China vendeu mais caminhões elétricos do que a diesel em 2025

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O mercado chinês de caminhões entrou em 2025 como referência, mas terminou o ano como protagonista absoluto da eletrificação no transporte pesado. Com 231 mil caminhões pesados eletrificados vendidos, somando modelos 100% elétricos, híbridos plug-in e elétricos de autonomia estendida, a China atingiu um marco sem precedentes. Em outras palavras, o país vendeu mais caminhões elétricos do que a diesel no acumulado do ano. O dado é do relatório da International Council on Clean Transportation.

Além disso, o salto não ocorreu de forma gradual. Pelo contrário, a China acelerou de maneira agressiva. As vendas cresceram 182% em relação a 2024, resultado de uma combinação rara de política industrial, maturidade tecnológica e, principalmente, economia real para o transportador.

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Dezembro sela a virada e confirma a nova liderança

O ponto de inflexão apareceu com clareza no fim do ano. Em dezembro, a China registrou cerca de 45,3 mil caminhões pesados eletrificados, classificados como veículos de “novas energias”. Isso representou 54% de todos os registros do mês. Ou seja, a maioria absoluta do mercado já escolheu eletrificação.

Ao mesmo tempo, os números mostraram ritmo de aceleração. O volume cresceu 198% sobre dezembro do ano anterior e avançou 62% frente a novembro. Assim, sinalizando não apenas demanda, mas uma corrida de compra.

Em grande parte, essa antecipação teve motivação regulatória. Como o governo começou a reduzir subsídios nacionais para renovação de frota, e com a expectativa de novos impostos sobre veículos elétricos a partir de 2026, muitas empresas decidiram fechar negócios antes da virada fiscal.

TCO domina o debate e empurra a decisão do frotista

Ainda assim, a principal força por trás do crescimento não está no incentivo, mas na conta do operador. O custo total de propriedade (TCO) se tornou o argumento mais convincente para eletrificar.

Em 2025, a China vendeu mais caminhões elétricos do que a diesel
XCMG está entre os fabricantes que mais vendem caminhões elétricos na China

Segundo Xia Nan, diretor de vendas de veículos comerciais da CATL, um caminhão elétrico pode economizar até 1,2 milhão de yuans ao longo de 10 anos, em comparação com um equivalente a diesel. Em outras palavras, o transportador não compra apenas tecnologia. Ele compra previsibilidade de custo e redução de despesas.

Essas economias vêm, sobretudo, de três frentes. Energia mais barata por km rodado, especialmente com contratos e redes dedicadas; menos manutenção, já que motores elétricos reduzem desgaste e complexidade mecânica. Do mesmo modo, eficiência operacional maior, com melhor aproveitamento em ciclos urbanos e regionais.

Consequentemente, grandes operadores logísticos e frotas industriais passaram a tratar caminhões elétricos e híbridos como investimento.

Infraestrutura acelera e destrava o longo curso

Outro fator decisivo apareceu na infraestrutura. A China não expandiu apenas a oferta de veículos, mas montou o ecossistema para eles rodarem.

O país avança com redes de carregamento ultrarrápido e estações de troca de baterias voltadas a caminhões pesados, reduzindo tempo de parada e aumentando produtividade. Assim, os caminhões eletrificados deixam de ficar restritos à distribuição urbana e começam a disputar espaço em rotas interurbanas e até operações de longa distância.

Portanto, a eletrificação na China não depende mais de “corredores experimentais”. Ela começa a operar em escala.

Mercado concentra e fabricantes chineses consolidam domínio

Com o crescimento, veio a consolidação industrial. Um relatório do Conselho Internacional de Transporte Limpo indica que cinco fabricantes chineses concentram 61% do mercado de caminhões pesados de emissão zero: XCMG, SANY, FAW, Shacman e Yutong.

Esse nível de concentração reforça que o mercado já não está em fase embrionária. Pelo contrário, a China já vive um estágio de maturidade semelhante ao do setor tradicional a diesel, com líderes definidos e capacidade produtiva escalável.

Além disso, novos nomes começam a desenhar a próxima etapa. Empresas como a Windrose Technology, com foco em caminhões elétricos equivalentes à Classe 8 americana, e a Pony.ai, voltada para condução autônoma em comboios, ampliam a eletrificação com automação.