A Ford Pro deve encerrar 2025 com 28 mil veículos comerciais vendidos na América do Sul, somando Ranger de trabalho e a linha Transit. Em 2024, a empresa fechou o ano com 24 mil unidades. Ou seja, um avanço de 4 mil veículos. Segundo Guillermo Lastra, diretor de veículos comerciais da marca, o aumento veio principalmente da picape Ranger, impulsionada pelo agronegócio brasileiro.
Dessa forma, o Brasil liderou o crescimento regional. A maior disponibilidade de produto, além da boa aceitação das versões topo de linha, ajudou a expandir a demanda também nas configurações de trabalho. Esse movimento resultou em maior produção em Pacheco, na Argentina, e permitiu atender mais clientes locais.
No entanto, Lastra lembra que um incêndio na fábrica de Nordex, no Uruguai, em julho, limitou o avanço. Apesar disso, a Ford Pro retomou a produção da Transit em apenas 90 dias e ainda importou unidades da Turquia, mantendo o abastecimento das concessionárias. Todavia, não fosse o incidente, o volume poderia ter superado 30 mil veículos.
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Nova Ranger cabine simples chega em 2026 e muda o jogo
Seja como for, para 2026, o grande lançamento da Ford Pro será a Ranger cabine simples, prevista ainda para o primeiro semestre. A marca não atua hoje nesse segmento, que movimenta entre 13 mil e 14 mil unidades por ano apenas na América do Sul. Esse nicho representa de 20% a 25% das vendas de picapes de trabalho. E, no Brasil, responde por 40% a 50% do mercado.
A nova versão chega com motor 2.0 de 170 cv. Assim, segundo Lastra ela nasce com forte potencial no agronegócio e nos clientes profissionais. Segundo ele, a Ford mira um crescimento expressivo porque a picape ampliou sua credibilidade justamente por liderar o segmento topo de linha
Transit ganha força e Ford não descarta em ampliar portfólio no País
Enquanto prepara a chegada da Ranger cabine simples, a Ford Pro também mira expansão na linha Transit. A empresa vê espaço para crescer com as versões atuais — 14+1, 17+1, automática, manual e furgão, chassi. Mas confirma que acompanha outros segmentos de comerciais leves.
Lastra reconhece que há produtos relevantes na Europa e nos Estados Unidos, e que eles despertam interesse no Brasil. Apesar de não confirmar oficialmente, ele deixa claro que “a Ford não descarta trazer uma nova van para o mercado brasileiro”.
“Estamos sempre estudando oportunidades. O Brasil é muito importante e analisamos todas as possibilidades”, diz.
Concorrência chinesa aumenta, mas Ford aposta no ecossistema

Seja como for, o avanço dos fabricantes chineses nos comerciais leves, já visível no varejo, deve ganhar força em 2026. Contudo, Lastra acredita que a Ford Pro entra nessa disputa com vantagem estrutural.
Além do produto, a empresa investe no ecossistema completo, que inclui conectividade avançada sem custo adicional; monitoramento preventivo do veículo e alertas técnicos em tempo real. Assim como 130 concessionárias com atendimento especializado.
Segundo ele, os frotistas valorizam cada vez mais dados e eficiência. “Um cliente comercial não consegue gerir uma frota sem informação”, afirma.
Elétricos recuam e clientes migram para o diesel
O mercado de comerciais elétricos recuou fortemente. Em 2024, o Brasil emplacou cerca de 1.500 unidades. Porém, em 2025, até novembro, não passou de 300. A combinação de Selic alta e aumento de 35% no imposto de importação afastou clientes do investimento.
Nesse cenário, a Transit elétrica perdeu ritmo e a demanda voltou para as versões a combustão. Lastra explica que o payback mais longo pesa na decisão.
Assinatura cresce e já tem 1.500 veículos
O serviço Ford Go Fleet também evolui. A empresa já opera 1.500 veículos, dos quais 80% são de clientes comerciais. Metade da demanda vem da picape e metade da Transit, com destaque para setores como mineração, agronegócio e comércio eletrônico, este último, majoritariamente com modelos a combustão.
A assinatura funciona como alternativa para quem evita aquisição direta. Especialmente em tempos de crédito mais caro.

Perspectivas para 2026: concorrência forte e mercado estável
Para 2026, Lastra prevê um ano competitivo. A Ford busca novas opções de financiamento e aposta no programa de assinatura como outra porta de entrada para os clientes profissionais.
Embora espere uma queda gradual da Selic, o executivo acredita que o impacto será limitado. Mesmo assim, ele vê o segmento de comerciais leves estável e com leve crescimento, repetindo o ritmo de 2025.

















