O crédito para financiamento de veículos cresceu mais do que o total do SFN em 2025. Enquanto o sistema expandiu 10,2%, o setor automotivo avançou 12% e alcançou R$ 544,4 bilhões em saldo de carteira. Esse movimento mostrou fôlego não apenas no varejo de carros e motocicletas, mas também no segmento de caminhões e ônibus, que continua decisivo para a renovação de frotas e para a logística nacional.
Embora o custo do dinheiro tenha subido e a Selic tenha alcançado 15%, os bancos das montadoras reforçaram campanhas comerciais. Assim, reduziram a taxa média anual do financiamento de 24,4% para 21,5%.
Segundo Enilson Sales, presidente da ANEF, os incentivos facilitaram o acesso ao crédito para consumidores com menor risco. “As campanhas estimularam a competição entre os bancos e ampliaram a disposição dos compradores em assumir novos financiamentos”, afirma.
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CDC segue forte, mas pesados movimentam o leasing e ampliam o consórcio
Os dados mostram que o CDC continuou como principal modalidade de crédito no País. A pessoa física respondeu por R$ 222,7 bilhões em financiamentos, o que representou alta de 5,6% e reforçou o papel das famílias na compra de automóveis. No entanto, quando o foco recai sobre caminhões e ônibus, o comportamento mudou e revelou tendências específicas do transporte rodoviário.
No segmento de pesados, o leasing ganhou espaço e avançou 2 pontos percentuais, consequência direta do apetite maior das empresas por operações com estrutura mais flexível. Além disso, o consórcio dobrou sua fatia, passando de 4% para 8% e demonstrando que transportadores buscaram alternativas mais previsíveis diante dos juros elevados. O CDC manteve sua relevância e ficou em 31%. Enquanto o Finame, ainda pressionado pela seletividade bancária, recuou de 31% para 22%.
Esse movimento indica que, mesmo com custos mais altos, transportadores continuaram a renovar parte das frotas e procuraram opções de crédito que aliviam o caixa no curto prazo. Ao mesmo tempo, o mercado de pesados reagiu com ritmo próprio, já que a demanda depende diretamente da atividade econômica, da safra e do fluxo logístico.
Juros caem ao longo do ano e estimulam a tomada de crédito
Ao longo de 2025, a taxa de juros do financiamento de veículos caiu gradualmente, apesar do ambiente macroeconômico desafiador. Os bancos das montadoras lideraram a redução dos spreads e ofertaram condições que atraíram consumidores e frotistas. Como resultado, o setor manteve liquidez e ampliou a competitividade entre as modalidades de crédito.
O leasing, por exemplo, registrou alta expressiva de 39,1% nos recursos liberados, chegando a R$ 1,9 bilhão, sobretudo porque as empresas enxergaram nessa operação uma forma de preservar capital e alongar compromissos. Já o consórcio avançou em vários segmentos, inclusive em caminhões, e se firmou como alternativa de planejamento para compras futuras.
Expectativas para 2026: crescimento moderado e maior competição
Para 2026, a entidade projeta expansão moderada de 3,9% nos recursos liberados para financiamento de veículos. O setor acredita que, apesar da cautela, a gradual melhora das condições de crédito permitirá novas operações, sobretudo no mercado de caminhões e ônibus. Contudo, os bancos continuarão seletivos e o cenário macroeconômico seguirá desafiador.
Ainda assim, Enilson Sales destaca que modalidades como leasing e consórcio devem ganhar mais tração, já que transportadores buscam previsibilidade e menor impacto no fluxo de caixa. Além disso, a concorrência entre bancos promete aumentar, o que tende a reduzir custos e criar oportunidades para renovação de frotas em diversos segmentos.

















