Depois de um 2025 marcado por forte retração, o mercado brasileiro de caminhões inicia 2026 sob um clima de otimismo cauteloso, segundo a Anfavea. Embora a entidade reconheça as dificuldades recentes, ela avalia que há espaço para reação, especialmente com o apoio do Programa Move Brasil, em vigor desde janeiro.
No ano passado, por exemplo, os emplacamentos totais de caminhões caíram cerca de 9%, enquanto somente o segmento de pesados recuou mais de 20%.
Ainda assim, para 2026, a Anfavea projeta uma queda bem mais moderada, de 0,5%, sinalizando uma estabilização. Em contrapartida, para a produção nas fábricas brasileiras, considerando caminhões e ônibus, a projeção já é de alta, estimada em 1,4%.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o cenário começa a mudar justamente com a entrada em vigor do Move Brasil, programa criado para atender transportadores autônomos e frotistas em um momento crítico para o setor. “O mercado de caminhões, especialmente o de pesados, viveu em 2025 o pior desempenho do setor automotivo. Portanto, o programa surge no momento certo para destravar esse mercado”, afirmou o executivo.
Crédito mais barato pode destravar a demanda
Para viabilizar essa retomada, o Move Brasil disponibiliza R$ 10 bilhões em recursos, com linhas de financiamento de até 60 meses e limite de R$ 50 milhões por beneficiário. As taxas de juros variam entre 11,8% e 13,9% ao ano, dependendo do perfil do tomador — valores que ficam significativamente abaixo dos patamares praticados anteriormente, que oscilavam entre 18% e 22%.
De acordo com a Anfavea, essa diferença é decisiva. Em 2025, visto que os juros elevados foram apontados como o principal fator de retração do mercado, especialmente entre os compradores de caminhões pesados.
Além disso, o programa contempla tanto veículos novos quanto seminovos, o que amplia o alcance da medida, embora dificulte a mensuração imediata de seus impactos nos emplacamentos.
Prazo é fator decisivo
Apesar do leve otimismo, a entidade ressalta, todavia, que os resultados de 2026 dependem diretamente da adesão ao programa. Os interessados devem fazer a solicitação do financiamento até 25 de março, prazo considerado curto diante da complexidade das operações e do perfil dos compradores. Somado a isso, Calvet não aposta na extensão do prazo de solicitações.
Por enquanto, segundo a Anfavea, o mercado já dá sinais de movimentação. Concessionárias relatam aumento nas consultas e negociações em andamento, contudo, ainda não é possível quantificar o volume de vendas efetivado. “Existe demanda. As conversas estão acontecendo. No entanto, ainda não temos números consolidados”, explicou Calvet.
Revisão de projeções ao longo do ano
A Anfavea reforçou que vai revisar trimestralmente suas projeções ao longo de 2026. A primeira atualização deve ocorrer em abril, quando a entidade terá uma visão mais clara sobre os três primeiros meses de operação do Move Brasil.
Outro ponto destacado é o impacto do programa na manutenção do emprego industrial. Vale lembrar que, em 2025, apesar do aumento de postos de trabalho no setor automotivo em geral, a indústria de caminhões perdeu mais de 740 empregos. Dessa forma, o Move Brasil também cumpre um papel estratégico ao estimular a produção e evitar novas perdas.
Em resumo, embora o cenário ainda inspire cautela, a Anfavea avalia que 2026 pode marcar o início de uma retomada gradual. Para isso, o sucesso do Move Brasil — e a respectiva adesão dentro do prazo — será determinante para transformar expectativa em resultado concreto.
Os números a seguir, por marca, refletem o impacto da retração dos caminhões em 2025
EMPLACAMENTO DE CAMINHÕES
2025………………………………….113,5 mil
2024…………………………………124,9 mil
2025/2024……………………………. -9,2%
PRODUÇÃO DE CAMINHÕES
2025………………………..124,1 mil
2024……………………….141,3 mil
2025/2024………………… -12,1%
EMPLACAMENTO DE ÔNIBUS
2025……………………………. 23.954
2024…………………………… 22.435
2025/2024…………………… 6,8%
PRODUÇÃO DE ÔNIBUS
2025………………….. 28.191
2024………………….. 27.749
2025/2024………… 1,6%
LICENCIAMENTOS 2025/2024
|
Fabricante |
2025 |
2024 |
% |
|
Agrale |
133 |
91 |
46,2 |
|
DAF |
7.484 |
9.624 |
-22,1 |
|
Iveco |
8.559 |
8.767 |
-2,4 |
|
Volkswagen |
30.211 |
31.328 |
-3,6 |
|
Mercedes-Benz |
27.935 |
25.512 |
9,5 |
|
Scania |
13.134 |
19.142 |
-31,4 |
|
Volvo |
20.074 |
23.185 |
-13,4 |















