. No segmento de ônibus, as exportações ficaram em 309 unidades, queda de 3,7% em comparação anual e retração de 20,2% contra dezembro.

A Argentina, principal destino, reduziu volumes, enquanto Chile e Colômbia apresentaram melhora marginal. Mas também desempenho reflete a menor demanda de outros mercados sul-americanos e os ajustes cambiais regionais.