O mercado brasileiro de veículos comerciais encerra novembro com sinais distintos entre transporte de cargas e transporte de passageiros. Caminhões registram retração tanto no mês como no acumulado do ano. Enquanto ônibus seguem trajetória oposta e consolidam crescimento mais robusto.
O segmento de caminhões fechou novembro com 8,9 mil unidades emplacadas, segundo a Anfavea, queda expressiva frente às 10,7 mil registradas em novembro de 2024, redução de 16,3% na comparação anual. Além disso, o acumulado de janeiro a novembro mostra recuo ainda mais consistente. Ou seja, de 103,7 mil unidades em 2025 contra 113,5 mil em 2024, retração de 8,7%.
A produção acompanha a trajetória negativa das vendas. Em novembro, as fábricas entregaram 9,6 mil caminhões, queda de 5,5% sobre o mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a novembro, a produção totaliza 118,4 mil unidades, retração de 9,3% em comparação a 2024 que fechou o período com 130,6 pesados fabricados. Além disso, novembro mostrou forte oscilação. As 13,2 mil unidades produzidas em outubro caíram para 9,6 mil em novembro. Ou seja, queda mensal de 27,1%, que reflete ajustes de planejamento interno e menor volume de pedidos.

O comportamento negativo tem raízes claras. O custo do crédito permanece elevado, com a trajetória de juros. Assim, muitas transportadoras priorizam a utilização plena da frota atual evitando renovar unidades. Além disso, o agronegócio, historicamente um dos principais vetores de compras de pesados, sobretudo neste segundo semestre, atravessa um ano de margens apertadas, o que reduz ímpeto de expansão.
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Ônibus avançam e confirmam retomada estrutural
Em sentido oposto, o mercado de ônibus segue fortalecendo o ciclo de retomada. Em novembro, o setor emplacou 2.203 unidades, acima das 1.970 registradas no mesmo mês de 2024, alta de 11,8%. Além disso, o acumulado de janeiro a novembro indica avanço sólido de 21.863 unidades em 2025 contra 20.203 no ano passado, crescimento de 8,2%.
A produção reage ainda mais intensamente. As fábricas entregaram 2,1 mil chassis de ônibus em novembro, volume apenas 9,1% inferior ao de novembro de 2024. Porém com desempenho mensal mais estável que o dos caminhões.
No acumulado do ano, a produção soma 26,1 mil unidades, salto de impressionantes 65% sobre o mesmo período de 2024. Além disso, a comparação com outubro mostra pequena oscilação com 2,0 mil unidades produzidas em outubro e 2,1 mil em novembro, alta de 8,8%, evidenciando demanda firme.
A expansão reflete investimentos represados desde o período de pós-pandemia e o foco de prefeituras e operadoras em modernizar sistemas urbanos. Além disso, programas governamentais ligados ao transporte escolar mantêm fluxo regular de compras.
















