Com importados, venda de pneus brasileiros saiu de 73% para 41% de participação

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O mercado brasileiro de pneus de carga encerrou 2025 em queda e reforçou o sinal de alerta para a indústria nacional. Segundo dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), o segmento comercializou 6,15 milhões de unidades entre janeiro e dezembro, contra 6,67 milhões no mesmo período de 2024. Assim, apresentando uma retração de 7,7% no acumulado do ano.

O desempenho negativo reflete, principalmente, a pressão crescente das importações. Sobretudo de países asiáticos. Mas também reforça o enfraquecimento da demanda no mercado interno. Além disso, o recuo se intensificou no último mês do ano passado, tradicionalmente marcado por menor ritmo de produção e compras mais cautelosas por parte dos transportadores.

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Dezembro aprofundou a queda no mercado de pneus de carga

Nesse sentido, em dezembro o segmento de pneus de carga registrou uma retração ainda mais expressiva. As vendas totais somaram 358,7 mil unidades, ante 451,8 mil unidades em dezembro de 2024. Ou seja, uma queda de 20,6% na comparação anual.

Todavia, o movimento atingiu tanto o mercado de reposição quanto o fornecimento às montadoras. No canal de reposição, as vendas recuaram de 365,7 mil para 290,4 mil unidades, também uma queda de 20,6%. Já nas montadoras, o volume caiu de 86,1 mil para 68,3 mil pneus, retração de 20,7%.

Em outras palavras, o enfraquecimento da demanda atingiu toda a cadeia ligada aos veículos comerciais, do transporte rodoviário de cargas à produção de caminhões e ônibus.

Importações seguem como principal fator de pressão

Segundo a ANIP, o avanço dos pneus importados segue como o principal vetor de desequilíbrio do mercado. Produtos estrangeiros entram no País a preços considerados abaixo do custo de produção nacional. O que compromete a competitividade da indústria instalada no Brasil.

“Estamos diante de um cenário que ameaça empregos, investimentos e toda a cadeia produtiva ligada ao transporte rodoviário”, afirma Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.

Com importados, venda de pneus brasileiros saiu de 73% para 41% de participação em 2025
Nos pneus de caminhões e ônibus a retração em 2025 foi de 7,7%

De acordo com a entidade, a participação da indústria nacional no mercado doméstico caiu de 73% em 2020 para 41% em 2025. Enquanto os importados passaram a responder por 59% das vendas. Esses dados consideram as vendas totais de pneus, incluindo pneus para automóveis, motocicletas, caminhões e ônibus.

Além do impacto econômico, a associação reforça que os pneus de carga têm papel direto na segurança viária, já que equipam veículos pesados responsáveis pela maior parte da movimentação de mercadorias no País.

Cadeia do transporte sente os efeitos

Nesse contexto, o desempenho do mercado de pneus de carga reflete um ambiente mais amplo de cautela no transporte rodoviário. Transportadores adiam trocas, estendem ciclos de uso e priorizam custos. Enquanto montadoras ajustam produção diante da demanda mais fraca.

Para a ANIP, sem medidas mais ágeis de defesa comercial e fiscalização técnica, o risco de desorganização da cadeia produtiva tende a crescer em 2026, justamente em um país altamente dependente do modal rodoviário. “Levamos décadas para construir uma indústria de pneus completa no Brasil. Agora, colocamos esse esforço em risco”, alerta Navarro.