TransJordano aposta em biometano, segurança e novos negócios para crescer 15% em 2026

236

A TransJordano entra em 2026 com um plano claro de crescimento, investimentos e diversificação. Sob a liderança de Joyce Bessa, diretora de estratégia e gestão, a transportadora projeta avançar cerca de 15% sobre 2025, após já ter crescido 12% no ano passado. O motor dessa expansão combina renovação e ampliação da frota, entrada em um novo segmento de atuação e a introdução do biometano como combustível estratégico. E sempre ancorada em um ativo que a empresa considera inegociável que é a segurança.

“2026 vai ser um ano bom. Estamos otimistas e estruturados para isso”, afirma Joyce. Hoje, a TransJordano opera com cerca de 600 conjuntos entre caminhões e implementos, atuando em produtos perigosos, carga seca e madeira, este último segmento no qual a empresa ingressou em 2025.

VEJA TAMBÉM:
Caminhões de 480 cv 6×2 que protagonizaram no mercado em 2025
Grupo Traton, dona da Scania e Volks, fecha 2025 com queda de 9% nas vendas
Conheça o Toyota Hiace Furgão, que estreia no Brasil por R$ 304.990

Além disso, frota maior e nova matriz energética

O plano de investimento prevê a compra de 50 a 100 novos caminhões. Ou seja, movimento que envolve tanto renovação quanto ampliação da frota, cuja idade média gira em torno de dois anos, uma das menores do País. Parte desses veículos já nascerá com uma mudança relevante que é o uso do biometano, exclusivamente, como alternativa ao diesel. Nesse sentido, a transportadora já avalia modelos da Iveco e Scania, fabricantes de caminhões que oferecem a tecnologia no Brasil.

“A eletrificação não faz sentido para a nossa operação. Nosso raio médio é de 500 km. Acreditamos que a transição energética no Brasil vai acontecer em vários níveis, e o biometano é o que se encaixa na nossa logística”, explica Joyce.

Para viabilizar essa estratégia, a empresa decidiu internalizar parte da infraestrutura. A TransJordano vai instalar três pontos próprios de abastecimento de biometano em filiais estratégicas. Assim vai cobrir os principais corredores onde pretende operar os caminhões a gás.

Ao mesmo tempo, segurança como diferencial competitivo

A entrada no biometano não acontece por acaso nem por modismo. Segundo Joyce, a decisão só veio após um amplo mapeamento do mercado, fornecedores e plantas produtoras do biocombustível. Além, claro, de riscos operacionais.

TransJordano aposta em biometano, segurança e novos negócios para crescer 15% em 2026
Para Joyce Bessa crescer no transporte passa por planejamento, segurança e pessoas no centro das decisões

“O Brasil tem empresas usando GNV e biometano com nível de segurança muito baixo. Isso não conversa com a nossa cultura”, diz. A executiva lembra que a TransJordano está há oito anos sem acidentes de alto potencial. Um indicador diretamente ligado ao know-how construído no transporte de produtos perigosos.

Esse conhecimento agora migra para outras operações. Na madeira, por exemplo, a empresa entrou com a missão clara de elevar o padrão. “Não negociamos segurança. Se tiver problema, paramos a operação. Entramos para levar nosso DNA, melhorar produtividade e reduzir risco. O cliente reconheceu isso”, afirma.

Enquanto isso, novas operações no radar

Além da madeira, a TransJordano já “namora” uma nova frente de atuação para 2026. Joyce não revela o segmento, mas deixa um spoiler claro que a segurança foi o principal critério de escolha. “É uma operação que exige alto nível de controle, exatamente onde a gente sabe operar bem.”

Esse movimento também ajuda a sustentar a projeção de crescimento de dois dígitos para o ano. Dessa forma, diluindo riscos e ampliando a carteira de clientes.

Fenatran não muda estratégia de grandes frotistas

No calendário de investimentos, 2026 é ano de Fenatran. Para Joyce, a feira tem importância institucional e tecnológica. Mas não define decisões estratégicas da TransJordano.

“Para grandes frotistas, não faz sentido chegar à feira para negociar tudo. Nossas negociações são longas, começam antes. Existe oportunidade para as empresas menores”, afirma.

Segundo ela, o evento ajuda a aproximar executivos. Assim como destravar conversas e apresentar novidades, mas não substitui planejamento.

Por fim, desafios regulatórios e econômicos no radar

TransJordano aposta em biometano, segurança e novos negócios para crescer 15% em 2026
A futura frota de biometano deve ser dividida nas áreas de atuação da empresa

Se o plano de crescimento está definido, o cenário macro exige atenção. Nesse sentido, Joyce aponta a reforma tributária, o fim da desoneração da folha, a taxa Selic elevada e o ambiente eleitoral como fatores que pressionam custos e decisões.

“O transporte é essencial para a economia brasileira, mas sofre com aumento de custo de capital e folha. Em 2026, veremos um ensaio do que será 2027”, avalia.

Ainda assim, ela acredita que o novo arcabouço tende a reduzir distorções no médio prazo. “Vai doer, mas pode equalizar o jogo. Empresas que não fazem conta vão sentir mais.”

O consumidor, na visão da executiva, deve sentir impactos graduais. “Frete não fica estável para sempre. O custo sobe e precisa ser repassado. A questão é fazer isso com transparência e eficiência.”