O Scania R 460 a gás/biometano se consolidou como o principal caminhão a gás do Brasil. Desde sua chegada, em 2025, o modelo passou a liderar com folga as vendas da tecnologia no País, respondendo por cerca de 80% dos emplacamentos de caminhões com essa tecnologia.
Ao mesmo tempo, o extrapesado simboliza uma mudança estrutural no mercado. Afinal, combina evolução técnica com um ambiente mais favorável ao gás, puxado por demanda por descarbonização, melhora de infraestrutura e maior competitividade de custo.
“Saímos de um mercado praticamente inexistente em 2019 para mais de 2 mil caminhões a gás comercializados. É uma jornada construída com base em demanda por descarbonização, evolução de infraestrutura e maior viabilidade econômica”, afirma Fernando Madrid, gerente de vendas de soluções de transporte da Scania.
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Nova geração impulsiona desempenho e aplicações
O R 460 gás/biometano marca a segunda geração de motores a gás da marca no Brasil. Assim, relação ao antecessor R410, o modelo entrega mais potência, de 460 cv, e 234 mkgf de torque, níveis equivalentes aos caminhões a diesel mais vendidos.
Além disso, a eficiência energética evoluiu. Como resultado, o caminhão alcança até 650 km de autonomia, hoje a maior entre os modelos a gás disponíveis no mercado nacional.
Outro ponto-chave está na concepção do produto. Diferentemente de soluções adaptadas, o motor foi desenvolvido originalmente para operar com gás. O que garante mais confiabilidade em diferentes aplicações.
Com isso, o modelo ampliou sua presença. Atualmente, atua principalmente no transporte rodoviário com configuração 6×2, que representa entre 60% e 70% das vendas. Por outro lado, também avança no agronegócio com versões 6×4, sobretudo em operações de cana, madeira e grãos. Além disso, a versão 4×2 representa 5% das vendas puxada, sobretudo, pelo comércio eletrônico.
“O 460 trouxe mais potência, mais torque e maior autonomia. Hoje ele entrega uma performance muito próxima ao diesel, o que ampliou as aplicações e impulsionou as vendas”, destaca Madrid.

Custo mais competitivo muda o jogo
Se antes o preço limitava a adoção, hoje o cenário é outro. Atualmente, o caminhão a gás custa entre 5% e 10% a mais que um equivalente a diesel. Ou seja, diferença bem menor do que no início da tecnologia, quando chegava a 30%.
Porém, ao considerar o custo total de operação (TCO), o modelo se torna competitivo. E até mais vantajoso em alguns casos. Conforme Madrid, hoje o TCO é bastante competitivo, principalmente com apoio de financiamento e incentivos.
Biometano acelera crescimento do gás
Seja como for, a trajetória do gás no Brasil ajuda a explicar a liderança do R 460. Em 2019, o segmento praticamente não existia. Desde então, a Scania já soma mais de 2 mil caminhões comercializados, com previsão de chegar a 2.500 unidades até 2026.
Para garantir esse resultado, além do R 460, que pode também ser oferecido na versão G mais direcionado ao uso vocacional, a Scania conta com modelos a gás nas potências de 420 cv, 340 cv e 280 cv.
Inicialmente, o crescimento se apoiou em fatores como pressão por metas de ESG, expansão da infraestrutura e incentivos. Entretanto, nos últimos anos, o biometano ganhou protagonismo.

Produzido a partir de resíduos, o combustível permite reduzir em até 90% as emissões de CO₂, transformando o caminhão a gás em uma solução efetiva de descarbonização.
“O biometano trouxe um novo patamar para o gás. Além de reduzir drasticamente as emissões, ele permite levar o caminhão para regiões onde não há rede de distribuição”, explica Madrid.
Mercado avança, mas ainda depende de incentivos
Atualmente, os caminhões a gás representam cerca de 5% das vendas totais da Scania no Brasil, com projeção de aproximadamente 500 unidades em 2026. Embora a demanda já apresente caráter estrutural, os incentivos ainda desempenham papel importante para acelerar o crescimento.
“A demanda hoje já existe de forma natural. O cliente quer o produto. Mas, para ganhar escala e velocidade, os incentivos públicos e privados ainda são fundamentais”, diz Madrid.
Nesse contexto, entram linhas de financiamento, programas públicos como os do BNDES, além de iniciativas das distribuidoras de gás.
















