São Paulo lidera estradas, mas gargalos elevam custos em mais de 14%

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São Paulo voltou a ocupar o topo do ranking nacional de qualidade rodoviária, segundo a 28ª Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada em dezembro de 2025 pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Dessa forma, o desempenho confirma a força da infraestrutura paulista, essencial para a dinâmica econômica do País.

Mas ainda assim, o estudo revela gargalos que pressionam custos logísticos. Como resultado, reduzem a competitividade e ampliam impactos ambientais.

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Infraestrutura em destaque no cenário nacional

A CNT percorreu 114.197 quilômetros de rodovias em todas as unidades da Federação. Desse total, 10.970 quilômetros ficam em São Paulo. O equivalente a 9,6% da malha avaliada no Brasil.

No estado, a pesquisa classificou as rodovias da seguinte forma, 49,4% em estado Ótimo, 27,7% Bom, 22,1% Regular, 0,7% Ruim e 0,1% Péssimo. Assim, o resultado coloca São Paulo como referência nacional em qualidade viária. Especialmente quando comparado à média brasileira.

Sete das dez melhores rodovias estão em São Paulo

Na avaliação de Carlos Panzan, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), o levantamento confirma a prioridade dada ao setor. “Temos sete das dez melhores rodovias do Brasil. Esse resultado mostra a seriedade com que o transporte e a infraestrutura rodoviária vêm sendo tratados em um estado que funciona como motor da economia nacional”, afirma.

Além disso, Panzan ressalta que o desempenho positivo não elimina a necessidade de planejamento contínuo. Segundo ele, manter investimentos constantes garante avanços em qualidade, segurança e eficiência logística.

Custos logísticos ainda comprometem a competitividade

Por outro lado, a pesquisa alerta para um problema estrutural relevante. As condições do pavimento em trechos da malha paulista elevam o custo operacional do transporte em 14,6%. Esse aumento se reflete diretamente no preço dos produtos e na competitividade da economia brasileira.

Diante desse cenário, a CNT estima que R$ 5,74 bilhões seriam necessários para recuperar as rodovias do estado por meio de ações emergenciais. Ou seja, reconstrução e restauração de pavimentos.

Impacto econômico e ambiental do pavimento deteriorado

Além dos custos financeiros, a má qualidade de alguns trechos gera efeitos ambientais significativos. Nesse sentido, em 2025, o estudo estimou um consumo excessivo de 62,4 milhões de litros de diesel nas rodovias paulistas, causado pela ineficiência do pavimento.

Como resultado, esse desperdício causou um prejuízo de R$ 359,19 milhões aos transportadores e na emissão de 165,14 mil toneladas de gases de efeito estufa.
“Esses números evidenciam como o pavimento ruim afeta diretamente os custos operacionais e representa um retrocesso ambiental”, avalia Panzan.

Concessões reduzem pontos críticos

Apesar dos desafios, São Paulo apresenta um quadro mais favorável que o restante do país quando se analisam os pontos críticos das rodovias. O estado contabilizou 24 pontos críticos, enquanto o Brasil somou 2.146 registros em 2025.

Esse resultado decorre, principalmente, dos investimentos realizados por meio de concessões e parcerias público-privadas. Um exemplo recente foi a inauguração do trecho norte do Rodoanel, no fim de 2025, que conecta as rodovias Dutra e Fernão Dias e melhora o fluxo de cargas e passageiros na Região Metropolitana.

Falta de recursos federais preocupa o setor

Por fim, a pesquisa destaca que o governo federal não autorizou recursos específicos para a infraestrutura rodoviária paulista em 2025. Para o setor de transporte, esse dado acende um sinal de alerta.

“Mesmo com os bons resultados e a atuação eficiente da iniciativa privada, o Governo Federal precisa manter investimentos na infraestrutura do estado”, conclui Panzan.

Ranking das melhores rodovias citadas no estudo

1º lugar – SP
SP-270 (Raposo Tavares) / BR-267 / BR-374 – Trecho de Presidente Epitácio a Ourinhos

3º lugar – SP
SP-348 (Rodovia dos Bandeirantes) – Cordeirópolis

4º lugar – SP
SP-225 (Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros / Eng. Paulo Nilo Romano) / BR-369 – Trecho de Itirapina a Santa Cruz do Rio Pardo

5º lugar – SP
SP-320 (Rodovia Euclides da Cunha) – Trecho de Rubinéia a Mirassol (rodovia pública)

7º lugar – SP
SP-070 (Rodovia Ayrton Senna / Carvalho Pinto) – Trecho de Taubaté a Guarulhos

8º lugar – SP
SP-021 (Rodoanel) – Trecho de Arujá a São Paulo

9º lugar – SP
SP-270 (Raposo Tavares) / BR-272 / BR-373 – Trecho de São Paulo a Itapetininga