O roubo de cargas perdeu força em 2025, mas ainda pesa no bolso do transporte rodoviário e, por consequência, no preço final dos produtos. O novo levantamento da NTC&Logística revela 8.570 ocorrências ao longo do ano, uma queda de 16,7% frente a 2024. Ainda assim, o alívio estatístico não se traduz em tranquilidade. Afinal o prejuízo direto alcança cerca de R$ 900 milhões e pode ultrapassar R$ 1 bilhão quando entram na conta os efeitos indiretos.
Enquanto isso, o setor segue pressionado por custos maiores com seguro, escolta e operação. O que compromete margens e reduz competitividade. Em outras palavras, o crime diminuiu em volume, mas continua caro e cada vez mais estratégico.
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Menos ocorrências, mais impacto
A redução recente reforça que a articulação entre empresas e poder público começa a surtir efeito. Ainda assim, o cenário exige cautela. “A queda demonstra avanço institucional, porém o problema está longe de acabar”, afirma o presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi.
Além disso, o executivo destaca um ponto-chave que é o combate à receptação. Segundo ele, atacar o mercado ilegal que absorve as cargas roubadas enfraquece toda a cadeia criminosa. Nesse contexto, ganha relevância a sanção da Lei nº 15.358/2026, que cria o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado e amplia mecanismos de investigação e punição.
Por outro lado, o crime se adapta rapidamente. Quadrilhas passaram a atuar com mais inteligência, mirando cargas de alto giro e liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos.

Sudeste concentra quase 87% dos casos
Geograficamente, o mapa do crime pouco mudou. O Sudeste concentra 86,8% das ocorrências, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo. A escolha não acontece por acaso. Trata-se do principal eixo logístico do País, com grande circulação de mercadorias e alta densidade urbana.
Além da concentração regional, o modo de atuação também evoluiu. Hoje, os criminosos preferem ações mais dinâmicas e precisas, como interceptações em movimento e abordagens durante entregas. Ao mesmo tempo, ampliam presença em áreas urbanas e corredores logísticos estratégicos.
Sofisticação das quadrilhas eleva desafio
Para o vice-presidente extraordinário de segurança da entidade, Roberto Mira, o setor enfrenta um inimigo mais estruturado. “Mesmo com menos casos, as organizações criminosas atuam com planejamento e inteligência. Portanto, exigem resposta igualmente integrada, com tecnologia e cooperação constante”, explica.
Nesse sentido, ferramentas de monitoramento, análise de dados e integração entre forças de segurança ganham protagonismo. Ainda assim, a fragmentação de informações entre estados e órgãos públicos continua como obstáculo relevante.
Impacto vai além do crime
O roubo de cargas já ultrapassa a esfera policial e entra diretamente na conta do chamado “custo Brasil”. Ele afeta a previsibilidade das operações, encarece o frete e compromete a eficiência logística.
Consequentemente, toda a cadeia sofre, do transportador ao consumidor final. Por isso, a NTC&Logística reforça a necessidade de uma abordagem sistêmica, que envolva desde políticas públicas até ações coordenadas entre empresas.
“Nosso compromisso é seguir contribuindo com dados, inteligência e articulação institucional. O enfrentamento passa por combater as estruturas que financiam o crime”, conclui Rebuzzi.

















